Brahms recebeu a primeira instrução musical do seu pai, intérprete de violino, violoncelo e trompa. Aos seis anos, demonstrava um talento incomum, sendo encorajado a seguir a carreira musical e a apreciar a literatura inglesa e francesa e a literatura romântica alemã. Depois das aulas na escola, tinha lições de piano com Otto F. W. Cossel, que conseguiu fazê-lo se tornar aluno de Eduard Marxsen, o melhor professor da cidade.
Brahms, ainda adolescente, começou a tocar piano nos bares próximos ao porto e em bordéis para obter alguma renda. Quando tinha oportunidade, também não deixava de se apresentar para a alta sociedade. Em quatro anos, tornou-se um dos mais famosos músicos de Hamburgo.
Apresentava-se em concertos com algumas estrelas da música alemã, em especial um violinista chamado Joseph Joachim, intérprete de sucesso na época, que sugeriu a Brahms que deixasse Hamburgo para conhecer novos lugares. Sugestão aceita, a primeira cidade em que parou foi Weimar, onde Franz Lizst morava.
Apesar da boa recepção, logo os dois se decepcionaram mutuamente. Suas preferências musicais não combinavam. Conta-se que Liszt, quando conheceu Brahms, tocou para ele sua nova peça, a Sonata em Si Menor. Ao final da apresentação, porém, Liszt viu que seu visitante tinha adormecido na poltrona.
Brahms seguiu para Bonn, onde conheceu o casal Schumann, tornando-se hóspede e amigo da família, chegando a se apaixonar por Julie, uma das filhas do casal. Contudo, o mestre Robert Schumann logo deixou claro para Brahms que não tinha nada para lhe ensinar. Quando Robert morreu, em 1856, Brahms iniciou uma peregrinação por toda a Europa, apresentando-se em concertos e procurando um emprego fixo.
No ano seguinte, obteve o cargo de pianista e diretor de coro na corte de Detmold. Durante esse tempo não deixou de compor: esboçou uma sinfonia, criou várias peças menores e, em 1858, escreveu seu Primeiro Concerto para Piano, que estreou no ano seguinte, para uma fria audiência em Hanover.
Em 1863, transferiu-se para Viena e se instalou como intérprete e compositor livre, mas acabou aceitando, em 1864, o posto de Diretor da Singakademie de Viena. Tornou-se uma figura quase folclórica. Com seu corpo pesado e uma grande barba branca, misturava na aparência, como na música, a severidade clássica com fugazes momentos líricos.
Brahms cultivou, com exceção da ópera, todos os gêneros musicais. Na mocidade foi romântico e intimista, particularmente na música para piano e nos "lieder" (canções), mas poucas obras românticas subsistem porque Brahms tinha o hábito de destruir os originais que não resistiam à sua severa autocrítica.
Em sua segunda fase, não-romântica (ou pós-romântica), seguiu Beethoven como modelo, mas não a ponto de continuar sua obra. Brahms, com seu espírito sóbrio, evitava inspirações, improvisações e alusões poético-literárias. Esse "formalismo" dificulta o acesso à sua música. O germanismo dificultou, durante muito tempo, a difusão de sua música no estrangeiro e fez com que os amantes de Wagner custassem a se render a Brahms.
Sua terceira fase é o regresso às raízes do Renascimento e do Barroco, à tradição luterana, que aparecem na comovente composição "Réquiem Alemão", nas obras para coro e orquestra e outras. Suas composições, influenciadas por Bach e Haendel, apresentam uma surpreendente harmonia entre o classicismo e o romantismo. Em linhas gerais, a música de Brahms caracteriza-se pelo seu caráter melancólico, pela tensão concentrada e obscuridade, pelos ritmos sincopados e pela riqueza temática.
♪ Regente ♪ Músico Multi-Instrumentista e Vocalista ♪ Arranjador ♪ Compositor ♪
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quinta-feira, 15 de abril de 2010
Vicenzo Bellini
Vincenzo Bellini nasceu em 1801, em Catânia, Sicília. A maior parte de seu treinamento musical primário veio de seu pai e avô, ambos compositores e músicos. Bellini aprendeu a tocar o piano muito cedo e, aos seis anos, já tinha escrito sua primeira composição. Seu avô, ávido para exibir o talento do neto, organizou suas primeiras apresentações em igrejas e salões aristocráticos.
Aos dezoito anos, Bellini ingressou no conservatório de Nápoles. Apesar de um começo vacilante, ele logo foi notado e conseguiu apoio do compositor Niccolo Zingarelli, diretor da escola. No conservatório, Bellini aprendeu contraponto e solfejo e estudou minuciosamente os trabalhos de Haydn, Mozart e dos mestres napolitanos. Em seu último ano, sua primeira ópera, Adelson e Salvini, foi apresentada para o público com um elenco de estudantes do conservatório. Depois do sucesso da ópera, Bellini foi comissionado para escrever outra ópera, que foi apresentada no Teatro San Carlo, em Nápoles.
A esta altura, o jovem Bellini já havia chamado a atenção do famoso empresário Barbaia, quem também descobriu Rossini e Donizetti no início de suas carreiras. Barbaia, que administrava vários teatros, comissionou Bellini para escrever uma ópera para o La Scala em Milão. O projeto uniu Bellini com o grande libretista Felice Romani, e deu-lhe um elenco de cantores excelentes para quem deveria compor. O resultado foi Il Pirata.
Il Pirata foi um sucesso retumbante e estabeleceu Bellini como um poderoso jovem compositor. Sua música era simples, elegante, e melódica, um pouco de ar puro num mundo operático dominado pelo estilo floreado de Rossini. A ópera também marcou o inicio da fértil parceria com Romani, que escreveu libretos para todas, menos uma, óperas de Bellini.
Bellini mudou-se para Milão, onde o sucesso abriu-lhe as portas da sociedade. Aí conheceu Giuditta Turina, uma mulher casada com quem teve um romance longo e infeliz. Nos anos que se seguiram, Bellini construiu uma reputação de excelente compositor mesmo que lento —enquanto que a maioria dos compositores de sua época levava somente um par de meses para escrever uma ópera. Bellini geralmente se limitava a escrever uma obra por ano. Algumas de suas óperas, com I Capileti e I Montecchi, La sonnambula, e Norma,foram um grande sucesso e continuam no repertório ainda hoje. Outras, como Zaira, fracassaram terrivelmente.
Bellini era um homem muito competitivo, tentando ganhar a vida em um ofício duro. Ele invejava e suspeitava constantemente de outros compositores — particularmente do prolífico Donizetti, a quem ele via como seu maior rival. A pressão a que Bellini se submetia talvez tenha afetado adversamente sua saúde; depois de compor sua sexta ópera, I capuleti e il Montecchi, ele caiu doente de uma disenteria e quase não sobreviveu.
O fracasso de Beatrice di Tenda em 1833 acabou com a parceria de Bellini e Romani. Bellini acusou o libretista pelo malogro da ópera. Romani respondeu publicando um artigo em sua própria defesa, acusando o compositor de estar muito distraído com algumas mulheres para prestar atenção em sua música. O artigo publicizou pela primeira vez o longo romance de Bellini com Giuditta Turina, causando um escândalo. Ela deixou seu marido e estava pronta para um divórcio — mas os sentimentos de Bellini por ela se esvairam. Ele fugiu do país sem se casar.
Depois da frustrada tentativa de penetrar o mundo operístico de Londres, Bellini mudou-se para Paris, onde se afastou completamente da música por um ano. Ingressando com entusiasmo na sociedade parisiense, Bellini conheceu e amigou-se de muita gente importante, incluindo Chopin, Liszt, e o melhor de tudo, o mestre do bel canto, Rossini. Rossini serviu de guia e consultor durante o período de composição da última ópera de Bellini, I Puritani, que foi outro sucesso estonteante.
Bellini adoeceu outra vez pouco depois de I Puritani e morreu alguns meses depois. Ele tinha 34 anos, estava no auge de seu sucesso e à beira de uma reconciliação com Romani.
Aos dezoito anos, Bellini ingressou no conservatório de Nápoles. Apesar de um começo vacilante, ele logo foi notado e conseguiu apoio do compositor Niccolo Zingarelli, diretor da escola. No conservatório, Bellini aprendeu contraponto e solfejo e estudou minuciosamente os trabalhos de Haydn, Mozart e dos mestres napolitanos. Em seu último ano, sua primeira ópera, Adelson e Salvini, foi apresentada para o público com um elenco de estudantes do conservatório. Depois do sucesso da ópera, Bellini foi comissionado para escrever outra ópera, que foi apresentada no Teatro San Carlo, em Nápoles.
A esta altura, o jovem Bellini já havia chamado a atenção do famoso empresário Barbaia, quem também descobriu Rossini e Donizetti no início de suas carreiras. Barbaia, que administrava vários teatros, comissionou Bellini para escrever uma ópera para o La Scala em Milão. O projeto uniu Bellini com o grande libretista Felice Romani, e deu-lhe um elenco de cantores excelentes para quem deveria compor. O resultado foi Il Pirata.
Il Pirata foi um sucesso retumbante e estabeleceu Bellini como um poderoso jovem compositor. Sua música era simples, elegante, e melódica, um pouco de ar puro num mundo operático dominado pelo estilo floreado de Rossini. A ópera também marcou o inicio da fértil parceria com Romani, que escreveu libretos para todas, menos uma, óperas de Bellini.
Bellini mudou-se para Milão, onde o sucesso abriu-lhe as portas da sociedade. Aí conheceu Giuditta Turina, uma mulher casada com quem teve um romance longo e infeliz. Nos anos que se seguiram, Bellini construiu uma reputação de excelente compositor mesmo que lento —enquanto que a maioria dos compositores de sua época levava somente um par de meses para escrever uma ópera. Bellini geralmente se limitava a escrever uma obra por ano. Algumas de suas óperas, com I Capileti e I Montecchi, La sonnambula, e Norma,foram um grande sucesso e continuam no repertório ainda hoje. Outras, como Zaira, fracassaram terrivelmente.
Bellini era um homem muito competitivo, tentando ganhar a vida em um ofício duro. Ele invejava e suspeitava constantemente de outros compositores — particularmente do prolífico Donizetti, a quem ele via como seu maior rival. A pressão a que Bellini se submetia talvez tenha afetado adversamente sua saúde; depois de compor sua sexta ópera, I capuleti e il Montecchi, ele caiu doente de uma disenteria e quase não sobreviveu.
O fracasso de Beatrice di Tenda em 1833 acabou com a parceria de Bellini e Romani. Bellini acusou o libretista pelo malogro da ópera. Romani respondeu publicando um artigo em sua própria defesa, acusando o compositor de estar muito distraído com algumas mulheres para prestar atenção em sua música. O artigo publicizou pela primeira vez o longo romance de Bellini com Giuditta Turina, causando um escândalo. Ela deixou seu marido e estava pronta para um divórcio — mas os sentimentos de Bellini por ela se esvairam. Ele fugiu do país sem se casar.
Depois da frustrada tentativa de penetrar o mundo operístico de Londres, Bellini mudou-se para Paris, onde se afastou completamente da música por um ano. Ingressando com entusiasmo na sociedade parisiense, Bellini conheceu e amigou-se de muita gente importante, incluindo Chopin, Liszt, e o melhor de tudo, o mestre do bel canto, Rossini. Rossini serviu de guia e consultor durante o período de composição da última ópera de Bellini, I Puritani, que foi outro sucesso estonteante.
Bellini adoeceu outra vez pouco depois de I Puritani e morreu alguns meses depois. Ele tinha 34 anos, estava no auge de seu sucesso e à beira de uma reconciliação com Romani.
Georges Bizet
Georges Alexandre César Léopold Bizet (25 de outubro de 1838, Paris - 3 de junho de 1875, Bougival) foi um compositor francês da época do Romantismo.
Bizet nasceu numa família de músicos e era uma criança-prodígio. Foi admitido no Conservatório de Paris aos nove anos de idade, onde estudou com Zimmerman, Marmontel e Halévy. Em 1857, foi agraciado com um prêmio oferecido por Jacques Offenbach pela ópera Le Docteur Miracle, e obteve o Prémio de Roma, onde estudou durante três anos. Lá, Bizet desenvolveu obras como a Sinfonia em Dó Maior e a ópera Don Procopio.
Depois da sua estadia em Roma, Bizet voltou a Paris onde se dedicou totalmente à composição. Em 1863 escreveu a ópera Les pêcheurs de perles (Os Pescadores de Pérolas), sua primeira grande obra. Dessa época é também a ópera La Jolie Fille de Perth e sua famosa suíte L'Arlesienne, escrita como música incidental para uma peça teatral de Alphonse Daudet, e a peça para piano Jeux d'enfants (Juegos de niños). Também escreveu a ópera Djamileh.
Em 1875, Bizet escreve Carmen, sua última e mais famosa ópera, sendo até hoje uma das mais representadas em todo o mundo. Escrita com base na novela homônima de Prosper Mérimée, a composição de Carmen teve a influência de Giuseppe Verdi, usando uma mezzo-soprano como personagem principal, a cigana Carmen. Não teve êxito imediatamente, apesar do mérito reconhecido por compositores como Camille Saint-Saëns, Pyotr Ilyich Tchaikovsky e Claude Debussy.
Alguns poucos meses após a estréia de Carmen, Bizet entrou numa profunda crise de depressão e faleceu aos 36 anos de idade, na data do seu aniversário de casamento. A causa oficial foi uma parada cardíaca devido ao reumatismo articular agudo. Foi sepultado no cemitério Père Lachaise, de Paris.
Embora tenha sido mais famoso como compositor, Bizet foi também um grande pianista, elogiado inclusive por Franz Liszt, que o considerou um dos melhores executantes de toda a Europa. Devido à sua obssessão pela perfeição nunca terminava a maior parte dos seus trabalhos. Cerca de quarenta óperas nunca passaram da fase de esboço.
Bizet nasceu numa família de músicos e era uma criança-prodígio. Foi admitido no Conservatório de Paris aos nove anos de idade, onde estudou com Zimmerman, Marmontel e Halévy. Em 1857, foi agraciado com um prêmio oferecido por Jacques Offenbach pela ópera Le Docteur Miracle, e obteve o Prémio de Roma, onde estudou durante três anos. Lá, Bizet desenvolveu obras como a Sinfonia em Dó Maior e a ópera Don Procopio.
Depois da sua estadia em Roma, Bizet voltou a Paris onde se dedicou totalmente à composição. Em 1863 escreveu a ópera Les pêcheurs de perles (Os Pescadores de Pérolas), sua primeira grande obra. Dessa época é também a ópera La Jolie Fille de Perth e sua famosa suíte L'Arlesienne, escrita como música incidental para uma peça teatral de Alphonse Daudet, e a peça para piano Jeux d'enfants (Juegos de niños). Também escreveu a ópera Djamileh.
Em 1875, Bizet escreve Carmen, sua última e mais famosa ópera, sendo até hoje uma das mais representadas em todo o mundo. Escrita com base na novela homônima de Prosper Mérimée, a composição de Carmen teve a influência de Giuseppe Verdi, usando uma mezzo-soprano como personagem principal, a cigana Carmen. Não teve êxito imediatamente, apesar do mérito reconhecido por compositores como Camille Saint-Saëns, Pyotr Ilyich Tchaikovsky e Claude Debussy.
Alguns poucos meses após a estréia de Carmen, Bizet entrou numa profunda crise de depressão e faleceu aos 36 anos de idade, na data do seu aniversário de casamento. A causa oficial foi uma parada cardíaca devido ao reumatismo articular agudo. Foi sepultado no cemitério Père Lachaise, de Paris.
Embora tenha sido mais famoso como compositor, Bizet foi também um grande pianista, elogiado inclusive por Franz Liszt, que o considerou um dos melhores executantes de toda a Europa. Devido à sua obssessão pela perfeição nunca terminava a maior parte dos seus trabalhos. Cerca de quarenta óperas nunca passaram da fase de esboço.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Gioacchino Antonio Rossini
Gioacchino Antonio Rossini nasceu em Pesaro a 29 de fevereiro (ou 2 de março) de 1792. Dificilmente teria outra carreira a seguir: era filho de um trompista e de uma cantora. Nos primeiros anos de vida já cantava bem e tocava trompa. Antes da adolescência, subiu ao palco para cantar óperas.
Depois de estudos musicais bastante precários em Bolonha - onde escreveu alguns quartetos para cordas no estilo de Haydn - dedicou-se inteiramente ao teatro. Aos dezoito anos, escreveu uma comédia em um ato. Nem bem estreara sua primeira obra, ‘La Cambiale di Matrimonio’, começou a atender a encomendas de teatros de Ferrara, Veneza e Milão. O exigente público milanês consagrou, em 1812, a ópera ‘La Pietra del Paragone’
Rossini, embora jovem, passou a ser respeitado como um grande compositor. Não poderia ser diferente: em apenas dezesseis meses escreveu sete óperas, seis delas cômicas. No ano seguinte, seu trabalho foi reconhecido internacionalmente. A principal peça deste período é a dramática Tancredo (1813). Foi a farsa cômica A italiana em Argel, também composta nessa fase, que Rossini se tornou conhecido como um compositor ousado, fundindo expressão lírica e recursos dramáticos com a melodia límpida e harmonia rica.
Mas a carreira de Rossini também experimentou algumas ondulações. Depois da brilhante etapa de estréias, produziu composições para Milão que desagradaram os críticos. Transferiu-se para Nápoles - onde escreveu Otello - para dirigir o teatro São Carlos, onde, sob contrato, tinha que compor dramas, mas conseguiu permissão para continuar escrevendo sob encomenda. A partir de 1815, sob contrato com Barbaja, empresário do teatro Scala de Milão, da Ópera Italiana, de Viena e Nápoles, compôs durante oito anos nada menos que vinte óperas.
Os italianos queriam uma comédia diferente, e Rossini fez, em treze dias, O barbeiro de Sevilha, cuja estréia, em Roma, a 26 de dezembro de 1816, foi vaiada; mas a partir da segunda apresentação, no dia seguinte, tornou-se o maior sucesso de toda a história do teatro musical, na Itália e no estrangeiro. Rossini tornou-se o autor de óperas mais representadas na Europa e o compositor mais célebre de sua época, preferido pelo grande público ao seu contemporâneo Beethoven, o qual conheceu em Viena. Falava-se de ‘febre rossinesca’.
Rossini considerava Maria Malibran, a melhor cantora da época. Mas casou-se com uma outra soprano importante, Isabella Colbran, e voltou com ela para Bolonha. Antes disso, conseguiu uma façanha: acabou com as aberturas tradicionais dos espetáculos de ópera, muito longas e distantes da trama. Devido o enorme sucesso de Semiramis, foi convidado a morar em Londres onde, em menos de cinco meses, ganhou a importante soma de 7.000 libras.
Em 1823 aceitou um vantajoso contrato permanente com a Ópera de Paris, onde passou a residir e chegou a exercer altas funções honorificas, sendo entusiasticamente festejado. Compôs Guilherme Tell, a mais bela e mais completa manifestação do gênio de Rossini. Recebeu do rei da França os cargos de primeiro compositor do rei, e inspetor geral de canto, percebendo um salário de 20.000 francos anuais. Privilegiado pela facilidade de improvisação, esbanjou o seu talento comerciando a sua arte.
Mas depois da revolução de julho de 1830 e dos primeiros sucessos de Meyerbeer, Rossini abandonou a capital francesa e a composição de óperas. Estava muito doente. A beira de um colapso nervoso, voltou para Bolonha. Só escreveu em 1832, um Stabat Mater, música sem muita importância, operística, que no entanto encontra até hoje admiradores, e uma missa que é bastante melhor.
Perdeu a esposa em 1845 e, depois se casou com Olympe Pélissier, mulher que reunia a elite cultural em sua casa de Paris. Ela cuidou dele durante quinze anos, período em que quase não criou nada de importante.
Em 1855 estava, de novo, em Paris, curado e ansioso para voltar a produzir. Compôs várias peças para piano e vozes, sempre com requinte. Rossini passou o resto da vida no ócio, dedicado aos prazeres da mesa, famoso por suas frases espirituosas e maliciosas, vindo a morrer em Paris a 13 de novembro de 1868, aproveitando as delícias da fama.
Óperas cômicas - A alegre ópera A italiana em Argel (1813) foi eclipsada pelo sucesso enorme de O barbeiro de Sevilha (1816), que é até hoje a ópera mais representada na Itália e muito exibida no estrangeiro: merece isso pela verve da abertura e das árias, e pelo efeito irresistível das cenas cômicas. De Cinderela (1817), que é musicalmente mais séria, só sobrevivem algumas árias, modelos de bel canto, e de A pega ladra (1817) só a abertura.
A música dessas obras é muito divertida, sem seriedade nenhuma, mas excelentemente adaptadas ao texto e, sobretudo, à ação dos cantores no palco. A contribuição principal de Rossini para a música de ópera é a exploração do elemento histriônico.
Óperas sérias - No entanto, a ambição de Rossini foi a ópera séria, trágica, para a qual não tinha o mesmo talento. É digno de nota o fato de que as aberturas de suas óperas sérias poderiam muito bem figurar como introduções a óperas cômicas. Mas na época, Tancredo (1813) foi muito admirada, mais ainda Moisés no Egito (1818), que se afigurava aos contemporâneos espécie de oratório no palco. Mas também não se cansaram de ouvir Otello (1816) e Semiramis (1823), hoje totalmente esquecidos. Só A dona do lago (1824) teve, imerecidamente, menos sucesso.
A grande obra séria de Rossini é a sua última ópera: Guilherme Tell (1829). A abertura é realmente um bom trecho de música. Mas na própria ópera, a "luta pela liberdade" parece-nos hoje travada como por soldados de chumbo. Os italianos, porém, descobriram e descobrem nessa obra os primeiros sinais do Risorgimento.
O sucesso de Rossini - Guilherme Tell, assim interpretado, é uma exceção. A música de Rossini acompanha a época da Restauração, entre 1815 e 1830, e foi o divertimento predileto de uma sociedade frívola e deliberadamente apolítica. É por isso que Rossini conquistou triunfalmente a Europa, um "Napoleão da música", como disse Stendhal, que cometeu o erro de colocá-lo na mesma altura de Mozart. Balzac também o considerava o maior músico de todos os tempos, elogio que depois de 1830 já não tinha sentido.
Depois de estudos musicais bastante precários em Bolonha - onde escreveu alguns quartetos para cordas no estilo de Haydn - dedicou-se inteiramente ao teatro. Aos dezoito anos, escreveu uma comédia em um ato. Nem bem estreara sua primeira obra, ‘La Cambiale di Matrimonio’, começou a atender a encomendas de teatros de Ferrara, Veneza e Milão. O exigente público milanês consagrou, em 1812, a ópera ‘La Pietra del Paragone’
Rossini, embora jovem, passou a ser respeitado como um grande compositor. Não poderia ser diferente: em apenas dezesseis meses escreveu sete óperas, seis delas cômicas. No ano seguinte, seu trabalho foi reconhecido internacionalmente. A principal peça deste período é a dramática Tancredo (1813). Foi a farsa cômica A italiana em Argel, também composta nessa fase, que Rossini se tornou conhecido como um compositor ousado, fundindo expressão lírica e recursos dramáticos com a melodia límpida e harmonia rica.
Mas a carreira de Rossini também experimentou algumas ondulações. Depois da brilhante etapa de estréias, produziu composições para Milão que desagradaram os críticos. Transferiu-se para Nápoles - onde escreveu Otello - para dirigir o teatro São Carlos, onde, sob contrato, tinha que compor dramas, mas conseguiu permissão para continuar escrevendo sob encomenda. A partir de 1815, sob contrato com Barbaja, empresário do teatro Scala de Milão, da Ópera Italiana, de Viena e Nápoles, compôs durante oito anos nada menos que vinte óperas.
Os italianos queriam uma comédia diferente, e Rossini fez, em treze dias, O barbeiro de Sevilha, cuja estréia, em Roma, a 26 de dezembro de 1816, foi vaiada; mas a partir da segunda apresentação, no dia seguinte, tornou-se o maior sucesso de toda a história do teatro musical, na Itália e no estrangeiro. Rossini tornou-se o autor de óperas mais representadas na Europa e o compositor mais célebre de sua época, preferido pelo grande público ao seu contemporâneo Beethoven, o qual conheceu em Viena. Falava-se de ‘febre rossinesca’.
Rossini considerava Maria Malibran, a melhor cantora da época. Mas casou-se com uma outra soprano importante, Isabella Colbran, e voltou com ela para Bolonha. Antes disso, conseguiu uma façanha: acabou com as aberturas tradicionais dos espetáculos de ópera, muito longas e distantes da trama. Devido o enorme sucesso de Semiramis, foi convidado a morar em Londres onde, em menos de cinco meses, ganhou a importante soma de 7.000 libras.
Em 1823 aceitou um vantajoso contrato permanente com a Ópera de Paris, onde passou a residir e chegou a exercer altas funções honorificas, sendo entusiasticamente festejado. Compôs Guilherme Tell, a mais bela e mais completa manifestação do gênio de Rossini. Recebeu do rei da França os cargos de primeiro compositor do rei, e inspetor geral de canto, percebendo um salário de 20.000 francos anuais. Privilegiado pela facilidade de improvisação, esbanjou o seu talento comerciando a sua arte.
Mas depois da revolução de julho de 1830 e dos primeiros sucessos de Meyerbeer, Rossini abandonou a capital francesa e a composição de óperas. Estava muito doente. A beira de um colapso nervoso, voltou para Bolonha. Só escreveu em 1832, um Stabat Mater, música sem muita importância, operística, que no entanto encontra até hoje admiradores, e uma missa que é bastante melhor.
Perdeu a esposa em 1845 e, depois se casou com Olympe Pélissier, mulher que reunia a elite cultural em sua casa de Paris. Ela cuidou dele durante quinze anos, período em que quase não criou nada de importante.
Em 1855 estava, de novo, em Paris, curado e ansioso para voltar a produzir. Compôs várias peças para piano e vozes, sempre com requinte. Rossini passou o resto da vida no ócio, dedicado aos prazeres da mesa, famoso por suas frases espirituosas e maliciosas, vindo a morrer em Paris a 13 de novembro de 1868, aproveitando as delícias da fama.
Óperas cômicas - A alegre ópera A italiana em Argel (1813) foi eclipsada pelo sucesso enorme de O barbeiro de Sevilha (1816), que é até hoje a ópera mais representada na Itália e muito exibida no estrangeiro: merece isso pela verve da abertura e das árias, e pelo efeito irresistível das cenas cômicas. De Cinderela (1817), que é musicalmente mais séria, só sobrevivem algumas árias, modelos de bel canto, e de A pega ladra (1817) só a abertura.
A música dessas obras é muito divertida, sem seriedade nenhuma, mas excelentemente adaptadas ao texto e, sobretudo, à ação dos cantores no palco. A contribuição principal de Rossini para a música de ópera é a exploração do elemento histriônico.
Óperas sérias - No entanto, a ambição de Rossini foi a ópera séria, trágica, para a qual não tinha o mesmo talento. É digno de nota o fato de que as aberturas de suas óperas sérias poderiam muito bem figurar como introduções a óperas cômicas. Mas na época, Tancredo (1813) foi muito admirada, mais ainda Moisés no Egito (1818), que se afigurava aos contemporâneos espécie de oratório no palco. Mas também não se cansaram de ouvir Otello (1816) e Semiramis (1823), hoje totalmente esquecidos. Só A dona do lago (1824) teve, imerecidamente, menos sucesso.
A grande obra séria de Rossini é a sua última ópera: Guilherme Tell (1829). A abertura é realmente um bom trecho de música. Mas na própria ópera, a "luta pela liberdade" parece-nos hoje travada como por soldados de chumbo. Os italianos, porém, descobriram e descobrem nessa obra os primeiros sinais do Risorgimento.
O sucesso de Rossini - Guilherme Tell, assim interpretado, é uma exceção. A música de Rossini acompanha a época da Restauração, entre 1815 e 1830, e foi o divertimento predileto de uma sociedade frívola e deliberadamente apolítica. É por isso que Rossini conquistou triunfalmente a Europa, um "Napoleão da música", como disse Stendhal, que cometeu o erro de colocá-lo na mesma altura de Mozart. Balzac também o considerava o maior músico de todos os tempos, elogio que depois de 1830 já não tinha sentido.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Johann Strauss II
Johann Strauss II é considerado o músico mais famoso de toda a família Strauss. Ele nasceu em Viena, em 25 de outubro de 1825. Empregou-se como bancário para satisfazer o pai, embora estudasse violino sem seu conhecimento. Desde os dezesseis anos, Schiani (o apelido familiar do compositor) compôs música dançável e cada vez mais popular. Sua produção chegava a uma média de duas valsas por mês. Na forma, elas tinham certa semelhança com as criadas por seu pai, com uma introdução lenta e as melodias de grande inspiração, mas com os detalhes harmônicos e orquestrais mais ricos e sutis.
Aos dezenove anos aprontou uma surpresa para o pai: ao regressar de uma turnê, Johann Strauss I encontrou as ruas de Viena repleta de cartazes: ‘Johann Strauss II apresenta sua orquestra e suas valsas’. Ficou mais estarrecido ainda quando, ao mandar emissários para o concerto, recebeu notícias avassaladoras. Em 15 de outubro de 1844, a orquestra de seu filho foi obrigada a voltar ao palco dezenove vezes para repetir a sua valsa Epigrama. Durante algum tempo, as orquestras de pai e filho foram concorrentes, mas com a morte do patriarca dos Strauss, em 1849, elas se juntaram. Quando chegou ao principal salão de Viena, Johann II recebeu de um dos músicos o violino que pertencera a seu pai e, com ele, conduziu as orquestras finalmente unidas. Na platéia, um cartaz previa o futuro do jovem: ‘Viva o rei da valsa’.
O novo regente dividiu a orquestra em quatro grupos e, a cada noite, regia um após o outro. Aos vinte e nove anos, a fadiga o levou a delegar a seu irmão Josef parte dessa tarefa. Com isso, o jovem e próspero músico pôde dedicar-se à composição, além de viajar pela Europa e Estados Unidos, onde realizou uma apresentação histórica, ao reger uma orquestra de quase 1.000 músicos na comemoração dos 100 anos da independência americana, em 1876, na cidade de Boston.
Elegante, esguio, com brilhantes olhos negros e escura cabeleira ondulada, Johann II compôs sua obra mais popular, O Danúbio azul, depois de se casar com Jetty Treffz, seis anos mais velha do que ele. O Danúbio azul se transformaria, praticamente, no hino de Viena e serviu como tema musical do filme de Stanley Kubrick ‘Uma odisséia no espaço’ (1968). Seguiram-se composições também antológicas, como Vozes da Primavera, Sangue vienense, Vida de artista, Contos dos bosques de Viena, Vinho, mulheres e música, Valsa do imperador, Rosas do sul. O compositor foi casado, ainda, com Lily Dittrich e Adela Deutsch.
A criação da opereta O morcego (1874), considerada a sua obra-prima, teve uma influência decisiva de seu amigo Offenbach, o mais importante compositor de óperas cômicas da Europa na época e que esteve em Viena por volta de 1870. Depois de O morcego, em que exaltava a alegria de viver em Viena, Johann II compôs mais 13 operetas, deliciosas crônicas de costume. Entre seus amigos famosos estava também o compositor Brahms. Consagrado em vida, ele recebeu do imperador Francisco José o maior de todos os elogios para quem, na juventude, teve idéias republicanas: ‘Tu também és imperador’.
Ao morrer, aos setenta e três anos em 3 de junho de 1899, Johann Strauss II, deixou um patrimônio musical de 479 obras, entre valsas, polcas, operetas e, para sempre, nos corações apaixonados, o sublime encanto que uma valsa de Strauss provoca quando se entrega ao prazer absoluto de sua música divina. Pode-se dizer que Johann Strauss II, além de seus dotes extraordinários de músico, foi símbolo de uma época que glorificava, com suas músicas, uma alegria de viver jamais superada.
Strauss II é considerado o rei da valsa. Suas mais conhecidas obras neste gênero são: Contos dos bosques de Viena (1868), O Danúbio azul (1867), Rosas do sul (1880), Sangue vienense (1871), Valsa do imperador, Vida de artista (1867), Vinho, mulheres e música, Vozes da primavera. O morcego (1874) é a sua principal opereta, seguido de O barão cigano (1885).
Aos dezenove anos aprontou uma surpresa para o pai: ao regressar de uma turnê, Johann Strauss I encontrou as ruas de Viena repleta de cartazes: ‘Johann Strauss II apresenta sua orquestra e suas valsas’. Ficou mais estarrecido ainda quando, ao mandar emissários para o concerto, recebeu notícias avassaladoras. Em 15 de outubro de 1844, a orquestra de seu filho foi obrigada a voltar ao palco dezenove vezes para repetir a sua valsa Epigrama. Durante algum tempo, as orquestras de pai e filho foram concorrentes, mas com a morte do patriarca dos Strauss, em 1849, elas se juntaram. Quando chegou ao principal salão de Viena, Johann II recebeu de um dos músicos o violino que pertencera a seu pai e, com ele, conduziu as orquestras finalmente unidas. Na platéia, um cartaz previa o futuro do jovem: ‘Viva o rei da valsa’.
O novo regente dividiu a orquestra em quatro grupos e, a cada noite, regia um após o outro. Aos vinte e nove anos, a fadiga o levou a delegar a seu irmão Josef parte dessa tarefa. Com isso, o jovem e próspero músico pôde dedicar-se à composição, além de viajar pela Europa e Estados Unidos, onde realizou uma apresentação histórica, ao reger uma orquestra de quase 1.000 músicos na comemoração dos 100 anos da independência americana, em 1876, na cidade de Boston.
Elegante, esguio, com brilhantes olhos negros e escura cabeleira ondulada, Johann II compôs sua obra mais popular, O Danúbio azul, depois de se casar com Jetty Treffz, seis anos mais velha do que ele. O Danúbio azul se transformaria, praticamente, no hino de Viena e serviu como tema musical do filme de Stanley Kubrick ‘Uma odisséia no espaço’ (1968). Seguiram-se composições também antológicas, como Vozes da Primavera, Sangue vienense, Vida de artista, Contos dos bosques de Viena, Vinho, mulheres e música, Valsa do imperador, Rosas do sul. O compositor foi casado, ainda, com Lily Dittrich e Adela Deutsch.
A criação da opereta O morcego (1874), considerada a sua obra-prima, teve uma influência decisiva de seu amigo Offenbach, o mais importante compositor de óperas cômicas da Europa na época e que esteve em Viena por volta de 1870. Depois de O morcego, em que exaltava a alegria de viver em Viena, Johann II compôs mais 13 operetas, deliciosas crônicas de costume. Entre seus amigos famosos estava também o compositor Brahms. Consagrado em vida, ele recebeu do imperador Francisco José o maior de todos os elogios para quem, na juventude, teve idéias republicanas: ‘Tu também és imperador’.
Ao morrer, aos setenta e três anos em 3 de junho de 1899, Johann Strauss II, deixou um patrimônio musical de 479 obras, entre valsas, polcas, operetas e, para sempre, nos corações apaixonados, o sublime encanto que uma valsa de Strauss provoca quando se entrega ao prazer absoluto de sua música divina. Pode-se dizer que Johann Strauss II, além de seus dotes extraordinários de músico, foi símbolo de uma época que glorificava, com suas músicas, uma alegria de viver jamais superada.
Strauss II é considerado o rei da valsa. Suas mais conhecidas obras neste gênero são: Contos dos bosques de Viena (1868), O Danúbio azul (1867), Rosas do sul (1880), Sangue vienense (1871), Valsa do imperador, Vida de artista (1867), Vinho, mulheres e música, Vozes da primavera. O morcego (1874) é a sua principal opereta, seguido de O barão cigano (1885).
Johann Strauss
Johann Strauss I nasceu na capital austríaca em 14 de março de 1804. Trabalhou como encadernador antes de poder viver da música. Começou tocando viola numa orquestra de música ligeira, mas como violonista, integrou a orquestra de Joseph Lanner (1801-1843).
De seus dois casamentos nasceram treze filhos. Depois de sair da orquestra de Joseph Lanner ele montou um quarteto de cordas e, finalmente, a própria orquestra, em 1825. Em 1826 compôs no jardim dos Zwen Tauben a Valsa dos Tauben e a seguir mais uma série de valsas vienenses chamadas pelo nome dos lugares onde foram ouvidas pela primeira vez.
Tornou-se ídolo nacional e, a partir de 1831, realizou apresentações em bailes da corte de Viena. De 1833 a 1849, fez turnês de sucesso pela Europa Central e Ocidental.
Em fevereiro de 1840, a rainha Vitória, da Inglaterra, dançou uma valsa em sua festa de casamento - um escândalo para os tradicionalistas, mas um grande e retumbante triunfo para o gênero. Johann Strauss I morreu em Viena, em 24 de setembro de 1849.
De seus treze filhos, três foram regentes e compositores. Josef (1827-1870), introvertido e melancólico, dividiu a direção da orquestra da família nos anos 1850 e 1860 e compôs valsas num tom mais sério e romântico, além de polcas, quadrilhas e marchas. O irmão caçula, Eduard (1835-1916), foi diretor musical dos bailes imperiais e reais de Viena e transformou-se no melhor regente da família.
Mas Johann Strauss II seria o mais famoso de toda a dinastia. É bom lembrar que nem todos os Strauss são parentes próximos. O célebre compositor alemão Richard Strauss, por exemplo, não tinha nenhuma ligação com os Strauss de Viena.
Strauss I compôs 146 valsas, 36 galopes, 31 quadrilhas, 24 marchas, 14 polcas e algumas contradanças e cotilhões.
De seus dois casamentos nasceram treze filhos. Depois de sair da orquestra de Joseph Lanner ele montou um quarteto de cordas e, finalmente, a própria orquestra, em 1825. Em 1826 compôs no jardim dos Zwen Tauben a Valsa dos Tauben e a seguir mais uma série de valsas vienenses chamadas pelo nome dos lugares onde foram ouvidas pela primeira vez.
Tornou-se ídolo nacional e, a partir de 1831, realizou apresentações em bailes da corte de Viena. De 1833 a 1849, fez turnês de sucesso pela Europa Central e Ocidental.
Em fevereiro de 1840, a rainha Vitória, da Inglaterra, dançou uma valsa em sua festa de casamento - um escândalo para os tradicionalistas, mas um grande e retumbante triunfo para o gênero. Johann Strauss I morreu em Viena, em 24 de setembro de 1849.
De seus treze filhos, três foram regentes e compositores. Josef (1827-1870), introvertido e melancólico, dividiu a direção da orquestra da família nos anos 1850 e 1860 e compôs valsas num tom mais sério e romântico, além de polcas, quadrilhas e marchas. O irmão caçula, Eduard (1835-1916), foi diretor musical dos bailes imperiais e reais de Viena e transformou-se no melhor regente da família.
Mas Johann Strauss II seria o mais famoso de toda a dinastia. É bom lembrar que nem todos os Strauss são parentes próximos. O célebre compositor alemão Richard Strauss, por exemplo, não tinha nenhuma ligação com os Strauss de Viena.
Strauss I compôs 146 valsas, 36 galopes, 31 quadrilhas, 24 marchas, 14 polcas e algumas contradanças e cotilhões.
Robert Schumann
Robert Alexander Schumann nasceu em Zwickau, Saxônia, a 8 de junho de 1810. O pai era livreiro-editor, e a mãe, inteligente e culta, mas ambos sempre revelaram equilíbrio emocional precário. Menino prodígio como pianista (aos seis anos já compunha), também adquiriu notável cultura literária, admirando o romantismo de Byron e Jean Paul. Em 1820, matriculou-se no ginásio de sua cidade natal, terminando o curso em 1828, quando ingressou na universidade de Leipzig, para estudar direito e filosofia.
Tomou aulas de piano com o famoso pedagogo Friedrich Wieck, em Leipzig. A partir de 1828, passou a dedicar-se completamente à música, tornando-se virtuose. Transferiu-se em 1829, para Heildelberg, iniciando um curso intensivo de música, chegando ao ponto de estudar piano sete horas consecutivas.
Em 1830, deu seu primeiro concerto público, sendo muito aplaudido. Até que em 1832, uma deformação incurável de um dedo terminou sua carreira pianística. Mas não abandonou a literatura e prosseguiu com suas composições. Apaixonou-se por Clara Wieck, a jovem filha do seu mestre e já grande pianista, encontrando porém a resistência tenaz do pai dela.
Fundou (1834) a Nova revista de música, que em breve se tornou porta-voz de todos os esforços musicais sérios na Alemanha. Por essa época, escreveu e publicou algumas críticas, assinadas com os pseudônimos de três personagens: ‘Florestan’ o enérgico, ‘Eusebius’ o sonhador, e ‘Meister Raro’, o moderador.
Depois de cinco anos, ambos lutando para obter o consentimento do pai da noiva, Schumann casou-se com Clara (1840). O casamento foi dos mais felizes que se conheceu no mundo das artes. Mas já apareceram os primeiros sintomas de perturbação mental de Schumann. Convidado por Mendelssohn, foi algum tempo professor no conservatório de Leipzig e depois, em 1850 foi nomeado regente de orquestra em Düsseldorf.
Mais tarde fez uma turnê pela Rússia e, quando retornou, sua saúde delicada, perdia-se pouco a pouco numa neurastenia crescente. Fez em 1854 uma tentativa de suicídio e foi, a seu próprio pedido, internado numa clínica de doença mental em Endenich, perto de Bonn, onde morreu a 29 de julho de 1856.
Caracterização - Enquanto a obra de Schubert e Mendelssohn ainda pertence, pelo menos parcialmente, ao mundo do Classicismo vienense, é Schumann o maior compositor do Romantismo alemão e, talvez, o maior romântico alemão, realizando na música aquilo que na literatura não tinham conseguido realizar os poetas. É certo que há na arte de Schumann um elemento idílico, que talvez possa ser caracterizado como pequeno-burguês. Mas é mais forte, em sua obra, o lado noturno do Romantismo, o pessimismo profundo, influenciado por Byron, e os pressentimentos permanentes do fim na loucura. Seus escritores preferidos eram, caracteristicamente, o idílico Jean Paul e o fantástico E.T.A.Hoffmann.
Obra pianística - A criação artística de Schumann realizou-se eruptivamente. Muitas obras de valor em curto tempo, seguidas de intervalos, de produção menos importante. Em menos de três anos criou o compositor suas melhores obras pianísticas, altamente românticas e poéticas, só comparáveis às de Chopin.
Carnaval (1835) é uma seqüência de cenas curtas, muito sugestivas, de grande encanto. Peças fantásticas (1837) é a mais romântica de todas as obras de Schumann. Uma das peças é a famosa Elevação. Os Estudos sinfônicos (1837) são, entre as obras pianísticas de Schumann, as mais difíceis, mas também as mais elaboradas, em forma de variações. Cenas da infância (1838) são as peças mais poéticas do compositor, e nos Kreisleriana ele antecipa surpreendentemente a música moderna.
Lieder - Dos numerosos lieder de Schumann, os mais valiosos foram escritos, todos eles, no ano de 1840. Abre com o ciclo de Canções de Heine, seguido de Amor de poeta, outro ciclo sobre textos de Heine e que são os lieder mais divulgados e mais queridos do compositor. O volume Mirtos começa com a famosa Dedicatória a Clara Schumann. Amor e vida de mulher é ciclo algo prejudicado pelo sentimentalismo.
O ponto mais alto é o ciclo de Canções de Eichendorff, os mais belos lieder românticos, depois de Schubert. Do mesmo ano de 1840 também é a balada Os dois granadeiros, texto de Heine, em que Schumann introduz no fim A Marselhesa.
Música e poesia - Schumann foi excelente crítico de música. É verdade que seu estilo é poético demais para o gosto moderno e que ele elogiou muitas mediocridades, por simpatia pessoal. Mas foi severo contra Rossini e Meyerbeer, reconheceu o valor de Mendelssohn, descobriu as obras inéditas de Schubert, saudou devidamente Chopin e adivinhou o gênio de Brahms.
Schumann foi escritor notável, poeta em prosa. Sua música também parece literária. Os títulos das pequenas peças são genialmente escolhidos, mas só foram inventados depois da melodia. Schumann não fez música de programa. Sua poesia musical é cheia de frescor - e de melancolia profunda. Como inventor de belíssimas melodias pode ser comparado a Mozart.
Schumann sempre preferiu as formas pequenas (peças pianísticas, lied) sem estrutura arquitetônica, que foi seu lado fraco. Mas certas de suas obras maiores são de alto valor. Das suas 4 sinfonias, a Sinfonia n.º 1 - Primavera (1841) é de encantadora frescura juvenil, e a Sinfonia n.º 4 em ré menor (1851), de grandeza beethoveniana. O Quinteto para piano em mi bemol maior (1842) é de beleza extraordinária, a mais bela obra de música de câmara entre Schubert e Brahms. O Concerto para piano em lá menor (1845) é a obra mais lírica nesse gênero.
Última fase - Durante os seis últimos anos de sua carreira musical escreveu Schumann, febrilmente, um número muito grande de obras, nem todas elas inspiradas e algumas francamente inferiores, já marcadas pela doença. Mas, além da Sinfonia n.º 4, é notável a sombria abertura para Manfredo (1849), de Byron, a obra sinfônica mais noturnamente romântica do compositor. E a obra coral Cenas de Fausto (1849-1850), de Goethe encontra modernamente muitos admiradores.
Influência - Schumann não foi devidamente reconhecido em vida. Só depois da morte tornou-se um dos compositores mais queridos do público. Mas os músicos Brahms e Wagner, enveredaram por caminhos diferentes. Schumann não exerceu grande influência na música alemã, mas muito mais no estrangeiro: Franck, Borodin, Dvorak e Grieg são testemunhos disso.
Tomou aulas de piano com o famoso pedagogo Friedrich Wieck, em Leipzig. A partir de 1828, passou a dedicar-se completamente à música, tornando-se virtuose. Transferiu-se em 1829, para Heildelberg, iniciando um curso intensivo de música, chegando ao ponto de estudar piano sete horas consecutivas.
Em 1830, deu seu primeiro concerto público, sendo muito aplaudido. Até que em 1832, uma deformação incurável de um dedo terminou sua carreira pianística. Mas não abandonou a literatura e prosseguiu com suas composições. Apaixonou-se por Clara Wieck, a jovem filha do seu mestre e já grande pianista, encontrando porém a resistência tenaz do pai dela.
Fundou (1834) a Nova revista de música, que em breve se tornou porta-voz de todos os esforços musicais sérios na Alemanha. Por essa época, escreveu e publicou algumas críticas, assinadas com os pseudônimos de três personagens: ‘Florestan’ o enérgico, ‘Eusebius’ o sonhador, e ‘Meister Raro’, o moderador.
Depois de cinco anos, ambos lutando para obter o consentimento do pai da noiva, Schumann casou-se com Clara (1840). O casamento foi dos mais felizes que se conheceu no mundo das artes. Mas já apareceram os primeiros sintomas de perturbação mental de Schumann. Convidado por Mendelssohn, foi algum tempo professor no conservatório de Leipzig e depois, em 1850 foi nomeado regente de orquestra em Düsseldorf.
Mais tarde fez uma turnê pela Rússia e, quando retornou, sua saúde delicada, perdia-se pouco a pouco numa neurastenia crescente. Fez em 1854 uma tentativa de suicídio e foi, a seu próprio pedido, internado numa clínica de doença mental em Endenich, perto de Bonn, onde morreu a 29 de julho de 1856.
Caracterização - Enquanto a obra de Schubert e Mendelssohn ainda pertence, pelo menos parcialmente, ao mundo do Classicismo vienense, é Schumann o maior compositor do Romantismo alemão e, talvez, o maior romântico alemão, realizando na música aquilo que na literatura não tinham conseguido realizar os poetas. É certo que há na arte de Schumann um elemento idílico, que talvez possa ser caracterizado como pequeno-burguês. Mas é mais forte, em sua obra, o lado noturno do Romantismo, o pessimismo profundo, influenciado por Byron, e os pressentimentos permanentes do fim na loucura. Seus escritores preferidos eram, caracteristicamente, o idílico Jean Paul e o fantástico E.T.A.Hoffmann.
Obra pianística - A criação artística de Schumann realizou-se eruptivamente. Muitas obras de valor em curto tempo, seguidas de intervalos, de produção menos importante. Em menos de três anos criou o compositor suas melhores obras pianísticas, altamente românticas e poéticas, só comparáveis às de Chopin.
Carnaval (1835) é uma seqüência de cenas curtas, muito sugestivas, de grande encanto. Peças fantásticas (1837) é a mais romântica de todas as obras de Schumann. Uma das peças é a famosa Elevação. Os Estudos sinfônicos (1837) são, entre as obras pianísticas de Schumann, as mais difíceis, mas também as mais elaboradas, em forma de variações. Cenas da infância (1838) são as peças mais poéticas do compositor, e nos Kreisleriana ele antecipa surpreendentemente a música moderna.
Lieder - Dos numerosos lieder de Schumann, os mais valiosos foram escritos, todos eles, no ano de 1840. Abre com o ciclo de Canções de Heine, seguido de Amor de poeta, outro ciclo sobre textos de Heine e que são os lieder mais divulgados e mais queridos do compositor. O volume Mirtos começa com a famosa Dedicatória a Clara Schumann. Amor e vida de mulher é ciclo algo prejudicado pelo sentimentalismo.
O ponto mais alto é o ciclo de Canções de Eichendorff, os mais belos lieder românticos, depois de Schubert. Do mesmo ano de 1840 também é a balada Os dois granadeiros, texto de Heine, em que Schumann introduz no fim A Marselhesa.
Música e poesia - Schumann foi excelente crítico de música. É verdade que seu estilo é poético demais para o gosto moderno e que ele elogiou muitas mediocridades, por simpatia pessoal. Mas foi severo contra Rossini e Meyerbeer, reconheceu o valor de Mendelssohn, descobriu as obras inéditas de Schubert, saudou devidamente Chopin e adivinhou o gênio de Brahms.
Schumann foi escritor notável, poeta em prosa. Sua música também parece literária. Os títulos das pequenas peças são genialmente escolhidos, mas só foram inventados depois da melodia. Schumann não fez música de programa. Sua poesia musical é cheia de frescor - e de melancolia profunda. Como inventor de belíssimas melodias pode ser comparado a Mozart.
Schumann sempre preferiu as formas pequenas (peças pianísticas, lied) sem estrutura arquitetônica, que foi seu lado fraco. Mas certas de suas obras maiores são de alto valor. Das suas 4 sinfonias, a Sinfonia n.º 1 - Primavera (1841) é de encantadora frescura juvenil, e a Sinfonia n.º 4 em ré menor (1851), de grandeza beethoveniana. O Quinteto para piano em mi bemol maior (1842) é de beleza extraordinária, a mais bela obra de música de câmara entre Schubert e Brahms. O Concerto para piano em lá menor (1845) é a obra mais lírica nesse gênero.
Última fase - Durante os seis últimos anos de sua carreira musical escreveu Schumann, febrilmente, um número muito grande de obras, nem todas elas inspiradas e algumas francamente inferiores, já marcadas pela doença. Mas, além da Sinfonia n.º 4, é notável a sombria abertura para Manfredo (1849), de Byron, a obra sinfônica mais noturnamente romântica do compositor. E a obra coral Cenas de Fausto (1849-1850), de Goethe encontra modernamente muitos admiradores.
Influência - Schumann não foi devidamente reconhecido em vida. Só depois da morte tornou-se um dos compositores mais queridos do público. Mas os músicos Brahms e Wagner, enveredaram por caminhos diferentes. Schumann não exerceu grande influência na música alemã, mas muito mais no estrangeiro: Franck, Borodin, Dvorak e Grieg são testemunhos disso.
sábado, 7 de novembro de 2009
Henrique Oswald
Em 1854 a família se muda para São Paulo indo residir na rua da Casa Santa n°10 que tem hoje o nome de Riachuelo. Portanto, bem próxima da Faculdade de Direito e por onde passavam diariamente os estudantes a caminho das aulas.
Jean Jacques Oswald abriu um depósito de pianos e foi um dos primeiros, senão o primeiro a comercializar o instrumento, já bastante procurado nessa época, na capital da província. Como todo o início é dificil, madame Carlota auxiliava no orçamento da casa dando lições de piano, chamando alunos por anúncios colocados no Correio Paulistano.
[editar] Primeiros estudos em São Paulo
No meio de tantos pianos que o pai vendia e ouvindo as aulas dadas pela mãe, não seria estranho que o pequeno Oswald também se interessasse em aprender a tocar o tão sonoro instrumento.
Certamente recebeu de sua própria mãe as lições iniciais. Em 1860 chegou a São Paulo uma companhia francesa de teatro musicado vinda do Rio de Janeiro. Trazia como regente da orquestra Gabriel Giraudon, músico de excelente formação em seu país. Depois de algumas apresentações, a companhia se dissolveu e Giraudon resolveu permanecer na pacata cidade paulistana. Logo anunciou que dava aulas de piano, canto, harmonia e composição. Era o mestre que o progresso rápido do menino Oswald necessitava.
Henrique Oswald foi matriculado para as primeiras letras no Seminário Episcopal, situado no bairro da Luz. E mesmo na escola o gosto pela música teria campo propício para desenvolver-se. Ainda que fosse um menino, seu talento e a desenvoltura como se comportava ao piano e ao órgão, fizeram com que os padres diretores do Seminário o escolhessem para organista da igreja anexa á escola.
[editar] Primeiras aparições em público
Em 5 de abril de 1864 Giraudon organiza um espetáculo no teatrinho do Pátio do Colégio com seus alunos Antônio Ferreira de Morais, o menino prodígio de doze anos Henrique Oswald e a cantora sra. Guillemet.
Oswald tocou ao piano uma valsa de autoria de seu mestre intitulada Le Tourbillon e a peça Tema e variações de Hünten, além de acompanhar Giraudon em outras músicas.
Alguns dias depois, o crítico do Correio Paulistano declarava que "o menino Oswald admirou aos assistentes pela descomunal inteligência e estudo que revelou". E continuava o artigo com outros elogios.
Mais duas vezes o menino Oswald apresentou-se ao publico paulistano. A primeira, em 1865, num recital organizado por Giraudon, com a participação de suas várias alunas e outro jovem discípulo. Homenageou-se os soldados brasileiros que iam lutar na Guerra do Paraguai, iniciada naquele ano. Dois anos depois, voltou ao palco o jovem Henrique para um espetáculo beneficente. Segundo a crítica, foi bastante aplaudido.
Em 1° de abril de 1868 organizou-se nos salões da Sociedade Concórdia um interessante espetáculo lítero-musical. Participaram algumas personalidades que haveriam de ficar na história. Depois de danças, cantos e outros virtuosismos, tocou o acadêmico Brasílio Itiberê da Cunha, compositor de A Sertaneja, música na qual se ouve a canção popular Balaio, meu bem balaio, considerada a primeira manifestação do nacionalismo musical brasileiro. A seguir, surge a figura fulgurante do poeta Castro Alves que, como sempre, empolgou e comoveu a platéia com seus magníficos versos. Mal terminados os aplausos ao inspirado baiano, sentou-se ao piano o jovem Henrique Oswald, já bem mais amadurecido, cujas execuções agradaram à seleta assistência.
No mês de julho do mesmo ano, por sugestão de seu professor que via naquele adolescente um futuro promissor, ou por iniciativa de seus pais, Oswald resolveu continuar os estudos em algum centro onde o ambiente cultural não fosse tão acanhado. Para tanto organizou-se um espetáculo em seu benefício, como auxílio às despesas de viagem. Participou a companhia dramática de Eugênia Câmara e ouviu-se pela última vez em São Paulo o jovem pianista, agora no palco do Teatro São José. Tocou a quatro mãos com Giraudon e, mostrando desenvoltura, executou sozinho composições de Thalberg, Ravina e Ascher, autores que estavam na moda naquela época. A crítica foi-lhe amplamente favorável e, por extenção, também Giraudon recebeu elogios por ter iniciado a formação de tão prodigioso discípulo.
Até o fim do ano, tendo o pai liquidado seus negócios, partiu a família para a Europa.
[editar] Bolsista na Europa
Portanto, em 1868, quando contava com apenas dezesseis anos de idade, tendo recebido do Imperador uma bolsa que lhe permitiu transferir-se para a Italia, pôde estudar por vários anos em Florença, desenvolvendo seu inato talento, ajudado pela influência artística da famosa e bela cidade da Toscana.
Seus primeiros mestres europeus foram G. Buonamici e H. Ketten no piano, Reginaldo Graziani em harmonia e Mazzoni em contraponto, fuga e composição.
A sua peça para piano Il neige (está nevando) ganhou o primeiro prêmio do concurso patrocinado pelo jornal francês Le Figaro em 1902.
Jean Jacques Oswald abriu um depósito de pianos e foi um dos primeiros, senão o primeiro a comercializar o instrumento, já bastante procurado nessa época, na capital da província. Como todo o início é dificil, madame Carlota auxiliava no orçamento da casa dando lições de piano, chamando alunos por anúncios colocados no Correio Paulistano.
[editar] Primeiros estudos em São Paulo
No meio de tantos pianos que o pai vendia e ouvindo as aulas dadas pela mãe, não seria estranho que o pequeno Oswald também se interessasse em aprender a tocar o tão sonoro instrumento.
Certamente recebeu de sua própria mãe as lições iniciais. Em 1860 chegou a São Paulo uma companhia francesa de teatro musicado vinda do Rio de Janeiro. Trazia como regente da orquestra Gabriel Giraudon, músico de excelente formação em seu país. Depois de algumas apresentações, a companhia se dissolveu e Giraudon resolveu permanecer na pacata cidade paulistana. Logo anunciou que dava aulas de piano, canto, harmonia e composição. Era o mestre que o progresso rápido do menino Oswald necessitava.
Henrique Oswald foi matriculado para as primeiras letras no Seminário Episcopal, situado no bairro da Luz. E mesmo na escola o gosto pela música teria campo propício para desenvolver-se. Ainda que fosse um menino, seu talento e a desenvoltura como se comportava ao piano e ao órgão, fizeram com que os padres diretores do Seminário o escolhessem para organista da igreja anexa á escola.
[editar] Primeiras aparições em público
Em 5 de abril de 1864 Giraudon organiza um espetáculo no teatrinho do Pátio do Colégio com seus alunos Antônio Ferreira de Morais, o menino prodígio de doze anos Henrique Oswald e a cantora sra. Guillemet.
Oswald tocou ao piano uma valsa de autoria de seu mestre intitulada Le Tourbillon e a peça Tema e variações de Hünten, além de acompanhar Giraudon em outras músicas.
Alguns dias depois, o crítico do Correio Paulistano declarava que "o menino Oswald admirou aos assistentes pela descomunal inteligência e estudo que revelou". E continuava o artigo com outros elogios.
Mais duas vezes o menino Oswald apresentou-se ao publico paulistano. A primeira, em 1865, num recital organizado por Giraudon, com a participação de suas várias alunas e outro jovem discípulo. Homenageou-se os soldados brasileiros que iam lutar na Guerra do Paraguai, iniciada naquele ano. Dois anos depois, voltou ao palco o jovem Henrique para um espetáculo beneficente. Segundo a crítica, foi bastante aplaudido.
Em 1° de abril de 1868 organizou-se nos salões da Sociedade Concórdia um interessante espetáculo lítero-musical. Participaram algumas personalidades que haveriam de ficar na história. Depois de danças, cantos e outros virtuosismos, tocou o acadêmico Brasílio Itiberê da Cunha, compositor de A Sertaneja, música na qual se ouve a canção popular Balaio, meu bem balaio, considerada a primeira manifestação do nacionalismo musical brasileiro. A seguir, surge a figura fulgurante do poeta Castro Alves que, como sempre, empolgou e comoveu a platéia com seus magníficos versos. Mal terminados os aplausos ao inspirado baiano, sentou-se ao piano o jovem Henrique Oswald, já bem mais amadurecido, cujas execuções agradaram à seleta assistência.
No mês de julho do mesmo ano, por sugestão de seu professor que via naquele adolescente um futuro promissor, ou por iniciativa de seus pais, Oswald resolveu continuar os estudos em algum centro onde o ambiente cultural não fosse tão acanhado. Para tanto organizou-se um espetáculo em seu benefício, como auxílio às despesas de viagem. Participou a companhia dramática de Eugênia Câmara e ouviu-se pela última vez em São Paulo o jovem pianista, agora no palco do Teatro São José. Tocou a quatro mãos com Giraudon e, mostrando desenvoltura, executou sozinho composições de Thalberg, Ravina e Ascher, autores que estavam na moda naquela época. A crítica foi-lhe amplamente favorável e, por extenção, também Giraudon recebeu elogios por ter iniciado a formação de tão prodigioso discípulo.
Até o fim do ano, tendo o pai liquidado seus negócios, partiu a família para a Europa.
[editar] Bolsista na Europa
Portanto, em 1868, quando contava com apenas dezesseis anos de idade, tendo recebido do Imperador uma bolsa que lhe permitiu transferir-se para a Italia, pôde estudar por vários anos em Florença, desenvolvendo seu inato talento, ajudado pela influência artística da famosa e bela cidade da Toscana.
Seus primeiros mestres europeus foram G. Buonamici e H. Ketten no piano, Reginaldo Graziani em harmonia e Mazzoni em contraponto, fuga e composição.
A sua peça para piano Il neige (está nevando) ganhou o primeiro prêmio do concurso patrocinado pelo jornal francês Le Figaro em 1902.
Glauco Velásquez
Glauco Velásquez (Nápoles, Itália, 22 de março de 1884 - Rio de Janeiro, Brasil, 1914) foi um compositor de curtíssima mas brilhante aparição no cenário musical brasileiro no início do século XX.
Era filho do barítono português Eduardo Medina Ribas e de Adelina Alambary, de importante família carioca. A gravidez inesperada da mãe obrigou o casal - que não era unido legalmente - a mudar-se para a Europa para dissimular o nascimento da criança e evitar um escândalo.
Na primeira infância, Velasquez foi confiado a uma família italiana, e desde cedo mostrou interesse pela música, cantando no coro de várias igrejas napolitanas. Trazido para o Brasil com 11 anos, foi morar com sua mãe verdadeira, instalada em um refúgio na Ilha de Paquetá, embora sendo apresentado a todos como seu filho adotivo.
Tentou ingressar no Instituto Nacional de Música para aprender violino, mas sem sucesso. Começou a compor em 1902, e finalmente conseguiu ser matriculado no Instituto por interferência de Francisco Braga, amigo da família. Lá estudou harmonia com Frederico Nascimento, de tendência liberal e progressista, e suas obras deste período mostram um emprego de técnicas wagnerianas e outras derivadas da escola de César Franck.
Em 1911 estreou publicamente como compositor, mas nesta altura já se encontrava doente de tuberculose. Diversas personalidades musicais assinaram uma petição - infrutífera - ao Congresso para que fosse enviado à Europa para aperfeiçoar-se musicalmente e também para tentar uma cura.
Foi um dos mais avançados compositores brasileiros da sua geração, com uma obra de caráter revolucionário cuja linguagem, no final de sua curta carreira, se aproximava da de Satie e empregava recursos como a politonalidade e mesmo passagens atonais, e foi um dos que retornaram ao uso do contraponto, então bastante desprezado como arcaísmo, mas fazendo isso de forma moderna.
O mérito de seu trabalho foi reconhecido ainda em vida por Luciano Gallet, Francisco Braga, Xavier Leroux, Darius Milhaud e muitos outros músicos ligados às vanguardas, e o conjunto de sua obra tem sido objeto de um renovado interesse por parte de pesquisadores e executantes contemporâneos. Logo após sua morte foi constituída uma Sociedade Glauco Velásquez para promover a divulgação de seu legado. Ele é também Patrono da Cadeira n. 37 da Academia Brasileira de Música.
Na sua produção se destacam um Quarteto de cordas, a ópera inacabada Soeur Beatrice e o Trio nº 4, que foi completado por Milhaud. Compôs ainda diversas outras peças de câmara, gênero em que conseguiu seus melhores resultados. Na música vocal deixou uma série de canções de cunho fortemente lírico e romântico, explorando variadas atmosferas e muitas vezes chegando a tons pessimistas e mórbidos, mas são interessantes pela sua linguagem harmônica ousada e pela técnica declamatória altamente expressiva, das quais merecem lembrança A fada negra, Romance, Alma minha gentil, Na capela e Mal secreto.
Era filho do barítono português Eduardo Medina Ribas e de Adelina Alambary, de importante família carioca. A gravidez inesperada da mãe obrigou o casal - que não era unido legalmente - a mudar-se para a Europa para dissimular o nascimento da criança e evitar um escândalo.
Na primeira infância, Velasquez foi confiado a uma família italiana, e desde cedo mostrou interesse pela música, cantando no coro de várias igrejas napolitanas. Trazido para o Brasil com 11 anos, foi morar com sua mãe verdadeira, instalada em um refúgio na Ilha de Paquetá, embora sendo apresentado a todos como seu filho adotivo.
Tentou ingressar no Instituto Nacional de Música para aprender violino, mas sem sucesso. Começou a compor em 1902, e finalmente conseguiu ser matriculado no Instituto por interferência de Francisco Braga, amigo da família. Lá estudou harmonia com Frederico Nascimento, de tendência liberal e progressista, e suas obras deste período mostram um emprego de técnicas wagnerianas e outras derivadas da escola de César Franck.
Em 1911 estreou publicamente como compositor, mas nesta altura já se encontrava doente de tuberculose. Diversas personalidades musicais assinaram uma petição - infrutífera - ao Congresso para que fosse enviado à Europa para aperfeiçoar-se musicalmente e também para tentar uma cura.
Foi um dos mais avançados compositores brasileiros da sua geração, com uma obra de caráter revolucionário cuja linguagem, no final de sua curta carreira, se aproximava da de Satie e empregava recursos como a politonalidade e mesmo passagens atonais, e foi um dos que retornaram ao uso do contraponto, então bastante desprezado como arcaísmo, mas fazendo isso de forma moderna.
O mérito de seu trabalho foi reconhecido ainda em vida por Luciano Gallet, Francisco Braga, Xavier Leroux, Darius Milhaud e muitos outros músicos ligados às vanguardas, e o conjunto de sua obra tem sido objeto de um renovado interesse por parte de pesquisadores e executantes contemporâneos. Logo após sua morte foi constituída uma Sociedade Glauco Velásquez para promover a divulgação de seu legado. Ele é também Patrono da Cadeira n. 37 da Academia Brasileira de Música.
Na sua produção se destacam um Quarteto de cordas, a ópera inacabada Soeur Beatrice e o Trio nº 4, que foi completado por Milhaud. Compôs ainda diversas outras peças de câmara, gênero em que conseguiu seus melhores resultados. Na música vocal deixou uma série de canções de cunho fortemente lírico e romântico, explorando variadas atmosferas e muitas vezes chegando a tons pessimistas e mórbidos, mas são interessantes pela sua linguagem harmônica ousada e pela técnica declamatória altamente expressiva, das quais merecem lembrança A fada negra, Romance, Alma minha gentil, Na capela e Mal secreto.
Leopoldo Américo Miquez
Leopoldo Américo Miguez (Niterói, 9 de setembro de 1850 — Rio de Janeiro, 6 de julho de 1902) foi um compositor, violinista e maestro brasileiro.
Aos 32 anos viajou para a Europa por sua conta a fim de aperfeiçoar-se. Regressou ao Brasil convertido ao credo wagneriano e a princípio destacou-se como regente. Era um ativo republicano e é de sua autoria o Hino da Proclamação da República, composto para o concurso realizado pelo governo da época, que não chegou a ser o hino nacional por decisão do marechal Deodoro. Mas o velho Conservatório de Francisco Manuel já há muito necessitava remodelação e, dois meses depois do 15 de Novembro, era criado o Instituto Nacional de Música, sendo Leopoldo Miguez nomeado seu diretor.
Ao comentar a música de Miguez, recordam-se os poemas sinfônicos Parisiana e Prometeu, a ópera Os Saldunes, a Sinfonia em Si bemol e as peças de câmara:Sonata para violino e piano e o Allegro appassionato, para piano solo. Foi um músico competente, excelente organizador, mas faleceu cedo, aos 52 anos apenas. Foi sobretudo o grande continuador de Francisco Manuel da Silva e o renovador do ensino da música no Brasil no início do século XX.
Aos 32 anos viajou para a Europa por sua conta a fim de aperfeiçoar-se. Regressou ao Brasil convertido ao credo wagneriano e a princípio destacou-se como regente. Era um ativo republicano e é de sua autoria o Hino da Proclamação da República, composto para o concurso realizado pelo governo da época, que não chegou a ser o hino nacional por decisão do marechal Deodoro. Mas o velho Conservatório de Francisco Manuel já há muito necessitava remodelação e, dois meses depois do 15 de Novembro, era criado o Instituto Nacional de Música, sendo Leopoldo Miguez nomeado seu diretor.
Ao comentar a música de Miguez, recordam-se os poemas sinfônicos Parisiana e Prometeu, a ópera Os Saldunes, a Sinfonia em Si bemol e as peças de câmara:Sonata para violino e piano e o Allegro appassionato, para piano solo. Foi um músico competente, excelente organizador, mas faleceu cedo, aos 52 anos apenas. Foi sobretudo o grande continuador de Francisco Manuel da Silva e o renovador do ensino da música no Brasil no início do século XX.
Alexandre Levy
Alexandre Levy (São Paulo, 10 de novembro de 1864 --- São Paulo, 17 de janeiro de 1892) foi um compositor, regente, pianista e crítico musical brasileiro.
Era filho de Henrique Luiz Levy, e irmão de Luiz Levy, ambos músicos, de quem recebeu sua primeira instrução. Aperfeiçoou seus estudos de piano com o professor russo Louis Maurice e com o francês Gabriel Giraudon, este, anteriomente mestre de outro gênio residente em São Paulo que foi Henrique Oswald.
Estreou em apresentações públicas aos oito anos de idade e foi comparado a Mozart por sua precocidade e brilhantismo.
Seu pai, fundara a Casa Levy, um dos mais tradicionais estabelecimentos comerciais de música em São Paulo em sua época, o que possibilitou que entrasse em contato com muitas figuras importantes na cena musical paulista e músicos viajantes.
A partir de 1880 começou a publicar composições próprias através de editoras européias, e em 1883 foi eleito diretor do Clube Haydn, importante associação musical da cidade que ajudou a fundar e onde regeu pela primeira vez em 1885. Dois anos depois viajou para a Europa para estudar com Émile Durand e Vincenzo Ferroni, retornando logo ao Brasil, quando começou a exercer a crítica musical na imprensa paulista, escrevendo nos jornais Província de São Paulo e Correio Paulistano sob o pseudónimo de Figarote.
Em sua obra de composição foi um nacionalista, utilizando temas do folclore brasileiro, área em que foi o precursor dentro do universo da música erudita nacional com as Variações sobre sobre um tema popular brasileiro, de 1884, baseada na melodia Vem cá, Bitu!. Seu estilo deriva das escolas de Schumann e Mendelssohn. É patrono da cadeira 29 da Academia Brasileira de Música.
Era filho de Henrique Luiz Levy, e irmão de Luiz Levy, ambos músicos, de quem recebeu sua primeira instrução. Aperfeiçoou seus estudos de piano com o professor russo Louis Maurice e com o francês Gabriel Giraudon, este, anteriomente mestre de outro gênio residente em São Paulo que foi Henrique Oswald.
Estreou em apresentações públicas aos oito anos de idade e foi comparado a Mozart por sua precocidade e brilhantismo.
Seu pai, fundara a Casa Levy, um dos mais tradicionais estabelecimentos comerciais de música em São Paulo em sua época, o que possibilitou que entrasse em contato com muitas figuras importantes na cena musical paulista e músicos viajantes.
A partir de 1880 começou a publicar composições próprias através de editoras européias, e em 1883 foi eleito diretor do Clube Haydn, importante associação musical da cidade que ajudou a fundar e onde regeu pela primeira vez em 1885. Dois anos depois viajou para a Europa para estudar com Émile Durand e Vincenzo Ferroni, retornando logo ao Brasil, quando começou a exercer a crítica musical na imprensa paulista, escrevendo nos jornais Província de São Paulo e Correio Paulistano sob o pseudónimo de Figarote.
Em sua obra de composição foi um nacionalista, utilizando temas do folclore brasileiro, área em que foi o precursor dentro do universo da música erudita nacional com as Variações sobre sobre um tema popular brasileiro, de 1884, baseada na melodia Vem cá, Bitu!. Seu estilo deriva das escolas de Schumann e Mendelssohn. É patrono da cadeira 29 da Academia Brasileira de Música.
Elias Álvares Lobo
Elias Álvares Lobo (Itu, 9 de agosto de 1834 — São Paulo, 15 de dezembro de 1901) foi um professor, regente e compositor erudito brasileiro.
Filho do Alferes José Manoel Lobo (dos Lobo de Albertim de Pernambuco) e da sua segunda mulher d. d. Tereza Xavier de Jesus.
Foi autor da ópera A Noite de São João, a primeira ópera escrita e estreada no Brasil. Foi também autor de numerosas peças sacras e música de câmara, e também professor de música, havendo lecionado nas cidades de São Paulo, Itatiba e Campinas.
Muitos de seus trabalhos musicais foram perdidos e alguns deles foram restaurados apenas recentemente, sendo que algumas peças como o Oratório de Nossa Senhora da Conceição, restaurada pelo maestro Marcos Júlio Sergl, tiveram a primeira execução pública apenas em 2004.
Foi casado com d. Isabel de Arruda, com geração.
Filho do Alferes José Manoel Lobo (dos Lobo de Albertim de Pernambuco) e da sua segunda mulher d. d. Tereza Xavier de Jesus.
Foi autor da ópera A Noite de São João, a primeira ópera escrita e estreada no Brasil. Foi também autor de numerosas peças sacras e música de câmara, e também professor de música, havendo lecionado nas cidades de São Paulo, Itatiba e Campinas.
Muitos de seus trabalhos musicais foram perdidos e alguns deles foram restaurados apenas recentemente, sendo que algumas peças como o Oratório de Nossa Senhora da Conceição, restaurada pelo maestro Marcos Júlio Sergl, tiveram a primeira execução pública apenas em 2004.
Foi casado com d. Isabel de Arruda, com geração.
Antônio Carlos Gomes
Antônio Carlos Gomes (Campinas, 11 de julho de 1836 — Belém do Pará, 16 de setembro de 1896) foi o mais importante compositor de ópera brasileiro. Destacou-se pelo estilo romântico, com o qual obteve carreira de destaque na Europa. Foi o primeiro compositor brasileiro a ter suas obras apresentadas no Teatro alla Scala[1][2]. É o autor da ópera O Guarani.
Carlos Gomes nasceu em Campinas e ficou conhecido por Nhô Tonico[1]., nome com que assinava, até, suas dedicatórias. Nasceu numa segunda-feira numa humilde casa da Rua da Matriz Nova[3], na "cidade das andorinhas". Foram seus pais Manuel José Gomes (Maneco Músico) e dona Fabiana Jaguari Gomes [4].
A vida de Antônio Carlos Gomes foi, sempre, marcada pela dor. Muito criança ainda, perdeu a mãe, tragicamente, assassinada aos vinte e oito anos[5]. Seu pai vivia em dificuldades, com diversos filhos para sustentar. Com eles, formou uma banda musical, onde Carlos Gomes iniciou seus passos artísticos. Desde cedo, revelou seus pendores musicais, incentivado pelo pai e depois por seu irmão, José Pedro de Sant'Ana Gomes, fiel companheiro das horas amargas.[5]
É na banda do pai ,que mais tarde Carlos Gomes viria a substituir[6], que ele vai fazer, em conjunto com seus irmãos, as primeiras apresentações em bailes em concertos. Nessa época, Antônio Carlos Gomes alternava o tempo entre o trabalho numa alfaiataria costurando calças e paletós, e o aperfeiçoamento dos seus estudos musicais.
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Compositores
Lista de compositores
Períodos
Idade Média - Renascença
Barroco - Classicismo - Romantismo
Modernismo - Vanguardismo
Gêneros musicais
Sinfonia - Concerto - Sonata - Ópera
Oratório - Balé - Música sacra
Cantata - Canção - Suíte - Madrigal
Formas musicais
Abertura - Balada - Estudo
Forma-sonata - Fuga - Rondó
Variação - Chacona - Scherzo
Instrumentos
Cordas - Sopro - Percussão
Teclados - Vocal
Interpretação
Orquestras e Conjuntos Sinfônicos
Companhias de ópera - Maestro
Músicos - Canto
Ver Também
Portal da Música Erudita
Aos quinze anos de idade, compõe valsas, quadrilhas e polcas. Aos dezoito anos, em 1854, compõe a primeira Missa, Missa de São Sebastião[1], dedicada ao pai e repleta de misticismo. Na execução cantou alguns solos. A emoção que lhe embargava a voz comoveu a todos os presentes, especialmente ao irmão mais velho, que lhe previa os triunfos. Em 1857, compõe a modinha Suspiro d'Alma com versos do poeta romântico português Almeida Garrett[1].
Ao completar 23 anos, já apresentara vários concertos, com o pai. Moço ainda, lecionava piano e canto, dedicando-se, sempre, com afinco, ao estudo das óperas, demonstrando preferência por Giuseppe Verdi[7]. Era conhecido também em São Paulo, onde realizava, freqüentemente, concertos, e onde compôs o Hino Acadêmico[1], ainda hoje cantado pela mocidade da Faculdade de Direito. Aqui, recebeu os mais amplos estímulos e todos, sem discrepância, apontavam-lhe o rumo da Corte, em cujo conservatório poderia aperfeiçoar-se. Todavia, Carlos Gomes não podia viajar porque não tinha recursos.
Em 4 de setembro de 1861, foi cantada, no Teatro da Ópera Nacional, A Noite do Castelo[4], o primeiro trabalho de fôlego de Antônio Carlos Gomes, baseado na obra de Antônio Feliciano de Castilho. Constituiu uma grande revelação e um êxito sem precedentes, nos meios musicais do País. Carlos Gomes foi levado para casa em triunfo por uma entusiástica multidão, que o aclamava sem cessar. O Imperador, também entusiasmado com o sucesso do jovem compositor, agraciou-o com a Imperial Ordem da Rosa.[6]
Carlos Gomes conquistou logo a Corte. Tornou-se uma figura querida e popular. Seus cabelos compridos eram motivo de comentários, e até ele ria das piadas. Certa vez, viu um anúncio, que fora emendado: de "Tônico para cabelos", fizeram "Tonico, apara os cabelos!". Virou-se para seu inseparável amigo Salvador de Mendonça e disse, sorrindo: - Será comigo? Francisco Manuel costumava dizer, a respeito do jovem musicista: "O que ele é, só a Deus e a si o deve!"
A saudade de sua querida Campinas e de seu velho pai atormentava-lhe o coração. Pensando também na sua amada Ambrosina, com quem namorava, moça da família Correia do Lago, Carlos Gomes escreveu essa jóia que se chama Quem sabe?, de uma poesia de Bittencourt Sampaio, cujos versos "Tão longe, de mim distante... " ainda são cantados pela nossa geração.
Dois anos depois desse memorável triunfo, Carlos Gomes apresenta sua segunda ópera, Joana de Flandres, com libreto de Salvador de Mendonça, levada à cena em 15 de setembro de 1863[4].
Como corolário do êxito, na Congregação da Academia Imperial de Belas Artes, foi lido um ofício do diretor do Conservatório de Música, comunicando ter sido escolhido o aluno Antônio Carlos Gomes para ir à Europa, às expensas da Empresa de Ópera Lírica Nacional, conforme contrato com o Governo Imperial. Estava, assim, concretizada a velha aspiração do moço campineiro, que, mesmo comovido, ao ir agradecer ao Imperador a magnanimidade, ainda se lembrou do seu velho pai e solicitou para este o lugar de mestre da Capela Imperial. Dom Pedro II, enternecido ante aquele gesto de amor filial, acedeu.
[editar] Europa
O Imperador preferia que Carlos Gomes fosse para a Alemanha, onde pontificava o grande Wagner, mas a Imperatriz, Dona Teresa Cristina, napolitana, sugeriu-lhe a Itália.
A 8 de novembro de 1863[8] , o estudante partiu, a bordo do navio inglês Paraná, entre calorosos aplausos dos amigos e admiradores, que se comprimiam no cais. Levava consigo recomendações de Dom Pedro II para o Rei Fernando, de Portugal, pedindo que apresentasse Carlos Gomes ao diretor do Conservatório de Milão, Lauro Rossi. O jovem compositor passou por Paris, onde assistiu a alguns espetáculos líricos, mas seguiu logo para Milão.
Lauro Rossi, encantado com o talento do jovem aluno, passou a protegê-lo e a recomendá-lo aos amigos. Em 1866, Carlos Gomes recebia o diploma de mestre e compositor e os maiores elogios de todos os críticos e professores[4]. A partir dessa data, passou a compor. Sua primeira peça musicada foi Se sa minga, em dialeto milanês, com libreto de Antonio Scalvini, estreada, em 1 de janeiro de 1867, no Teatro Fossetti. Um ano depois, surgia Nella Luna, com libreto do mesmo autor, levada à cena no Teatro Carcano.
Carlos Gomes já gozava de merecido renome na cidade de Milão, grande centro artístico, mas continuava saudoso da pátria e procurava um argumento que o projetasse definitivamente. Certa tarde, em 1867, passeando pela Praça do Duomo, ouviu um garoto apregoando: "Il Guarany! Il Guarany! Storia interessante dei selvaggi del Brasile!" Tratava-se de uma péssima tradução do romance de José de Alencar, mas aquilo interessou de súbito o maestro, que comprou o folheto e procurou logo Scalvini, que também se impressionou pela originalidade da história. E, assim, surgiu O Guarani, que apesar de não ser a sua maior nem a melhor obra, foi aquela que o imortalizou. A noite de estréia da nova ópera foi 19 de março de 1870.[9]
Não há quem não conheça os maravilhosos acordes de sua estupenda abertura. A ópera ganhou logo enorme projeção, pois se tratava de música agradável, com sabor bem brasileiro, onde os índios tinham papel de primeiro plano. Foi representada em toda a Europa e na América do Norte.
O grande Verdi, já glorioso e consagrado, teria dito de Carlos Gomes, nessa noite memorável: "Questo giovane comincia dove finisco io!" ("Este jovem começa de onde eu termino!").
E, na noite de 2 de dezembro de 1870, aniversário do Imperador D. Pedro II, em grande gala, foi estreada a ópera no Teatro Lírico Provisório, no Rio de Janeiro. Os principais trechos foram cantados por amadores da Sociedade Filarmônica. O maestro viveu horas de intensa consagração e emoção. Depois, O Guarani foi levado à cena nos dias 3 e 7 de dezembro, sendo que, nesta última noite, em benefício do autor. Nesta data, o maestro ficou conhecendo André Rebouças. Após o espetáculo, houve uma alegre marche au flambeaux, com música, até ao Largo da Carioca, onde estava hospedado Carlos Gomes, em casa de seu amigo Júlio de Freitas. Por intermédio de André Rebouças, o compositor foi apresentado ao ministro do Império, João Alfredo Correia de Oliveira, em sua casa, nas Laranjeiras. Em 1871, a 1º de janeiro, Carlos Gomes vai a Campinas, visitar seu irmão e protetor José Pedro Santana Gomes. Em 18 de fevereiro, com André Rebouças, despede-se do Imperador, em São Cristóvão. E, no dia 23, segue para a Europa novamente.
[editar] Outras óperas, outros triunfos
Na Itália, Carlos Gomes casou-se com Adelina Péri[1], que devotou toda sua vida ao maestro. Desse consórcio, nasceram cinco filhos[5], muito amados pelo compositor. Todavia, um a um foram morrendo em tenra idade, tendo restado somente Ítala Gomes Vaz de Carvalho, que escreveu um livro, em que honrou a memória do seu glorioso pai. Na península, Carlos Gomes escreveu, a seguir, Fosca, considerada por ele sua melhor obra, Salvador Rosa e Maria Tudor.
Em 1866, recebeu Carlos Gomes, de novo no Brasil, uma justa consagração na Bahia, onde, a pedido do grande pianista português, Artur Napoleão, compôs o Hino a Camões, para o Quarto Centenário Camoniano, executado simultaneamente ali e na Corte, com grande sucesso.
Carlos Gomes, porém, não mais perseguia somente a glória. Abalado por seguidos e profundos desgostos, doente, desiludido, procurava uma situação que lhe permitisse viver em sua pátria e ser-lhe útil. Seu estado, contudo, era mais grave do que supunha.
De volta à Itália, compôs a grande ópera Lo Schiavo, que entretanto, por vários motivos, não pôde ser representada ali. Foi levada à cena, pela primeira vez, em 27 de setembro de 1887, no Rio de Janeiro, em homenagem à Princesa Isabel, a Redentora, com esplêndido sucesso.
[editar] Os últimos anos
O Teatro alla Scala de Milão
Em 3 de fevereiro, outra vez na Itália, Carlos Gomes estréia, no Scala de Milão, a ópera Condor, com grande êxito, pois, nessa peça, apresentara uma nova forma, muito mais próxima do recitativo moderno.
O mal que o levaria ao túmulo, nessa época, fazia-o sofrer dolorosamente. Todavia, as desilusões, as decepções, a ingratidão de seus compatriotas e as dores físicas ainda não lhe haviam quebrado a resistência. Ainda estava à espera de sua nomeação para o cargo de diretor do Conservatório de Música, no Brasil. Nesse tempo, infelizmente, foi proclamada a República, e seu grande amigo e protetor, Dom Pedro II, é exilado, com grande mágoa de Carlos Gomes. Compôs, ainda, Colomboem 1892[4], poema sinfônico que, incompreendido pelo grande público, não obteve êxito.
Finalmente, após tanto sofrimento, chegou-lhe um convite. Lauro Sodré, então presidente do Pará, pediu-lhe para organizar e dirigir o Conservatório daquele Estado. Carlos Gomes volta para a Itália, a fim de pôr em ordem suas coisas, despedir-se dos filhos e reunir elementos para uma obra grandiosa que, apesar de seu estado, sempre mais grave, ainda conseguiu realizar. Amigos aconselharam-no a fazer uma estação em Salso Maggiore, mas ele desejava partir, quanto antes, para sua pátria. Chegou a Lisboa, por estrada de ferro, e recebeu comovedora homenagem. A 8 de abril de 1895, nessa mesma cidade, sofre a primeira intervenção cirúrgica na língua, sem resultados animadores. Embarca, no vapor Óbidos, para o Brasil. De passagem por Funchal, tem o prazer de reabraçar seu velho amigo André Rebouças, ali exilado.
Em 14 de maio, foi recebido pelo povo paraense com enternecedoras manifestações de apreço. No entanto os últimos dias de Carlos Gomes em Belém foram de grande sofrimento. Seu mal era muito grave, e os esforços médicos não conseguiam diminuir as dores.Uma única vez ele saiu de casa, quando foi ao Conservatório de Música, que não chegou a dirigir. No dia 11 de julho, data de seu aniversário, as homenagens tributadas ao compositor davam a medida da afetividade que inspirava. Em vários pontos da cidade ouviam-se os acordes da protofonia de O Guarani, e os jornais alimentavam a dor pública com o relatório constante do agravamento do estado geral do compositor. Estava montado o cenário onde aconteceria a representação final do pathos do artista genial, do brasileiro ilustre, do consagrado testa di leone (cabeça de leão, devido à farta cabeleira), como algumas publicações italianas o chamavam. Cercado por autoridades e amigos, com o governador Lauro Sodré à cabeceira, Carlos Gomes morreu às 22 horas e 20 minutos de 16 de setembro de 1896[1]. Seu corpo foi embalsamado, fotografado e, em seguida, exposto à visitação pública, cercado de flores e objetos como partituras e instrumentos, bem de acordo com a idealizada "morte bela" do Romantismo. Descrevendo os cenários da morte, os jornais tratavam com solenidade o acontecimento, destacando o repouso, o sono intérmino, o triunfo silente do grande artista. Diziam os jornais, o maestro não morrera; antes, cruzara os umbrais da Fama!
Dois dias depois do falecimento, o corpo do maestro foi transferido para o Conservatório de Música. O cortejo varou a noite de Belém. Desatrelado das parelhas de animais, o carro funerário era conduzido pelo povo, numa insólita romaria colonial anunciada pelos acordes de O Guarani e iluminado pelas velas e archotes levados no préstito ou dispostos nas varandas das casas. De 18 a 20 de setembro de 1896, o corpo ficou exposto em câmara ardente nos salões do Conservatório de Música, que se transformou em santuário cívico e espaço para as representações do afeto coletivo pelo compositor, como registram as imagens de época. Em seguida, foi levado para o Cemitério da Soledade, um misto de panteão e cemitério-jardim, onde estavam sepultados heróis da guerra do Paraguai, como o general Henrique Gurjão, acompanhado por aproximadamente 70 mil pessoas, que levavam andores, quadros, alegorias e guirlandas. Numa Belém cujos círculos letrados eram fortemente influenciados pelo positivismo, o cortejo fúnebre tornou-se uma verdadeira procissão cívica, em grande parte por iniciativa também do governo do Pará, que instrumentalizou a morte de Carlos Gomes.
O maestro porém, não foi sepultado em Belém. A pedido do presidente do Estado de São Paulo, Campos Sales, o compositor foi levado para lá, com honras e transporte militares, a bordo do vapor Itaipu. Antes, na setecentista Catedral da Sé no Pará, foi celebrada uma missa de réquiem entoando-se uma Elegia a Carlos Gomes. Seu ataúde dominava o centro de um monumento funerário de quatorze metros de altura, em um catafalco encomendado por Lauro Sodré. O culto aos grandes homens dava forma à religião cívica do positivismo e exaltava os nomes reconhecidos pela Humanidade. Ao final das cerimônias litúrgicas e ao deixar o porto de Belém rumo a Santos, o Itaipu não transportava apenas os restos de Carlos Gomes. Também conduzia o corpo de um mito que alimentara a imaginação de um Brasil singular até mesmo em suas representações.
Diante de seu estado, pouco antes de morrer o governo de São Paulo autorizou uma pensão mensal de dois contos de réis, enquanto ele vivesse e, por sua morte, de quinhentos mil réis, aos seus filhos, até completarem a idade de 25 anos. Nessa ocasião, existiam somente dois filhos do glorioso maestro.
Dias antes de sua morte, Carlos Gomes diria, fatalista: "Qual, o mano Juca não chega... eu sou mesmo o mais caipora dos caipiras..."
Os gloriosos despojos do maestro, se encontram hoje no magnífico monumento-túmulo, em Campinas, sua terra natal, na Praça Antônio Pompeu. A duas quadras dali está o Museu Carlos Gomes, que reúne objetos e partituras do compositor.
Em 1936, em todo o País, foi comemorado o centenário de seu nascimento, com grandes solenidades.
[editar] Epílogo
Carlos Gomes faz jus também ao nosso reconhecimento pelo seu grande espírito de brasilidade, que sempre conservou, mesmo no estrangeiro. Quando da estréia O Guarani, em Milão, o famoso tenor italiano Villani, escolhido para o papel de Peri, criou um problema: ele usava barbas, e recusava-se a raspá-las. Carlos Gomes protestou: "Onde se vira índio brasileiro barbado?" mas, afinal, tudo se acomodou. O tenor era um dos grandes cartazes da época e não podia ser dispensado. Assim, acabou cantando, após disfarçar os pelos, com pomadas e outros ingredientes. A procura de instrumentos indígenas foi outro tormento para o maestro. Em certos trechos de música bárbara e nativa, eram necessários borés, tembis, maracás ou inúbias. Andou por toda a Itália, mas não os encontrou, e foi preciso mandar fazê-los, sob sua direção, numa afamada fábrica de órgãos, em Bérgamo.
[editar] Representações na cultura
* Carlos Gomes já foi retratado como personagem na televisão, interpretado por Paulo Betti na minissérie "Chiquinha Gonzaga" (1999)[10]. Também teve sua efígie impressa nas notas de Cr$ 5.000,00 (cinco mil cruzeiros) de 1990[11] e em moedas de trezentos réis que foram emitidas em 1936 e 1937.[12]
* O livro Carlos Gomes -Documentos Comentados (2007) de Marcus Góes, da Algol Editora traz documentos históricos de Carlos Gomes e cartas.[13]
* Livro Homenagem a memoria de Carlos Gomes, organizado pela " Academia de Amadores da Música" de Lisboa, pela Editora Cia Nacional em 1897.
Carlos Gomes nasceu em Campinas e ficou conhecido por Nhô Tonico[1]., nome com que assinava, até, suas dedicatórias. Nasceu numa segunda-feira numa humilde casa da Rua da Matriz Nova[3], na "cidade das andorinhas". Foram seus pais Manuel José Gomes (Maneco Músico) e dona Fabiana Jaguari Gomes [4].
A vida de Antônio Carlos Gomes foi, sempre, marcada pela dor. Muito criança ainda, perdeu a mãe, tragicamente, assassinada aos vinte e oito anos[5]. Seu pai vivia em dificuldades, com diversos filhos para sustentar. Com eles, formou uma banda musical, onde Carlos Gomes iniciou seus passos artísticos. Desde cedo, revelou seus pendores musicais, incentivado pelo pai e depois por seu irmão, José Pedro de Sant'Ana Gomes, fiel companheiro das horas amargas.[5]
É na banda do pai ,que mais tarde Carlos Gomes viria a substituir[6], que ele vai fazer, em conjunto com seus irmãos, as primeiras apresentações em bailes em concertos. Nessa época, Antônio Carlos Gomes alternava o tempo entre o trabalho numa alfaiataria costurando calças e paletós, e o aperfeiçoamento dos seus estudos musicais.
Musiclass.jpg
Compositores
Lista de compositores
Períodos
Idade Média - Renascença
Barroco - Classicismo - Romantismo
Modernismo - Vanguardismo
Gêneros musicais
Sinfonia - Concerto - Sonata - Ópera
Oratório - Balé - Música sacra
Cantata - Canção - Suíte - Madrigal
Formas musicais
Abertura - Balada - Estudo
Forma-sonata - Fuga - Rondó
Variação - Chacona - Scherzo
Instrumentos
Cordas - Sopro - Percussão
Teclados - Vocal
Interpretação
Orquestras e Conjuntos Sinfônicos
Companhias de ópera - Maestro
Músicos - Canto
Ver Também
Portal da Música Erudita
Aos quinze anos de idade, compõe valsas, quadrilhas e polcas. Aos dezoito anos, em 1854, compõe a primeira Missa, Missa de São Sebastião[1], dedicada ao pai e repleta de misticismo. Na execução cantou alguns solos. A emoção que lhe embargava a voz comoveu a todos os presentes, especialmente ao irmão mais velho, que lhe previa os triunfos. Em 1857, compõe a modinha Suspiro d'Alma com versos do poeta romântico português Almeida Garrett[1].
Ao completar 23 anos, já apresentara vários concertos, com o pai. Moço ainda, lecionava piano e canto, dedicando-se, sempre, com afinco, ao estudo das óperas, demonstrando preferência por Giuseppe Verdi[7]. Era conhecido também em São Paulo, onde realizava, freqüentemente, concertos, e onde compôs o Hino Acadêmico[1], ainda hoje cantado pela mocidade da Faculdade de Direito. Aqui, recebeu os mais amplos estímulos e todos, sem discrepância, apontavam-lhe o rumo da Corte, em cujo conservatório poderia aperfeiçoar-se. Todavia, Carlos Gomes não podia viajar porque não tinha recursos.
Em 4 de setembro de 1861, foi cantada, no Teatro da Ópera Nacional, A Noite do Castelo[4], o primeiro trabalho de fôlego de Antônio Carlos Gomes, baseado na obra de Antônio Feliciano de Castilho. Constituiu uma grande revelação e um êxito sem precedentes, nos meios musicais do País. Carlos Gomes foi levado para casa em triunfo por uma entusiástica multidão, que o aclamava sem cessar. O Imperador, também entusiasmado com o sucesso do jovem compositor, agraciou-o com a Imperial Ordem da Rosa.[6]
Carlos Gomes conquistou logo a Corte. Tornou-se uma figura querida e popular. Seus cabelos compridos eram motivo de comentários, e até ele ria das piadas. Certa vez, viu um anúncio, que fora emendado: de "Tônico para cabelos", fizeram "Tonico, apara os cabelos!". Virou-se para seu inseparável amigo Salvador de Mendonça e disse, sorrindo: - Será comigo? Francisco Manuel costumava dizer, a respeito do jovem musicista: "O que ele é, só a Deus e a si o deve!"
A saudade de sua querida Campinas e de seu velho pai atormentava-lhe o coração. Pensando também na sua amada Ambrosina, com quem namorava, moça da família Correia do Lago, Carlos Gomes escreveu essa jóia que se chama Quem sabe?, de uma poesia de Bittencourt Sampaio, cujos versos "Tão longe, de mim distante... " ainda são cantados pela nossa geração.
Dois anos depois desse memorável triunfo, Carlos Gomes apresenta sua segunda ópera, Joana de Flandres, com libreto de Salvador de Mendonça, levada à cena em 15 de setembro de 1863[4].
Como corolário do êxito, na Congregação da Academia Imperial de Belas Artes, foi lido um ofício do diretor do Conservatório de Música, comunicando ter sido escolhido o aluno Antônio Carlos Gomes para ir à Europa, às expensas da Empresa de Ópera Lírica Nacional, conforme contrato com o Governo Imperial. Estava, assim, concretizada a velha aspiração do moço campineiro, que, mesmo comovido, ao ir agradecer ao Imperador a magnanimidade, ainda se lembrou do seu velho pai e solicitou para este o lugar de mestre da Capela Imperial. Dom Pedro II, enternecido ante aquele gesto de amor filial, acedeu.
[editar] Europa
O Imperador preferia que Carlos Gomes fosse para a Alemanha, onde pontificava o grande Wagner, mas a Imperatriz, Dona Teresa Cristina, napolitana, sugeriu-lhe a Itália.
A 8 de novembro de 1863[8] , o estudante partiu, a bordo do navio inglês Paraná, entre calorosos aplausos dos amigos e admiradores, que se comprimiam no cais. Levava consigo recomendações de Dom Pedro II para o Rei Fernando, de Portugal, pedindo que apresentasse Carlos Gomes ao diretor do Conservatório de Milão, Lauro Rossi. O jovem compositor passou por Paris, onde assistiu a alguns espetáculos líricos, mas seguiu logo para Milão.
Lauro Rossi, encantado com o talento do jovem aluno, passou a protegê-lo e a recomendá-lo aos amigos. Em 1866, Carlos Gomes recebia o diploma de mestre e compositor e os maiores elogios de todos os críticos e professores[4]. A partir dessa data, passou a compor. Sua primeira peça musicada foi Se sa minga, em dialeto milanês, com libreto de Antonio Scalvini, estreada, em 1 de janeiro de 1867, no Teatro Fossetti. Um ano depois, surgia Nella Luna, com libreto do mesmo autor, levada à cena no Teatro Carcano.
Carlos Gomes já gozava de merecido renome na cidade de Milão, grande centro artístico, mas continuava saudoso da pátria e procurava um argumento que o projetasse definitivamente. Certa tarde, em 1867, passeando pela Praça do Duomo, ouviu um garoto apregoando: "Il Guarany! Il Guarany! Storia interessante dei selvaggi del Brasile!" Tratava-se de uma péssima tradução do romance de José de Alencar, mas aquilo interessou de súbito o maestro, que comprou o folheto e procurou logo Scalvini, que também se impressionou pela originalidade da história. E, assim, surgiu O Guarani, que apesar de não ser a sua maior nem a melhor obra, foi aquela que o imortalizou. A noite de estréia da nova ópera foi 19 de março de 1870.[9]
Não há quem não conheça os maravilhosos acordes de sua estupenda abertura. A ópera ganhou logo enorme projeção, pois se tratava de música agradável, com sabor bem brasileiro, onde os índios tinham papel de primeiro plano. Foi representada em toda a Europa e na América do Norte.
O grande Verdi, já glorioso e consagrado, teria dito de Carlos Gomes, nessa noite memorável: "Questo giovane comincia dove finisco io!" ("Este jovem começa de onde eu termino!").
E, na noite de 2 de dezembro de 1870, aniversário do Imperador D. Pedro II, em grande gala, foi estreada a ópera no Teatro Lírico Provisório, no Rio de Janeiro. Os principais trechos foram cantados por amadores da Sociedade Filarmônica. O maestro viveu horas de intensa consagração e emoção. Depois, O Guarani foi levado à cena nos dias 3 e 7 de dezembro, sendo que, nesta última noite, em benefício do autor. Nesta data, o maestro ficou conhecendo André Rebouças. Após o espetáculo, houve uma alegre marche au flambeaux, com música, até ao Largo da Carioca, onde estava hospedado Carlos Gomes, em casa de seu amigo Júlio de Freitas. Por intermédio de André Rebouças, o compositor foi apresentado ao ministro do Império, João Alfredo Correia de Oliveira, em sua casa, nas Laranjeiras. Em 1871, a 1º de janeiro, Carlos Gomes vai a Campinas, visitar seu irmão e protetor José Pedro Santana Gomes. Em 18 de fevereiro, com André Rebouças, despede-se do Imperador, em São Cristóvão. E, no dia 23, segue para a Europa novamente.
[editar] Outras óperas, outros triunfos
Na Itália, Carlos Gomes casou-se com Adelina Péri[1], que devotou toda sua vida ao maestro. Desse consórcio, nasceram cinco filhos[5], muito amados pelo compositor. Todavia, um a um foram morrendo em tenra idade, tendo restado somente Ítala Gomes Vaz de Carvalho, que escreveu um livro, em que honrou a memória do seu glorioso pai. Na península, Carlos Gomes escreveu, a seguir, Fosca, considerada por ele sua melhor obra, Salvador Rosa e Maria Tudor.
Em 1866, recebeu Carlos Gomes, de novo no Brasil, uma justa consagração na Bahia, onde, a pedido do grande pianista português, Artur Napoleão, compôs o Hino a Camões, para o Quarto Centenário Camoniano, executado simultaneamente ali e na Corte, com grande sucesso.
Carlos Gomes, porém, não mais perseguia somente a glória. Abalado por seguidos e profundos desgostos, doente, desiludido, procurava uma situação que lhe permitisse viver em sua pátria e ser-lhe útil. Seu estado, contudo, era mais grave do que supunha.
De volta à Itália, compôs a grande ópera Lo Schiavo, que entretanto, por vários motivos, não pôde ser representada ali. Foi levada à cena, pela primeira vez, em 27 de setembro de 1887, no Rio de Janeiro, em homenagem à Princesa Isabel, a Redentora, com esplêndido sucesso.
[editar] Os últimos anos
O Teatro alla Scala de Milão
Em 3 de fevereiro, outra vez na Itália, Carlos Gomes estréia, no Scala de Milão, a ópera Condor, com grande êxito, pois, nessa peça, apresentara uma nova forma, muito mais próxima do recitativo moderno.
O mal que o levaria ao túmulo, nessa época, fazia-o sofrer dolorosamente. Todavia, as desilusões, as decepções, a ingratidão de seus compatriotas e as dores físicas ainda não lhe haviam quebrado a resistência. Ainda estava à espera de sua nomeação para o cargo de diretor do Conservatório de Música, no Brasil. Nesse tempo, infelizmente, foi proclamada a República, e seu grande amigo e protetor, Dom Pedro II, é exilado, com grande mágoa de Carlos Gomes. Compôs, ainda, Colomboem 1892[4], poema sinfônico que, incompreendido pelo grande público, não obteve êxito.
Finalmente, após tanto sofrimento, chegou-lhe um convite. Lauro Sodré, então presidente do Pará, pediu-lhe para organizar e dirigir o Conservatório daquele Estado. Carlos Gomes volta para a Itália, a fim de pôr em ordem suas coisas, despedir-se dos filhos e reunir elementos para uma obra grandiosa que, apesar de seu estado, sempre mais grave, ainda conseguiu realizar. Amigos aconselharam-no a fazer uma estação em Salso Maggiore, mas ele desejava partir, quanto antes, para sua pátria. Chegou a Lisboa, por estrada de ferro, e recebeu comovedora homenagem. A 8 de abril de 1895, nessa mesma cidade, sofre a primeira intervenção cirúrgica na língua, sem resultados animadores. Embarca, no vapor Óbidos, para o Brasil. De passagem por Funchal, tem o prazer de reabraçar seu velho amigo André Rebouças, ali exilado.
Em 14 de maio, foi recebido pelo povo paraense com enternecedoras manifestações de apreço. No entanto os últimos dias de Carlos Gomes em Belém foram de grande sofrimento. Seu mal era muito grave, e os esforços médicos não conseguiam diminuir as dores.Uma única vez ele saiu de casa, quando foi ao Conservatório de Música, que não chegou a dirigir. No dia 11 de julho, data de seu aniversário, as homenagens tributadas ao compositor davam a medida da afetividade que inspirava. Em vários pontos da cidade ouviam-se os acordes da protofonia de O Guarani, e os jornais alimentavam a dor pública com o relatório constante do agravamento do estado geral do compositor. Estava montado o cenário onde aconteceria a representação final do pathos do artista genial, do brasileiro ilustre, do consagrado testa di leone (cabeça de leão, devido à farta cabeleira), como algumas publicações italianas o chamavam. Cercado por autoridades e amigos, com o governador Lauro Sodré à cabeceira, Carlos Gomes morreu às 22 horas e 20 minutos de 16 de setembro de 1896[1]. Seu corpo foi embalsamado, fotografado e, em seguida, exposto à visitação pública, cercado de flores e objetos como partituras e instrumentos, bem de acordo com a idealizada "morte bela" do Romantismo. Descrevendo os cenários da morte, os jornais tratavam com solenidade o acontecimento, destacando o repouso, o sono intérmino, o triunfo silente do grande artista. Diziam os jornais, o maestro não morrera; antes, cruzara os umbrais da Fama!
Dois dias depois do falecimento, o corpo do maestro foi transferido para o Conservatório de Música. O cortejo varou a noite de Belém. Desatrelado das parelhas de animais, o carro funerário era conduzido pelo povo, numa insólita romaria colonial anunciada pelos acordes de O Guarani e iluminado pelas velas e archotes levados no préstito ou dispostos nas varandas das casas. De 18 a 20 de setembro de 1896, o corpo ficou exposto em câmara ardente nos salões do Conservatório de Música, que se transformou em santuário cívico e espaço para as representações do afeto coletivo pelo compositor, como registram as imagens de época. Em seguida, foi levado para o Cemitério da Soledade, um misto de panteão e cemitério-jardim, onde estavam sepultados heróis da guerra do Paraguai, como o general Henrique Gurjão, acompanhado por aproximadamente 70 mil pessoas, que levavam andores, quadros, alegorias e guirlandas. Numa Belém cujos círculos letrados eram fortemente influenciados pelo positivismo, o cortejo fúnebre tornou-se uma verdadeira procissão cívica, em grande parte por iniciativa também do governo do Pará, que instrumentalizou a morte de Carlos Gomes.
O maestro porém, não foi sepultado em Belém. A pedido do presidente do Estado de São Paulo, Campos Sales, o compositor foi levado para lá, com honras e transporte militares, a bordo do vapor Itaipu. Antes, na setecentista Catedral da Sé no Pará, foi celebrada uma missa de réquiem entoando-se uma Elegia a Carlos Gomes. Seu ataúde dominava o centro de um monumento funerário de quatorze metros de altura, em um catafalco encomendado por Lauro Sodré. O culto aos grandes homens dava forma à religião cívica do positivismo e exaltava os nomes reconhecidos pela Humanidade. Ao final das cerimônias litúrgicas e ao deixar o porto de Belém rumo a Santos, o Itaipu não transportava apenas os restos de Carlos Gomes. Também conduzia o corpo de um mito que alimentara a imaginação de um Brasil singular até mesmo em suas representações.
Diante de seu estado, pouco antes de morrer o governo de São Paulo autorizou uma pensão mensal de dois contos de réis, enquanto ele vivesse e, por sua morte, de quinhentos mil réis, aos seus filhos, até completarem a idade de 25 anos. Nessa ocasião, existiam somente dois filhos do glorioso maestro.
Dias antes de sua morte, Carlos Gomes diria, fatalista: "Qual, o mano Juca não chega... eu sou mesmo o mais caipora dos caipiras..."
Os gloriosos despojos do maestro, se encontram hoje no magnífico monumento-túmulo, em Campinas, sua terra natal, na Praça Antônio Pompeu. A duas quadras dali está o Museu Carlos Gomes, que reúne objetos e partituras do compositor.
Em 1936, em todo o País, foi comemorado o centenário de seu nascimento, com grandes solenidades.
[editar] Epílogo
Carlos Gomes faz jus também ao nosso reconhecimento pelo seu grande espírito de brasilidade, que sempre conservou, mesmo no estrangeiro. Quando da estréia O Guarani, em Milão, o famoso tenor italiano Villani, escolhido para o papel de Peri, criou um problema: ele usava barbas, e recusava-se a raspá-las. Carlos Gomes protestou: "Onde se vira índio brasileiro barbado?" mas, afinal, tudo se acomodou. O tenor era um dos grandes cartazes da época e não podia ser dispensado. Assim, acabou cantando, após disfarçar os pelos, com pomadas e outros ingredientes. A procura de instrumentos indígenas foi outro tormento para o maestro. Em certos trechos de música bárbara e nativa, eram necessários borés, tembis, maracás ou inúbias. Andou por toda a Itália, mas não os encontrou, e foi preciso mandar fazê-los, sob sua direção, numa afamada fábrica de órgãos, em Bérgamo.
[editar] Representações na cultura
* Carlos Gomes já foi retratado como personagem na televisão, interpretado por Paulo Betti na minissérie "Chiquinha Gonzaga" (1999)[10]. Também teve sua efígie impressa nas notas de Cr$ 5.000,00 (cinco mil cruzeiros) de 1990[11] e em moedas de trezentos réis que foram emitidas em 1936 e 1937.[12]
* O livro Carlos Gomes -Documentos Comentados (2007) de Marcus Góes, da Algol Editora traz documentos históricos de Carlos Gomes e cartas.[13]
* Livro Homenagem a memoria de Carlos Gomes, organizado pela " Academia de Amadores da Música" de Lisboa, pela Editora Cia Nacional em 1897.
Francisco Manuel da Silva
Francisco Manuel da Silva (Rio de Janeiro, 21 de fevereiro de 1795 — Rio de Janeiro, 18 de dezembro de 1865) foi um compositor, maestro e professor brasileiro.
Foi aluno do padre José Maurício Nunes Garcia, talvez o maior nome da música colonial brasileira, e de Sigismund von Neukomm, aprendendo violino, violoncelo, órgão, piano e composição. Ainda um jovem escreveu um Te Deum para o então príncipe Dom Pedro, que prometeu-lhe financiar seu aperfeiçoamento na Europa, mas não chegou a cumprir a promessa. Em vez disso, nomeou-o para a Capela Real, onde foi bastante ativo como diretor musical.
Em 1833 fundou a Sociedade Beneficente Musical, que teve um papel importante na época e funcionou até 1890. Contando com a simpatia do novo imperador Dom Pedro II, foi nomeado para o posto de compositor da Imperial Câmara em 1841 e no ano seguinte assumiu como mestre-de-capela. Talvez seu maior mérito seja a fundação do Conservatório do Rio de Janeiro, a origem da atual Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também foi regente do Teatro Lírico Fluminense, depois transformado na Ópera Nacional.
Sua obra de composição não é considerada de grande originalidade, embora sejam interessantes a Missa Ferial e a Missa em mi bemol, mas foi o autor de uma única peça que se tornou célebre, a melodia do atual Hino Nacional Brasileiro, considerado por muitos como um dos mais belos do mundo.
Faleceu com 70 anos de idade, cercado da admiração e respeito gerais. Seu corpo encontra-se sepultado no Cemitério de São Francisco de Paula, no Catumbi, na cidade do Rio de Janeiro.
Foi aluno do padre José Maurício Nunes Garcia, talvez o maior nome da música colonial brasileira, e de Sigismund von Neukomm, aprendendo violino, violoncelo, órgão, piano e composição. Ainda um jovem escreveu um Te Deum para o então príncipe Dom Pedro, que prometeu-lhe financiar seu aperfeiçoamento na Europa, mas não chegou a cumprir a promessa. Em vez disso, nomeou-o para a Capela Real, onde foi bastante ativo como diretor musical.
Em 1833 fundou a Sociedade Beneficente Musical, que teve um papel importante na época e funcionou até 1890. Contando com a simpatia do novo imperador Dom Pedro II, foi nomeado para o posto de compositor da Imperial Câmara em 1841 e no ano seguinte assumiu como mestre-de-capela. Talvez seu maior mérito seja a fundação do Conservatório do Rio de Janeiro, a origem da atual Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também foi regente do Teatro Lírico Fluminense, depois transformado na Ópera Nacional.
Sua obra de composição não é considerada de grande originalidade, embora sejam interessantes a Missa Ferial e a Missa em mi bemol, mas foi o autor de uma única peça que se tornou célebre, a melodia do atual Hino Nacional Brasileiro, considerado por muitos como um dos mais belos do mundo.
Faleceu com 70 anos de idade, cercado da admiração e respeito gerais. Seu corpo encontra-se sepultado no Cemitério de São Francisco de Paula, no Catumbi, na cidade do Rio de Janeiro.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Piotr Llitch Tchaikovsky

Tchaikovsky nasceu no dia 7 de maio de 1840, filho do engenheiro Ilya Petrovitch Tchaikovsky e Alexandra Andreivna d'Assier. Da infância do compositor, sabe-se que bem cedo revelou dotes musicais.
Em 1848, a família mudou-se para Moscou, onde o compositor passou a ter aulas de piano com Filipov; em pouco mais de um ano, seu progresso foi notável.
Dois anos depois, a família mudou-se para Alapiev, onde o pai do compositor dirigiu uma usina siderúrgica. Neste ano, seus pais decidiram que ele deveria ser advogado. A adolescência do compositor transcorreu entre os estudos dos cursos preparatórios da Escola de Direito de São Petersburgo (correspondentes ao colegial) e os estudos de piano com seu novo professor, Kundiger.
Em 1859, Tchaikovsky concluiu os estudos jurídicos e passou a trabalhar no Ministério da Justiça. Em 1862 ingressou no recém fundado Conservatório de São Petersburgo, a primeira escola oficial de música na Rússia, onde estudou composição, piano, flauta e noções de órgão. Meses depois toma a decisão de abandonar seu emprego no Ministério da Justiça, dedicando-se inteiramente à música. A partir de então, Tchaikovsky passou por um período de dificuldades e pobreza, dando algumas aulas, acompanhando cantores medíocres ao piano e fazendo cópias de partituras. Em 1865 concluiu seu curso no Conservatório.
Outros tempos estavam para se iniciar em sua vida. O Conservatório de São Petersburgo estava com excesso de alunos, o que levou seu diretor, Anton Rubinstein, a fundar outra escola, em Moscou, no ano de 1866, Nicolai Rubinstein, seu irmão, ficou encarregado de organizar a nova escola e contratar os novos professores, muitos deles ex alunos da escola de São Petersburgo, entre eles Tchaikovsky.
O ano de 1868 foi marcado por seus primeiros contatos com o Grupo dos Cinco, após enviar um protesto à revista Entreato, por esta ter criticado a música de Rimsky-Korsakov. Tchaikovsky era admirador da música de Rimsky-Korsakov, um dos Cinco, e seu protesto sensibilizou os demais membros do grupo, que o convidaram a visitá-los em São Petersburgo. Esse fato, porém, não fez dele um novo integrante do grupo; o compositor não admirava especialmente a música do grupo, e os outro quatro consideravam a música de Tchaikovsky demasiadamente ocidental.
Os anos seguintes da carreira de Tchaikovsky foram marcados pelo crescente sucesso como compositor e regente. Suas obras deste período são: a Fantasia-Abertura Romeu e Julieta (1870), o Quarteto de Cordas N.1 (1871), o Concerto N.1 para Piano e Orquestra (1874), o balé O Lago dos Cisnes (1876), o Concerto para Violino (1878), o Capricho Italiano (1879), a Abertura 1812 (1880).
No plano pessoal, o último terço de sua vida foi marcado pela estranha ligação que manteve com Nadejda von Meck, viúva de Karl-Georg-Otto von Meck, rico proprietário das duas primeiras ferrovias russas. Admiradora da música de Tchaikovsky, tornou-se sua protetora no ano de 1876, fornecendo-lhe uma subvenção que lhe permitia viver sem problemas materiais. A única condição estabelecida foi que os dois jamais deveriam se encontrar, comunicando-se apenas por carta. A relação durou até 1890, só terminando devido a intrigas engendradas pelo violinista Pakhulski, um dos membros do círculo de Nadejda. Ajudado por outros, Pakhulski acabou convencendo-a de que Tchaikovsky era apenas um aproveitador. O compositor ficou muito abalado, não pelos aspectos materiais, já que na época estava no auge da fama e ganhava muito dinheiro, mas pelo significado afetivo. Profundamente chocado, Tchaikovsky refugia-se na música e nas viagens.
A 22 de outubro de 1893, alguns dias após a primeira audição da Sexta Sinfonia (Patética),o compositor, bebendo água não fervida, é contaminado prla epidemia de cólera que atingia São Petersburgo, falecendo no dia 25 do mesmo mês.
Tchaikovsky compôs peças para o piano, música de câmara, seis sinfonias, aberturas-fantasia (Romeu e Julieta, 1870), balés ( O Lago dos Cisnes, 1876; A Bela Adormecida, 1890; O Quebra Nozes, 1892), três concertos para piano ( N.1, 1875), um concerto para violino (1877), e Variações sobre um tema Rococó, para violoncelo e orquestra (1876). Além de canções, escreveu dez óperas, entre as quais Eugene Oneguin (1879) e A Dama de Espadas (1890), as duas inspiradas em Púchkin. Influenciado pela música ocidental, Tchaikovsky se situou à margem do nacionalismo russo encarnado pelo Grupo dos Cinco. A orquestração brilhante, a melodia comunicativa e a intensidade dramática marcam toda a sua produção, popular em todo o mundo.
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Richard Wagner

Sua música instrumental do tempo de mocidade é insignificante. Reconhecendo seu talento duplo, de músico e poeta, deixou de escrever óperas comuns para dedicar-se ao novo gênero que criara, o Drama Musical. Encontrou na crítica, no público e nas casa de ópera, as mais fortes resistências e envolveu-se em polêmicas, numa situação agravada pelo exílio por motivos políticos.
Poderia facilmente salvar-se, fazendo concessões ao gosto dominante, mas preferiu ficar fiel a si próprio. Como reverso dessa força de vontade, seu caráter era desagradavelmente egoísta e vingativo. Quando finalmente conseguiu vencer, mandou construir para suas últimas obras um teatro em Bayreuth.
Desde suas primeiras óperas (Rienzi, 1839; O Navio Fantasma, 1841; Tannhäuser, 1843 - 1845; Lohengrin, 1845 - 1848) que partem do romantismo de Weber e da tradição sinfônica de Beethoven, afastou-se da concepção italiana, renunciou aos floreios vocais, impôs uma ação musical contínua e intensificou a participação orquestral, além de valorizar a importância do libreto como fundamento do drama lírico. Wagner aboliu toda a estrutura a ópera tradicional, com suas árias, duetos, etc., substituindo-a por uma seqüência dramática de cenas totalmente postas em música (durchkomponiert). Em vez de melodias, criou a melodia permanente, com base na orquestra. Escolheu, como enredos, temas de lendas medievais ou da mitologia germânica, pondo-as a serviço de suas idéias filosóficas, religiosas e políticas.
Proscrito de seu país por sua participação na revolução de 1848 em Dresden, onde era regente da corte, viajou, residiu em Zurique, em Veneza, em Paris, e redigiu suas teorias sobre a arte (A Obra de Arte do Futuro, 1850; Ópera e Drama, 1851), colocando-as paralelamente na tetralogia O Anel dos Nibelungos (1852-1874), Tristão e Isolda (1859) e Os Mestres Cantores de Nuremberg (1862-1867).
Seu encontro com Luís II da Baviera foi decisivo para a construção de um teatro, destinado às apresentações de suas próprias obras, que foi construído em Bayreuth (1872-1876). Nesta época, casa-se com Cosima, filha de Liszt. Parsifal (1877-1882) foi sua última realização dramática.
Adepto de um teatro místico, simbólico, chegou a uma fusão estreita entre texto e música, a unidade temática criada pelo leitmotiv e pela união bem-sucedida entre vozes e instrumentos. O cromatismo de Tristão e Isolda é o ponto de partida da música do século XX, influenciando compositores como R. Strauss, G. Mahler, C. Debussy e A. Schoenberg, que partiu das inovações wagnerianas para desenvolver a música dodecafônica.
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Franz Liszt
Ferenc (ou Franz) Liszt nasceu em Raiding, Hungria, na noite de 21 para 22 de outubro de 1811, ano marcado pela passagem de um cometa...Seu pai, Adam Liszt, era descendente de antiga e nobre família húngara, embora sem fortuna. Apesar de saber tocar piano, violino e flauta, sobrevivia como administrador da propriedade rural do Príncipe Miklós Esterházy, na qual, durante o século XVIII trabalhara Joseph Haydn.
Sua mãe era uma austríaca, Anna Lager, cantora pôr profissão. Um ano após o casamento, nascia Franz, primeiro e único filho do casal; louro e de grandes olhos azuis, uma bela criança.
Muito sensível, já aos seis anos era capaz de reproduzir com perfeição os temas que ouvia seu pai tocar ao piano. Tal proeza levou Adam Liszt a fazer do filho um pianista, encarregando-se, ele próprio de dar-lhe aulas. O aprendizado do pequeno Franz foi surpreendente: aos oito anos começou a compor e aos nove se apresentou pela primeira vez, em uma cidade vizinha, executando um concerto de Ries. Após este sucesso, surgiram novas oportunidades em outras cidades. Franz Liszt iniciara sua carreira de pianista.
Encantados com a criança prodígio, nobres húngaros lhe ofereceram uma bolsa de estudos, que permitiu a Liszt fazer estudos sérios e completos. A família mudou-se para Viena, onde o menino pôde se aperfeiçoar em piano com Czerny, e em composição com Salieri.
Em 1822 apresentou-se pela primeira vez para o público vienense e levou a platéia ao delírio com seu virtuosismo. Sucesso absoluto de público e de crítica: Liszt, aos doze anos, já era um ídolo.
Em 1823 partiu para uma longa série de concertos pela Alemanha e França. Em 1824 estreou em Paris, obtendo, como sempre, sucesso estrondoso. Recusada a sua entrada no Conservatório de Paris, pôr ser estrangeiro, recebeu aulas particulares de composição dos mestres Anton Reicha e Ferdinando Paer. O famoso construtor de pianos Sebastien Érard contratou-o para divulgar seus novos modelos.
As viagens prosseguiam quase sempre sem interrupção, sendo sempre aclamado pelo público. Exausto, sofreu em 1827 uma depressão nervosa e passou pôr uma crise de misticismo, que o levaria, anos mais tarde, a entrar para a Ordem dos Franciscanos, como abade. Com a morte de seu pai, neste mesmo ano, e a necessidade de assumir os encargos de chefe de família, trouxeram-no de volta à realidade, passando então a lecionar música para as damas da alta aristocracia parisiense. Apaixona-se, aos dezessete anos, pôr uma de suas alunas,Caroline de Saint-Cricq, jovem como ele. Foi seu único insucesso amoroso. Apesar de se amarem, o pai da garota, ministro do Rei Carlos X, tinha projetos de casamento muito mas ambiciosos para a filha.
Melancólico e deprimido, o compositor adoeceu e entrou em nova crise de misticismo, ao mesmo tempo que se voltou freneticamente para a leitura de Dante, Voltaire, Vitor Hugo e outros clássicos.
Afastando-se do misticismo, o músico passou a se envolver na agitação política que ocorre na França, participando de reuniões intelectuais, interessando-se pôr uma sociedade igualitária, na qual o músico e o artista em geral teriam posição de destaque. Impelido pôr seus ideais, Liszt fundou, em 1834, juntamente com Chopin e Berlioz, a Gazeta Musical de Paris, órgão de imprensa destinado a defender os direitos do artista e a esclarecer a opinião pública sobre a função da arte na sociedade.
Em 1833 conheceu a condessa Marie d’Agould, que exerceria papel importante em sua vida. Ela, já casada e com três filhos, fizera um casamento de conveniência. Vinte e oito anos - seis anos mais velha que ele - culta, bela, independente e rica, tal era Marie quando Liszt a conheceu. Ele, virtuose consagrado, também culto, uma personalidade atraente. Em 1835, Marie abandonou o marido e os dois amantes foram viver na Suíça.
Afastado temporariamente da carreira de concertista, vivendo tranqüilamente na Suíça ao lado de Marie, Liszt dedicou-se inteiramente à composição. Neste período dedicou-se também à divulgação de obras de outros compositores. Aqui reside um dos grandes méritos de Liszt :admirar o gênio no outro e trabalhar pelo seu reconhecimento pôr parte do público. Trabalhou no Conservatório de Genebra. Seus alunos compunham-se de 28 mulheres e 5 homens.
De sua união com Marie nasceram os três filhos de Liszt: Blandine, Cosima - que se casaria com o regente Von Bülow, abandonando-o, depois, para viver com Wagner - e Daniel. Logo após o nascimento do último filho, as relações entre o casal começaram a se deteriorar e o rompimento tornou-se inevitável, efetivando-se no final de 1839. Marie regressou com os filhos para Paris e Liszt voltou a vida errante de concertista. Nos oito anos seguintes, deu recitais e concertos pôr toda a Europa. Estava no auge da fama, sendo considerado o mais brilhante virtuose do momento. Entrava triunfalmente em cada cidade pôr onde passou, sentado em sua carruagem atrelada a seis cavalos brancos. Era o convidado de honra da alta aristocracia parisiense, que o solicitava como recitalista e professor de piano. Desta forma colocou o músico numa posição de destaque dentro da hierarquia social - uma de suas metas como homem e artista.
Célebre, festejado, admirado, ganhava fortunas. Cortejado pelas mais belas mulheres da Europa, teve inúmeros casos amorosos. A presença feminina, aliás, foi uma constância na vida do compositor. E o "Don Juan da Música", tendo reconquistado a liberdade, entregou-se a ardentes aventuras amorosas. Mas não era feliz. A glória não o satisfazia e, desorientado e solitário, sentia a necessidade de uma relação amorosa sólida e estável. O equilíbrio só foi encontrado em 1847, aos 36 anos, quando conheceu a princesa polonesa Carolyne Sayn-Wittgenstein, seu último grande amor.
Casada, mas vivendo separada do marido, Carolyne, aos 28 anos, era culta e tinha a personalidade forte e independente. Embora não fosse bela, Liszt sentiu-se totalmente seduzido pôr esta figura de mulher aristocrática, inteligente e de grande vitalidade e que partilhava de suas idéias, tanto no plano religioso como no intelectual e artístico. Ao seu lado,Liszt viveu o período mais fértil como compositor.
Em 1848, Liszt transferiu-se para Weimar, onde exerceria as funções de mestre-de-capela e regente da corte. Vivendo no castelo da princesa Carolyne, que aguardava a anulação de seu casamento, dividia seu tempo entre a leitura, a regência e a composição. Transformaria esta cidade num dos principais centros musicais da Europa. Ali desenvolveu intensa atividade pela divulgação das obras de seus contemporâneos. Foi durante este período em Weimar que travou conhecimento com Richard Wagner, estabelecendo-se entre os dois uma sólida amizade. Foi graças a Liszt que Wagner teve suas primeiras óperas encenadas.
No plano doméstico, Liszt viu frustrada a sua tentativa de casamento com Carolyne, pois esta não conseguiu obter do Vaticano a anulação de seu casamento. E quando, em 1864, a princesa enviuvou, ambos já haviam renunciado ao projeto de casamento.
Em 1865, Liszt entra, finalmente para a Ordem dos Franciscanos, em Roma. Mas suas ordens menores não o impedem de levar a vida de sempre: compor, lecionar, tocar e reger, além de despertar paixões em corações femininos. Paris e Londres são as últimas cidades a aplaudi-lo.
Mas estas viagens cansam-no bastante. Já debilitado, contrariando as ordens de seu médico, vai a Bayreuth, em julho de 1886, para assistir à apresentação da ópera Tristão e Isolda de seu amigo Wagner, e presencia o triunfo do compositor. O esforço da viagem causa-lhe profundo esgotamento físico. A 31 de julho de 1886, alguns dias de completar 75 anos, já atacado pela pneumonia, Liszt entra em crise aguda de delírio e expira. Morre como viveu, voltado para a arte: antes de dar o último suspiro, balbucia o nome Tristão - uma das maiores criações do gênero humano.
A OBRA DE LISZT
O nome de Liszt ocupa lugar de destaque dentro da história da música como um inovador que foi. Romântico pôr excelência, rompeu com todos os cânones do Classicismo, estabelecendo novos padrões de estilo. Ao mesmo tempo, sua obra contém já os germes do cromatismo wagneriano, do impressionismo debussysta e de muitas tendências estéticas modernas. Sua meta foi encontrar uma linguagem própria, fazendo uma equilibrada e criativa síntese das principais conquistas de seus contemporâneos.
Liszt revolucionou a música de seu tempo. Quando se pensa no Liszt compositor, é sempre necessário lembrar, antes de tudo, que ele foi um virtuose do piano e que dominava completamente sua técnica. Liszt foi o primeiro músico a explorar todas as potencialidades do instrumento,atingindo dimensões orquestrais. Pode-se afirmar que Liszt se deve a moderna técnica do piano. Criou uma série de recursos técnicos: a utilização das sete oitavas (glissandos, escalas, harpejos, acordes), o que retundou na ampliação do espaço sonoro; a exploração de todos os matizes dos registros graves e dos agudos; o enriquecimento da sonoridade, através da escrita em oitavas. Pôr outro lado, a tendência orquestral de Liszt levou-o, também, a utilizar rápidas sucessões de notas; abundância de trinados em terças e sextas; glissandos em notas simples ou duplas; notas repetidas; pequenas apojaturas, trêmulos, grandes saltos de intervalo.
Além disso, Liszt aperfeiçoou a técnica pianística ao dar maior relevo à mão esquerda que em sua obra tem a mesma importância que a direita, sendo muitas vezes usada em passagens solo,com o emprego constante de mãos alternadas e cruzadas.
Principais obras para o piano:
Anos de Peregrinação, Estudos Trancendentais, Seis Estudos de Concerto, Sonata em Si Menor, Harmonias Poéticas e Religiosas, Seis Consolações, Valsa Mefisto, dois Concertos para Piano e orquestra, etc.
O tratamento que Liszt deu à orquestra não foi menos original que o recebido pelo piano.
Muito rica, como a maioria das instrumentações dos românticos, em Liszt a orquestração nunca é excessivamente pesada. Entre as principais inovações que caracterizam sua arte sinfônica, incluem-se o tratamento especial dado a cada instrumento, explorando-o em todas as possibilidades de timbre - grande ousadia para a época - o relevo dado à percussão, ao introduzir instrumentos com efeitos especiais, como o triângulo como instrumento solista (Concerto N. 1 para Piano e Orquestra); o uso inovador de glissandos na harpa, procedimento do qual os impressionistas tanto abusariam.
Mas, a maior contribuição de Liszt para a música de programa foi a fixação dos princípios estéticos do poema sinfônico como música de caráter mais psicológico do que descritivo.
Principais obras para a Orquestra:
Poemas Sinfônicos, Rapsódias Húngaras, Sinfonia Dante, Sinfonia Fausto
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Felix Mendelssohn
Mendelssohn nasceu no dia 3 de fevereiro de 1809, em Hamburgo, Alemanha. Seu pai, Abrahan Mendelssohn, fixara residência nesta cidade, logo após casar-se com Lea Salomon; ali dirigia um banco fundado por seu irmão.
Na educação do compositor, a mãe desempenhou um papel importante. Culta e refinada, esteve sempre atenta à educação dos filhos, e foi ela quem lhes deu as primeiras lições de piano.
Sua irmã, Fanny, logo cedo também revelou um extraordinário talento musical e tornou-se grande pianista e compositora. Quatro anos mais velha que Felix, desempenhou um papel importante na vida do irmão: foi sua mais importante relação afetiva e intelectual.
Além das lições de música dadas por sua mãe, Felix recebeu outros ensinamentos. Em 1816 o pai viajou a Paris, levando Fanny e Felix consigo. Na capital francesa os dois receberam aulas de piano de Marie Bigot de Morogues, grande pianista. Mas, o mais importante professor de Mendelssohn foi Karl Friedich Zelter, que passou a orientá-lo em 1819, dando-lhe aulas de composição e transmitindo-lhe seu amor por Bach.
Em 1818, com apenas nove anos, Felix fez sua primeira apresentação em público, em Berlim, começando sua carreira como instrumentista, maestro e compositor. Autêntico menino-prodígio, considerado um novo gênio da música, causava assombro em todos os lugares onde se apresentava. Por volta dos quinze anos, já compusera diversas obras, entre fugas, cantatas, sinfonias, quartetos, concertos e óperas. Terminada a fase de formação, os anos seguintes seriam marcados por viagens e por seu trabalho em prol da difusão da obra de Bach.
No Natal de 1823, ganhou de sua tia-avó, Sara Levy, a partitura completa da Paixão segundo São Mateus, de Bach. Mendelssohn estudou-a nos mínimos detalhes e, depois de cinco anos, e após convencer músicos e cantores a participarem, apresentou a obra em Berlim, no dia 11 de março de 1829. A Paixão segundo São Mateus era apresentada na íntegra, pela primeira vez após a morte de Bach, ocorrida 79 anos antes. O público recebeu-a com entusiasmo. A partir daí, Bach retornava para o público e as audições de suas obras se multiplicariam com o tempo. Nos anos seguintes, Mendelssohn divulgou outras partituras do compositor, durante suas viagens, à frente de várias orquestras.
Em 1835 assumiu a regência da orquestra Gewandhaus, de Leipzig. Sob sua direção, esta sociedade musical teve seus melhores momentos e tornou-se um verdadeiro centro musical da época, com a mais importante orquestra de toda a Europa.
Em 1837 casa-se com Cécile Jeanrenaud. Em dez anos de feliz matrimônio - interrompido pela morte do compositor - o casal teve cinco filhos. Mendelssohn continuava a trabalhar incansavelmente, divulgando as obras dos contemporâneos, compondo, regendo, lecionando, dando recitais de piano e difundindo os autores do passado ( Bach, Haendel e Mozart). Em 1843, funda o Conservatório de Leipzig.
Tudo isso começa a minar sua saúde, as inúmeras tarefas e as viagens constantes causam-lhe intensa fadiga e dores de cabeça. A 14 de maio de 1847, sua irmã morre subitamente. O compositor estava em Frankfurt, regressando da nona viagem à Inglaterra, quando recebe a notícia, desmaiando e sofrendo uma trombose cerebral. Consegue se recuperar, mas deixa de ser o jovem forte e cheio de vitalidade; tomado por violentas crises nervosas, passa uma temporada de repouso na Suíça. De volta a Leipzig, pede demissão de seu cargo de diretor da Gewandhaus. Vítima de um ataque de apoplexia, Mendelssohn falece a 4 de novembro de 1847.
Mendelssohn compôs prelúdios e fugas para órgão e para piano; oratórios; o concerto para violino e orquestra em Mi menor Op. 64; as Canções sem Palavras e outras obras para o piano; a abertura para Sonho de uma noite de Verão (1826), ópera As Bodas de Camacho (1826), a abertura A Gruta de Fingal, cinco sinfonias, música de câmara e quartetos.
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Franz Schubert
Franz Peter Schubert nasceu em 31 de janeiro de 1797 em Liechtental, subúrbio de Viena. Seu pai, Franz Theodor Schubert começou a trabalhar como professor primário em Viena. Dois anos depois foi promovido a diretor e casou-se com a empregada doméstica Elizabeth Vietz.
Tiveram catorze filhos, dos quais sobreviveram apenas cinco. Formavam uma família típica da classe média austríaca da época. Schubert teve uma infância serena. Aos seis anos , o pequeno Schubert foi colocado na escola, onde sempre se distinguiu como o primeiro ente os colegas.
Aos oito anos o pai ensinou-lhe os rudimentos do violino e pouco depois o menino já era capaz de interpretar algumas peças fáceis. Dado ao progresso de Schubert, seu pai confiou-o a orientação de um músico profissional, o mestre de capela de Liechtental, Michael Holzer, que lhe deu lições de piano, violino e canto.
Aos onze anos Schubert fazia os solos de soprano no coral da igreja e as vezes tocava violino ou substituía o professor, tocando órgão.
Em outubro de 1808 passou em um concurso para preencher uma das duas vagas do coro da capela imperial e ingressou no Stadkonvikt, espécie de conservatório e escola comum em regime de internato. Permaneceu nesta escola dos onze aos dezesseis anos.
De 1810 a 1815, compõe grande número de obras, entre quartetos, trios ,lieder, música religiosa, esboços de uma ópera e uma cantata para o aniversário do pai.
O velho Schubert queria que o rapaz se tornasse professor ou um honesto funcionário da corte. A música não deveria ser mais do que um passatempo culto. O conflito estourou com certa gravidade, mas a firmeza do jovem compositor acabou vitoriosa. Após a morte de sua mãe, em 28 de maio de 1812, o pai providenciou para que o filho estudasse composição com Antonio Salieri.
Em 1813 Schubert terminou seus estudos no Stadkonvikt e ingressou na Escola Normal de Santa Ana, onde fez um estágio para se tornar professor primário, passando a ajudar o pai na escola paroquial até 1818.
Nesta época apaixona-se pôr Therese Grob, dona de uma excelente voz de soprano lírico. Ela participou como solista na estréia da Missa em lá maior composta pôr Schubert. Ele pensou em casar-se, mas a situação econômica de Schubert não satisfazia as expectativas da família de Therese. Em 1820 ela se casaria com um mestre padeiro.
O ano de 1816 foi marcado pelo importante contato com o barítono Johann Michael Vogl, no auge da fama. Vogl tornou-se um de seus maiores intérpretes e um de seus mais fieis e zelosos amigos.
Em 1817,farto de aturar os alunos da escola primária, Schubert obteve licença temporária e, passado o prazo, deixou de se apresentar e perdeu o cargo. Seu pai se irritou, e como o filho não providenciasse o "trabalho honesto e seguro", expulsou-o de casa. Schubert não se atemorizou, certo de que era um eleito, um artista que deveria cumprir sua missão, sem se importar com a vida material. Expulso da casa paterna, passou a viver com amigos (Schober, Spaun, Mayhofer e seu irmão Ferdinand). A boêmia e a pobreza marcariam os anos seguintes, embora jamais passasse fome ou deixasse de ter um teto para abrigá-lo. Dava algumas aulas, editava uma ou outra obra e assim resolvia alguns problemas de sobrevivência.
Em 1818 foi apresentado ao conde Johann-Karl Esterhazy, que o convidou para passar uma temporada em seu castelo em Zseliz, onde daria aulas a Marie e Caroline, suas filhas.
Após algumas semanas no campo Schubert se aborreceu e sentiu saudades dos amigos, das tavernas, e voltou para Viena. Passava grande parte do tempo em alegres sessões musicais, onde quer que estivesse e que ganharam um nome especial: as ‘schubertíadas". Entre eles , estavam o dramaturgo Franz Grillparzer, um dos mais importantes nomes do teatro austríaco; Franz von Schober, poeta amador; Johann Mayrhofer, poeta de tendências clássicas; Moritz von Schwind, grande desenhista e pintor; e Joseph von Spaun, que deixou importantes textos sobre o compositor.
Passou a empregar o tempo com certa organização,raramente deixando de dedicar todas as manhãs ( das 6 ou 7 horas até as 12 ou 13) à composição. As reuniões no fim da tarde tinham lugar no "Gato Negro", no "Caracol" ou de preferência no "Coroa da Hungria". Bebia muito, mas ninguém jamais o via embriagado.
Suas obras de fácil assimilação tornaram-se populares em toda a Viena e eram ouvidas freqüentemente. Contudo, nas salas de concerto e no teatro de ópera, o mesmo não ocorria. O público destas casas de espetáculos só queria ouvir obras de compositores consagrados. As possibilidades de Schubert eram mínimas. Apesar disto, seus amigos se esforçavam para arranjar-lhe apresentações. A 8 de janeiro de 1819 a sua cantata Prometeu era apresentada à alta sociedade vienense. Schubert então tentou a ópera, mas não obteve sucesso. Escreveu as óperas "Os Irmãos Gêmeos", "A Harpa Encantada"," Afonso e Estrela", "Rosamunda,Princesa de Chipre" entre 1819 e 1823. Nenhuma obteve sucesso.
Outro problema enfrentado pôr Schubert foi a má vontade e a desonestidade dos editores. Estes queriam apenas obras de compositores já famosos, ou então lhe compravam as obras pôr um preço irrisório, aproveitando-se de sua ingenuidade para negócios.
Aos poucos ele vai sendo tomado pôr desgostos. No princípio de 1823, Schubert contraiu sífilis, doença vergonhosa e de cura impossível naquele tempo, e que iria interiorizar ainda mais o caráter taciturno do músico. Passou várias semanas no Hospital Geral de Viena, onde escreveu várias composições do famoso ciclo de lieder "A Bela Moleira".
Passados os primeiros choques da revelação da doença, volta à vida normal: trabalho intenso pela manhã, passeios pela tarde, boêmia à noite. Bebe um pouco mais e vive em casa de amigos.
Em março de 1827 fica chocado com a morte de seu grande ídolo Beethoven, participando dos funerais e vendo na morte deste o sinal de seu próprio fim.
Compõe "A Viagem de Inverno"(um ciclo de lieder), o trio em si bemol, a Fantasia em fá menor para piano a quatro mãos, a nona sinfonia (A Grande), a Missa em mi bemol, o quinteto em dó, as três últimas sonatas para piano e alguns dos catorze lieder do ciclo "Canto do Cisne".
A 26 de março de 1828, um concerto em homenagem à Beethoven com obras exclusivamente suas (o único realizado em vida) alcança enorme sucesso.
Mas seu fim está próximo. Instalado na casa de seu irmão Ferdinand, sua saúde piora. Os médicos diagnosticam tifo, causado pôr ingestão de um peixe contaminado. Enfraquecido pela doença venérea que o acompanha a anos , seu organismo não resiste à nova doença.
A 19 de novembro, às três horas da tarde, Schubert falece, aos 31 anos de idade. Seu irmão providencia para que Schubert seja enterrado perto do túmulo de Beethoven. Mais tarde, um pequeno monumento projetado pelo amigo Schober seria construído no local.
Em 1888 seus restos mortais foram exumados e transferidos para o cemitério central de Viena, onde repousam ao lado do túmulo de Beethoven.
A produção musical
Schubert foi o primeiro grande mestre do Lied. Escreveu os seguintes ciclos: "A Bela Moleira", "Viagem de Inverno", "O Canto do Cisne".Outros importantes: "O Caminhante", "A Morte e a Donzela","O Rei dos Elfos"e centenas de outros.
De importância pouco inferior é a música sacra de Schubert.
Para orquestra escreveu nove sinfonias, sendo que a N.8 ("Inacabada")é a mais divulgada.
As tentativas de Schubert na música operística tiveram pouco sucesso, mas sua produção camerística é rica: trios com piano, quartetos de cordas (destacando-se os quartetos em sol maior e lá menor e o quinteto com piano "A Truta").
Os pontos mais altos da música instrumental de Schubert são: o quinteto em ré menor ("A Morte e a Donzela") e o quinteto de cordas em dó.
O piano de Schubert
O piano schubertiano se distingue em algo do dos seus contemporâneos e sucessores: a falta de virtuosismo. Para tal contribui, sem dúvida, a própria natureza da inspiração do compositor e o fato de não ter sido um virtuose do instrumento, como acontecera com Mozart e Beethoven, ou como serão Chopin e Liszt. Não existe em sua música efeitos prodigiosos. Schubert tinha como regra escrever apenas para si mesmo e não para os outros.
Escreveu belas sonatas, os Improvisos op.90 e 142 e a grande fantasia "Wanderei" ,além de marchas, danças a duas e a quatro mãos, como as famosas Marchas Militares.
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♫ ♫ Educação Musical ♫ ♫
Educação Musical é a educação que oportuniza ao indivíduo o acesso à música enquanto arte, linguagem e conhecimento. A educação musical, assim como a educação geral e plena do indivíduo, acontece assistematicamente na sociedade, por meio, principalmente, da industria cultural e do folclore e sistematicamente na escola ou em outras instituições de ensino.


