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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Henry Purcell
Henry Purcell nasceu em um dia indeterminado no ano de 1659, no seio de uma família de músicos. Seu pai, também Henry, foi cantor e professor da abadia de Westminster; seu tio, Thomas, foi músico da corte do rei Carlos II.
Logo muito novo, Purcell entrou para o coro da Capela Real, onde começou a estudar composição.
Em 1673 foi nomeado conservador dos instrumentos da corte, cargo não remunerado, mas que o ajudou a obter trabalho como copista, afinador e reparador de órgãos.
Em 1679, tornou-se um dos organistas da Abadia de Westminster, sucedendo o famoso John Blow. Em 1680, escreveu uma série de fantasias para cordas, uma canção de boas-vindas a Carlos II (Welcome, viceregent of my mighty King) e a música para a tragédia de Nathaniel Lee (Theodosius or The Force of Love).
Em 1681, Purcell casou-se e, no ano seguinte foi nomeado organista da Capela Real. A partir deste ano revelou-se um compositor muito requisitado. O ano de 1683 foi muito importante para Purcell: sua primeira série de sonatas a trio foi publicada e o compositor foi nomeado para o cargo de construtor dos órgãos reais.
No ano de 1689 escreveu sua única ópera autêntica, Dido e Enéias, representada no Josias Priest's, um colégio de meninas em Chelsea. A partir de 1690, Purcell compôs regularmente obras cênicas com importantes episódios musicais à maneira das mascaradas. As mais importantes são: Diocleciano (1690), O Rei Artur (1691), A Rainha das Fadas (1692) e A Rainha Indiana (1695). Purcell escreveu, durante estes anos, música de acompanhamento para peças teatrais.
Paralelamente ao teatro, o compositor jamais abandonou os outros estilos de composição. Escreveu canções e música sacra, não só para a Capela Real, mas para as datas festivas, como a celebração anual do dia de Santa Cecília (Te Deum and Jubilate, em ré maior - 1694) e a magnífia música fúnebre para a rainha Ana (1695).
Purcell morreu em Londres em 21 de novembro de 1695, no auge da fama e foi enterrado na Abadia de Westminster, perto da galeria do órgão.
É autor de vastíssima obra religiosa, peças de circunstância, coro, hinos, óperas e música de cena. Compôs também odes e cantatas dedicadas aos reis Carlos II e Jaime II, bem como à rainha Maria: Sound the Trumpet (1687); odes à Santa Cecília; música instrumental (Musick's Hand Maid; para cravo, As Lições; para órgão, Voluntaries; para cordas, Fantasias; sonatas a três e quatro partes).
Georg Telemann
George Philipp Telemann nasceu em Magdeburgo, a 14 de março de 1681, e foi batizado a 17 do mesmo mês. De formação autodidata como instrumentista e compositor, o jovem teve que lutar para seguir sua carreira de músico, já que sua família se opunha decididamente. Seu pai, Heinrich Telemann, foi diácono e vinha de uma família que, por várias gerações, formara pastores protestantes.
A tradição de sua família obrigava-o a receber uma formação universitária. Telemann foi bom aluno no colégio e, ainda adolescente, era capaz de escrever versos em alemão, latim e francês. A partir dos 10 anos tocava com perfeição flauta, violino e outros instrumentos, mas não conhecia teoria musical. Seu único período de aprendizagem musical coincidiu com os anos em que freqüentou o liceu, onde estudou com Benedict Christiani, compositor de música sacra.
Em 1701, a fim de agradar a família, iniciou os estudos de Direito na Universidade de Leipzig, abandonando-os pouco depois.
Meses depois de ter se instalado em Leipzig fundou um Collegium Musicum formado por quarenta estudantes. Esta instituição, conhecida pelo nome de Colegium Telemanniano, passou a ser dirigida, a partir de 1729, por Johann Sebastian Bach.
Em 1704 foi nomeado organista e mestre de capela da Neue Kirche ou igreja Nova de Leipzig, a capela universitária. Em 1705 entrou para o serviço da corte do conde Erdmann von Promnitz, que residia em Sorau. Telemann escreveu cerca de duzentas aberturas francesas para a capela musical da corte. De Sorau mudou-se, acompanhando a corte, para Pless, Alta Silésia e Cracóvia, onde conheceu a música popular polonesa.
No ano de 1706 regressa à Alemanha, mudando-se para a cidade de Eisenach, o centro da música alemã e foi nomeado diretor de concertos e mestre-de-capela pelo duque Johann Wilhelm. Telemann escreveu um grande número de cantatas profanas e obras instrumentais, em especial sonatas a trio, iniciando também a composição de cantatas religiosas.
Em 1712, o compositor trocou o serviço da corte por outras funções artísticas em Frankfurt am Main. Foi contratado para dirigir a música em duas igrejas: a de Barfüsser e a de Santa Catarina. Como secretário da Sociedade Frauenstein, reorganizou o Collegium Musicum de acordo com suas idéias e, no ano seguinte, apresentou numerosas peças instrumentais.
Apesar da magnífica posição que tinha em Frankfurt, Telemann mudou-se para Hamburgo em 1715, mas continuou a enviar para Frankfurt suas obras religiosas até 1757. Segundo a tradição de Hamburgo, o compositor era obrigado a compor todos os anos uma paixão e peças para as datas cívicas e religiosas. Em 1722 começou a dirigir a Ópera de Hamburgo, que estava em crise, e conseguiu animar a vida musical desta cidade, permitindo o acesso de todos os cidadãos ( e não apenas os nobres) aos concertos, mediante o pagamento de uma entrada.
Em 1737 deslocou-se a Paris, onde morou por oito meses, o que representou sua consagração internacional. A partir de 1740, a sua atividade como compositor diminuiu. Morreu em Hamburgo, no dia 25 de junho de 1767, aos 86 anos de idade.
É autor de 40 óperas, 12 séries de cantatas para todos os domingos e festas do ano, 46 paixões, 600 aberturas à francesa, inúmeros oratórios, obras incidentais e música de câmara.
Domenico Scarlatti
Giuseppe Domenico Scarlatti nasceu em Nápoles, a 26 de outubro de 1685, exatamente no ano que nasceram Bach e Haendel. Seu pai, Allessandro Scarlatti, então com 25 anos e com seis filhos, já se firmara como compositor fecundo e rapidamente se aproximava da fama como operista.
Desde criança, Domenico conviveu com a música, recebendo lições de seu pai e sofrendo influência de outros membros da família: o tio Francesco era violinista,o tio Tomaso era tenor, a tia Anna Maria era cantora; o tio Niccoló também era músico. Em sua própria geração, seu irmão mais velho, Pietro, tornou-se compositor e a irmã Flamínia era cantora.
Pouco antes de completar dezesseis anos, Mimo (era seu apelido em casa) conseguiu seu primeiro emprego como músico profissional, como organista e compositor na Capela Real de Nápoles.
Quando tinha vinte anos, seu pai o enviou para Veneza, um grande centro cultural, para se aperfeiçoar em seus estudos com o famoso operista e pedagogo Francesco Gasparini, diretor do "Ospedale della Pietá", orfanato e colégio para meninas, onde trabalhava também Antonio Vivaldi, o "Padre Ruivo". Nesta época, escreveu seu tratado "L’Armonico Pratico al Cembalo" (Prática e Harmonia ao Cravo).
Neste mesmo período conheceu o compositor Haendel, contato que durou pouco tempo, mas mantido posteriormente por correspondência, em uma grande amizade.
No final de 1713, por influência do pai - ao que parece - Scarlatti assumiu o posto de diretor musical da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Permanecendo até 1719, escreveu muitas missas e algumas óperas, partituras que se perderam na maioria, com o tempo.
Da mesma época datam as relações de Domenico com o embaixador de Portugal em Roma, o Marquês de Fontes, que, graças ao ouro do Brasil, mantinha uma corte luxuosa. Com isso, estabeleceram-se as primeiras ligações do compositor com Portugal, o que, alguns anos mais tarde, mudariam completamente os rumos de sua vida e sua arte.
Em 1720 o compositor foi para Portugal, ficando pôr vários anos. Dom João V, o soberano português, mantinha uma das mais ricas cortes de todo o mundo. Amante da pompa e do luxo, Dom João V deu ao compositor todas as condições para que o seu trabalho fosse o mais rico possível. Scarlatti tinha ao seu dispor mais de trinta cantores e tantos outros instrumentistas, a maior parte italianos. Além de ser o diretor musical e compositor da corte, tornou-se professor de cravo da princesa Maria Bárbara de Bragança, uma menina de dez anos. Sob a direção de Scarlatti, pôr sua vez, tornou-se uma hábil intérprete e ligou-se ao compositor pôr toda sua vida. Casando-se com o herdeiro do trono espanhol, em janeiro de 1729, fez absoluta questão de levar Scarlatti para Madri.
Scarlatti somente casou-se após a morte de seu pai. A morte de Alessandro causou uma verdadeira revolução na vida do compositor. O pai, músico muito mais famoso que ele, tinha um temperamento dominador, exercendo sobre o filho uma função castradora. Enquanto Alessandro vivia, Domenico dedicou-se ao mesmo tipo de composição do pai, mas nunca conseguiu superá-lo. Após sua morte, Domenico procurou seu caminho, dedicando-se cada vez mais às composições para teclado. No plano pessoal é significativo o fato do compositor só ter se casado depois do falecimento do pai. Isso ocorreu em Roma,quando Domenico já contava com 43 anos de idade. A esposa era uma jovem romana de 16 anos, Maria Catalina, que lhe deu cinco filhos, todos nascidos na Espanha.
Na Espanha se iniciou a fase mais brilhante de sua carreira de compositor. Vivendo nos palácios reais de Sevilha, Madrí e arredores, mas também junto ao povo das ruas, Scalartti absorveu toda a cultura espanhola e tornou-se um verdadeiro espanhol. Além do cotidiano contato com a princesa, foram muito importantes as relações com Carlo Broschi, famoso castrato italiano conhecido como farinelli, diretor musical da corte e o mais conhecido cantor do século XVIII. Farinelli dirigia todos os espetáculos da faustosa corte espanhola e o seu relacionamento com Scarlatti foi sempre o melhor possível.
Outro contato importante foi o que Scarlatti manteve com o padre Antônio Soler, 44 anos mais moço que ele e sobre o qual o compositor exerceu profunda influência. Soler escreveu grande número para cravo e publicou, em 1762, um tratado intitulado Chave de Modulação, onde expunha os métodos de suas caprichosas modulações - as mesmas que se encontram nas obras de Scarlatti.
Da vida íntima do compositor quase nada se sabe. Em 1739, sua esposa faleceu e ele, pouco tempo depois, casou-se outra vez, com uma espanhola, Anastásia Maxarti Ximenes, que lhe deu mais quatro filhos. Todos formavam uma família feliz, sem maiores problemas, a não ser alguns dissabores causados pelo único vício do compositor: o jogo. O inveterado jogador gastava noites e noites em apostas dos mais variados tipos, perdendo grandes somas nestas atividades...mas a Rainha Bárbara vinha sempre em seu socorro e pagava suas dívidas.
Doente, já setuagenário, Domenico passou os últimos cinco anos recluso em casa. E, pouco antes de morrer a 23 de julho de 1757, fez um testamento onde pagava, antecipadamente, a realização de cinqüenta missas para os pobres.
SUA OBRA
Praticamente toda a obra de Scarlatti composta na Itália se perdeu, restando apenas alguns libretos de ópera e fragmentos de partituras. Sua produção portuguesa se perdeu no célebre terremoto de primeiro de novembro de 1755, em Lisboa.
De modo igual, das cerca de 555 sonatas para cravo - a parte principal da obra de Domenico - não sobrou nenhum manuscrito autógrafo; somente cópias feitas na época pôr outros músicos.
Scarlatti criou uma das mais originais obras do século XVIII e uma das mais importantes da literatura para teclado. Virtuose sem rival - pela técnica e brilho que extraía do cravo - libertou o instrumento das limitações. Introduzindo saltos e harpejos extensíssimos, notas de passagem dupla, cruzamento de mãos e rápidas repetições de notas, Scarlatti fez avançar a técnica do teclado a tal modo que, um século depois - com Chopin e Liszt - surgiriam inovações de grande importância.
As sonatas compostas em sua "fase virtuosística"contém dificuldades somente superadas com muita maestria técnica. Embora o autor tenha prometido compor peças de fácil interpretação, estas sonatas estão cheias de acrobacias...o seu gosto pôr estas proezas acrobática decorria tanto de seu amor ao instrumento e de sua alegria em tocá-lo, quanto uma nítida tendência exibicionista. É tal sua ânsia neste sentido que, parece que todo o corpo do intérprete é chamado a participar. Os mais fantásticos cruzamentos de mãos são encontrados nestas sonatas.
O Scarlatti da maturidade é encontrado a partir de 1752. O compositor mostra-se mais lírico e , até certo ponto, introvertido. Suas peças são temperadas com uma certa doçura e refinamento, e muitas delas são em movimentos mais lentos.
Arcanjo Corelli
Arcângelo Corelli nasceu no dia 17 de fevereiro de 1653 em Fusignano, cidade localizada entre Bolonha e Ravena. Descendia de uma das mais ricas e tradicionais famílias da região.
Foi enviado muito cedo para Faenza onde recebeu educação básica e onde teria recebido as primeiras lições de música de um padre. Continuou os estudos em Lugo e, depois mudou-se para Bolonha, em 1666.
Em Bolonha o jovem Corelli se familiarizou com o violino e resolveu dedicar-se inteiramente a ele. Com Giovanni Benvenuti e Leonardo Brugnoli ele adquiriu os elementos essenciais da técnica violinística. Após quatro anos de estudos, Corelli foi admitido na Academia Filarmônica de Bolonha.
Em 1675, ele já estava em Roma. Nesta época, os nobre de Roma rivalizavam-se em pompa ao patrocinar apresentações artísticas. Entre os grandes mecenas, destacava-se Cristina Alexandra, que se fixara em Roma depois de abdicar de seu trono na Suécia, em 1659. Músicos, poetas, filósofos reuniam-se ao redor dela em seu palácio, e era uma honra ser convidado para suas festas. Cristina fundou a Academia da Arcádia - a sociedade musical mais fechada da Itália - onde Corelli seria recebido em 1709.
Aos 36 anos, e após a morte de Cristina da Suécia, Corelli passou a trabalhar para o Cardeal Ottoboni, seu maior protetor e grande amigo. Homem liberal e apaixonado pelas artes, Ottoboni possibilitou livre trânsito a seu protegido, fornecendo-lhe o tempo e as condições necessárias para que ele elaborasse suas obras com absoluta tranqüilidade.
Sua fama se expandia e estudantes de música vinham de longe para aprender com ele. Corelli já se firmara como um dos nomes importantes da música instrumental.
Corelli morreu durante a noite de 8 de janeiro de 1713. Estava só. Desolado, o Cardeal Ottoboni mandou embalsamá-lo e colocá-lo em um triplo ataúde, feito de chumbo, de cipreste e de castanheiro, e enterrou-o no panteão de Roma, reservado apenas aos pintores, arquitetos e escultores, membros da Artística Congregazione dei Virtuosi al Pantheon.
Alessandro Scarlatti
Mestre-de-capela da rainha Cristina da Suécia, em Roma, desde 1680, Alessandro Scarlatti transferiu-se para Nápoles em 1685, ano de nascimento de seu filho Domenico Scarllatti , a fim de ocupar o posto de mestre-de-capela do vice-rei espanhol, a quem estava subordinada a cidade. Depois disso, trabalhou para a corte dos Médici, em Florença, e para o Cardeal Ottoboni, em Roma. Em 1708, regressou a Nápoles, que seria o centro de sua atividade até o fim de seus dias.
Fundador da escola operística napolitana e criador de uma linguagem musical que se encontra na base do Classicismo, sua influência foi sentida até por Mozart. Sua vasta produção inclui cerca de 115 óperas, mais de 600 cantatas, serenatas, oratórios, missas, motetos, uma Paixão Segundo São João, peças de câmara, tocatas e diversas peças para cravo, 12 Sinfonie di Concerto Grosso (1715), sonatas e obras teóricas.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Friedrich Handel
Georg Friedrich Haendel nasceu em Halle, Alemanha, a 23 de fevereiro de 1685 e era filho de Georg Haendel, cirurgião-barbeiro do Duque de Saxe. O velho Georg, embora não fosse insensível à música, não recebeu muito bem o interesse do garoto por esta arte: queria fazer de seu filho um advogado, profissão honrada e segura.
Seu pai ia com freqüência a Wersenfels e certa vez levou o filho. Ao notar o interesse do menino pela música, o Duque João Adolfo aconselhou o pai a contratar um professor de música. Assim o cirurgião contratou Wilhel Zachau, excelente músico, que passou a dar aulas ao menino: órgão, cravo, violino, oboé e fundamentos de Harmonia. Mas com uma condição: Haendel prometeu que estudaria Direito.
Em 1696, aos doze anos, escreveu suas primeiras sonatas para oboé e cravo.
Com a morte de seu pai em 1697, Haendel decidiu-se pelo curso de Direito. Em memória do velho Georg. Entrou para a Universidade de Halle em 1702. Sem abandonar a música,dividia-se entre os estudos jurídicos, as funções de organista e as de professor do ginágio.
Um ano após, abandonou a faculdade, seu emprego e seu alunos e foi embora para Hamburgo, onde conseguiu emprego como segundo violino e cravista do teatro. Compôs as óperas Almira e Nero, de grande sucesso. A fama veio rápida e novos alunos o procuravam. Com a falência do teatro de Hamburgo, Haendel partiu para a Itália, em 1706.
Em 1707 apresenta sua primeira ópera em italiano, Rodrigo, em Florença, com êxito. Este sucesso animou-o a prolongar sua viagem até Veneza, um grande centro musical, onde travou conhecimento com o Príncipe Ernest de Hanover e fez amizade com Domenico Scarlatti.
De Veneza, Haendel e Scarlatti, ambos com 23 anos, partiram juntos para Roma, onde ecos do sucesso de Rodrigo levaram os mecenas a disputarem a oportunidade de receber seu autor.
No mesmo ano foi a Nápoles, onde encontrou a mesma acolhida encontrada em Roma. Nesta época teve um romance com uma certa Dona Laura, de quem se conhece apenas o prenome e que deve ter sido uma princesa espanhola. Em 1709, de volta a Veneza, escreve a ópera Agrippina.
No início de1711 viajou para a Londres, aceitando um convite.
Após a morte de Purcell a música inglesa não se desenvolvera. Por esta causa, tudo era importado da Itália: partituras, libretos e até músicos. Desta maneira ele foi muito bem recebido pela corte inglesa. Em retribuição, escreveu a ópera Rinaldo.
Teve também muito sucesso, mas precisou voltar a Hanover por causa de seus contratos. No final de 1712, Haendel voltou a Londres, com a "condição de voltar logo" a Hanover.
No ano de 1714 tornara-se compositor da corte inglesa, com vencimentos que lhe permitiam luxos e aplicações em sociedades comerciais. Vivia em situação delicada porém: permanecer na Inglaterra significava tomar partido, já que as relações entre a Rainha Anne e seus primos de Hanover eram pouco cordiais. Mas ele não se preocupou com acusações e deixou Hanover.
Em 1719, a prosperidade econômica da Inglaterra favoreceu a fundação da Academia Real de Música, onde Haendel foi contratado como diretor. Neste ambiente ele tomou conhecimento da vida dos bastidores e conheceu a rivalidade das grandes vedetes, indisciplinadas o orgulhosas, na maioria italianas, que precisava selecionar. Saiu-se mal: como músico teve seu prestígio abalado pelo sucesso instantâneo de Bononcini; como empresário, não conseguiu controlar a disputa entre castrati e prime donne, cujo furor chegava às platéias, onde também se tomava partido. Essa situação culminou em 1726 quando as cantoras Faustina Bordoni e Francesca Cuzzoni - rivais em virtuosismo e vivendo papeis rivais na ópera Alessandro de Haendel - acabaram pôr se atracar em cena, para o delírio da platéia e a irritação de Haendel.
Apesar dos esforços do compositor, a instituição foi dissolvida em 1728. Em 1733, Haendel teve que sustentar a oposição liderada pelo Príncipe de Gales e a concorrência de seus protegidos. Dois anos depois, com o fortalecimento do movimento nacionalista, muitos estrangeiros foram embora. A maioria dos artistas italianos que trabalhavam com Haendel partiram. Até 1733 ele trabalhou muito, compondo o oratório Esther e muitas óperas.
Assoberbado de trabalho, esgotado e cheio de preocupações, Haendel sofre um ataque de apoplexia que lhe imobilizou o lado direito, obrigando-o a um período de descanso em uma terma. Alguns meses mais tarde estava de volta a Londres, dizendo-se recuperado. Retornou a seu antigo ritmo de trabalho e logo estava sobrecarregado novamente: óperas, concertos, a publicação de obras, o projeto de reunir uma nova equipe de artistas e a fundação da "Sociedade de Ajuda a Músicos Pobres. Mas estava sempre beirando à falência. Apesar das dificuldades financeiras, Haendel conservava o seu prestígio e, ainda em 1738 publicou seus seis Concertos para órgão Opus 4.
Magoado, Haendel foi para a Irlanda e lá encontrou calor, reviu amigos e deu inúmeros concertos. Apresentou seu oratório mais famoso, O Messias, que dedicou aos irlandeses.
Em 1746, pôr ocasião de uma tentativa de invasão à Londres, pôr parte do escocês Charles Edward, que pretendia tomar o poder, Haendel uniu-se aos patriotas ingleses, compondo o "Hino para os Voluntários de Londres". Após a derrota das tropas de Edward, Haendel escreveu "A Song of Victory over Rebels".
Estas obras restituíram-lhe a popularidade. Após 35 anos a serviço da Inglaterra, Haendel consagrava-se, finalmente, como seu compositor nacional.
Em 1749 ele passa a dedicar parte de seu tempo ao Foundling Hospital, fundação para a educação de crianças abandonadas. Contribui com apresentações de concertos e ocupa-se pessoalmente do repertório musical desta instituição.
Mas, quando compunha o oratório Jephtah, sente os primeiros indícios da cegueira que acabaria pôr acometê-lo em 1753.
Profunda tristeza se apossa do velho "Urso Branco", e apenas o reconfortam as notícias de que seus oratórios, em particular O Messias, alcançam grande sucesso.
Em 6 de abril de 1759, o compositor se apresenta pela última vez em público. Estava com 74 anos e precisava descansar.
No dia 11 de abril, o compositor, acamado, confessa desejar morrer na Sexta Feira Santa. Mas morre no dia 14, Sábado da Ressurreição, e toda a Inglaterra chora. É enterrado na Abadia de Westminstes no Canto dos Poetas.
De todas as obras de Handel, o Messias é a mais famosa. Handel compôs esse Oratório durante o verão de 1741 em apenas três semanas. Apesar da rapidez com que costumava trabalhar, podemos observar o vigor de um processo criativo fora do comum, cujo fruto foi uma magnífica obra de arte.
Pouquíssimas pessoas não conhecem o Messias, ou não escutaram e cantaram uma vez ou outra pelo menos um de seus coros. São muitas as razões que o levam a ser considerado a obra musical mais popular no mundo inteiro; o Messias é para os oratórios o que é "E o Vento Levou" para o cinema.
A cada ano no Natal e na Páscoa o mercado é inundado com execuções de o Messias, que já recebeu arranjos para tudo, desde oito pianos de cauda a piccolo com acompanhamento de bandolim, bem pode-se imaginar o efeito que isto tem no " Hallelujah Chorus".
O Messias costuma ser executado com um coro de centenas de integrantes, Handel, porém, não pensava em mais de 60 pessoas, incluindo coro, orquestra e solistas. Por conveniência, atualmente a obra é dividida em duas partes, com um intervalo inserido no meio da Paixão. Handel organizou seu Oratório com um tríptico:
Parte I - apresenta a Profecia e o nascimento de Jesus, a parte II é a paixão culminando no "Hallelujah Chorus" e a parte III traz o tema da Redenção.
Como a obra completa leva cerca de 2:16 hs, colocaremos abaixo somente algumas música midi.
Parte I
A obra se inicia com uma Sinfonia. Trata-se de uma breve abertura,isto é, introdução lenta e marcada, com caráter grave, seguida de um movimento allegro.
Nesse recitativo Comfort ye my people, ocorre o primeiro contraste em que a inquietação dá lugar à esperança "Consolai oh meu povo, diz o vosso Deus. Anunciai a Jerusalém que a sua servidão terminou".
O acompanhamento do Baixo, Thus saith the Lord introduz o segundo contraste ao anunciar a chegada da catástrofe e calamidades "breve farei tremer os céus e terra, os mares e os continentes e chegará então o consolo para todos os povos; O Senhor a quem buscais virá ao seu tempo".
And the glory of the Lord. Nesse coral Handel colocou todo o versículo de Isaías,40,5. "Porque vai ser revelada a glória do Senhor e todos os povos verão aquilo que Deus, nosso Senhor prometeu".
But who may abide. A peça começa suave, tornando-se nervosa e exaltada na segunda central quando se refere ao fogo purificar.
And the shall purify O jogo dialogante das vozes, de grande suavidade, lembra o estilo de um duetto vocal,( e Ele purificará os filhos de Levi).
Behold, a virgin. Inicia-se com uma terna recitação anunciando a chegado do menino Jesus.
For unto us a child. Esse coral é uma das jóias do oratório."Pois nasceu uma criança entre nós, um filho foi-nos dado e sobre Seus ombros recairá a soberania".(Isaías,9,6.)
Glory to God. Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade (Lucas, 2,13-14).
His yoke is easy Esta parte suave,termina com um final adequado ao texto "Seu jugo é suave e sua carga leve" (Mateus,11,30).
Parte II
Behold the lamb. A segunda parte começa com um coro patético que anuncia a imolação do cordeiro. "Eis o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo" (João,1,29).
Surely he hath borne , nesse coro a orquestra introduz dramaticamente expressando com fortes acentos o martírio de Jesus "Certamente foi Ele quem levou sobre si nossos sofrimentos e dores".
All we like sheep, é uma soberba criação, a orquestra repete insistentemente uma nota, ostinato, como figura de acompanhamento, expressando o espírito que se afasta de Deus.
Behold and see if there, Nessa recitação é relembrado o seu sofrimento pelos pecados dos homense que, mesmo assim, não abandonou as suas almas. "Olhai e vê se há dor comparável a esta que me atormenta"(Lament.1,12)
O coro Lift up your heads é outra das joias. Introduzido pela orquestra, com grande vigor, o coro entoa uma grande marcha triunfal sobre a morte e o pecado.
Thou art gone up on high, nessa bela ária que foi composta para soprano, em algumas interpretações utiliza uma adaptação para baixo, a ária apresenta um acompanhamento rítmico e com um tom de decisão.
Numa brevíssima recitação do tenor,Unto which of the angels, introduz o coral com uma impressionante vitalidade.
O coral Let all the angels é um ritual que se apresenta sem contraponto, ou seja, com escrita homofônica ao invés de polifônica.
The Lord gave the word. A louvação continua com a entrada vigorosa do coro, onde a agilidade e a articulação das vozes são postas a prova.
Why do the nations. A orquestra e o baixo irrompem violentamente, com grande efeito teatral num concitato(agitato nervoso) que questiona o por que das nações lutarem entre si.
Assim, chegamos ao coro Allelujah, mais representativo do Oratório e de toda a obra de Handel. Um canto inflamado que festeja o conflito superado, cujo acento afirmativo deriva da simples repetição das notas cada vez mais agudos, sobre as palavras "King of Kings, and Lord of Lords".
Parte III
I Know that my Redeemer liveth. A soprano abre a terceira parte da obra com uma ária afável em ritmo de minueto."Eu sei que o meu Redentor vive e que se levantará sobre a terra no último dia"(Jó,19,25-26).
O coro seguinte Since by man came, plasma um grande efeito a dicotomia entre a vida e a morte, o pecado e a ressureição. "E como em adão morremos todos, assim em Cristo todos ressuscitaremos" (I coríntios, 15, 21-12).
A segunda ária mais extensa por conta do baixo Behold, i tell you a mystery e ao soar a trobeta, com a músicaThe trumpet shall representa a ressurreição dos mortos.
If God be for us, hho can be aginst us? Nessa última ária é um auto de fé com acompanhamento do violino.
Worthy is the lamb. "Digno é o cordeiro, que foi sacrificado para redimir-nos" (apoc., 5,12) Assim, o Messias encerra-se magistralmente, como se fosse uma grande antífona.
http://www.avaxhome.ru/music/handel_messiah_arias_choruses_pinnock.html
http://www.classicistranieri.com/dblog/articolo.asp?articolo=6962
http://rapidshare.com/files/21313951/Handel__Ode_For_St_Cecilia_s_Day.rar
http://rapidshare.com/files/36174544/Handel-ViolinSonatas-1.rar
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Antonio Vivaldi

Sem dúvida, um dos autores mais conhecidos e populares da história da música é o veneziano Antonio Vivaldi (1678-1741), que simboliza a essência da música barroca italiana.
Primogênito dos sete filhos do violinista Giovanni Battista Vivaldi e de Camilla Calicchio, já aos dez anos preparava-se para a vida religiosa e já tocava violino sob a orientação do pai.
Ordenado padre, aos 25 anos, Vivaldi não exerceu o sacerdócio por muito tempo, sob a alegação de um mal que o acometera desde pequeno, um mal, aliás, nunca bem definido.
Neste mesmo ano, o "Padre Ruivo", é contratado como professor de violino no Ospedalle della Pietà, um orfanato para meninas, e em 1705 tornou-se diretor deste estabelecimento.
Entretanto, sua doença não o impedia de compor, viajar, tocar e reger. Essa pouca vocação para o serviço religioso não passara despercebida ao pai, Mas, conhecedor da política artística de Veneza e da influência da Igreja, Giovanni viu no hábito eclesiástico a garantia do futuro do filho.
A doença não foi um empecilho para se tornar um virtuose do violino, para dedicar-se às aulas no Ospedalle della Pietà, para compor centenas de obras e, finalmente, exercer a cansativa e movimentada vida de empresário da ópera.
Como empresário ele resolvia as questões financeiras do teatro, contratava cantores, organizava os ensaios, etc... Revelou-se um intrépido homem de negócios, mais audaz e menos escrupuloso do que convinha a um sacerdote. Mas, quase clandestina, essa atividade seria deliberadamente ofuscada pela de maestro de della Pietà, título que Vivaldi sempre fez questão de ostentar em todas as suas partituras.
Além desta vida de empresário, Vivaldi era sempre visto com um grupo um tanto estranho para um padre: Annina, sua cantora de ópera favorita; Paolina, a irmã; a mãe das duas cantoras e mais outras duas outras moças. Isso fez com que surgissem muitos comentários nas cidades onde sua companhia de ópera se apresentava.
A partir de 1725, por um período de dez anos, seu nome desaparece dos arquivos do Ospedalle della Pietà. Até 1728 isso deveu-se à intensa atividade de Vivaldi nos palcos venezianos e estrangeiros; de 1728 a 1731, o compositor esteve ausente do cenário musical italiano.
Em 1741 retoma suas atividades em Veneza, onde monta a ópera Griselda, de Zeno e Pariati. Nomeado Maestro de Concerti do Ospedalle, assume oficialmente as funções que exercia de fato desde 1723.
No ano de 1740 parte para uma nova tournée pelo norte da Europa. Em 1741, em Viena, no dia 28 de julho, morre vítima de gangrena, ao lado de sua amiga Annina.
Vivaldi é conhecido, sobretudo, como o autor de As Quatro Estações, pequena mostra de um amplíssimo corpus de música instrumental e agrupações de seu tempo. Todavia, não devemos esquecer que Vivaldi pertencia ao clero regular, por isso, deixou-nos um número nada desprezível de Obras destinadas a liturgia, (cerca de cinqüenta obras) número pequeno se comparado a 442 concertos catalogados e cerca de quarenta Óperas.
Acredita-se que quase toda a sua produção musical fosse destinada às internas do Pietá, onde contava com um conjunto musical permanente que lhe permitiu experimentar toda a sorte de combinações instrumentais e vocais.
Completamente esquecido durante dois séculos após sua morte, tornou-se, no segundo período pós-guerra, um dos compositores de música erudita mais apreciados em todo o mundo.
Em sua música religiosa, Vivaldi se vale de recursos dramáticos e poéticos que nunca havia utilizado em sua virtuosa música instrumental profana.
Recentes investigações musicais, sobre composições vocais de caráter religioso, revelam um aspecto pouco conhecido que esconde autênticas jóias musicais e boa parte de sua melhor música.
Como exemplo podemos verificar que o esplêndido Glória em RÉ Maior RV589, um de seus trabalhos mais conhecidos, é um extenso conjunto de doze partes nas quais, combinando diferentes instrumentações, tempos e estilos, cria-se um contraste de sensações que alternam riqueza e variedade.
Dois sopranos, contralto, coro, dois oboés, duas trombetas, corda e continuo são os elementos que Vivaldi utilizou para transmitir toda a sua grandiosidade.
Desde o começo, os contundentes acordes que abrem o "Glória in Excelsis Deo" e as brilhantes figuras dos violinos nos submergem no inconfundível universo vivaldiano: um universo repleto de sentimento, alegria e luminosidade, algo muito distante do caráter severo ou da tenebrosa religiosidade de Bach e Handel.
O "Et in terra pax", interpretado também pelo coro, transporta-nos a um cenário completamente diferente; o tom menor e a doce atmosfera, delicadamente melancólica, sugerem uma paz mais desejada que verdadeira e assombrará aqueles que estão acostumados a um Vivaldi mais radiante e despreocupado. Talvez seja esta a página mais bela de todo o "Glória"
O "Laudamus te" , dueto de sopranos , é outro sublime exemplo da genialidade e da fertilidade harmônica de Vivaldi. No entanto, onde a sua originalidade criadora realmente impressiona é no "Gratias agimus tibi " e no "Propter magnam gloriam tuam", os quais quase funcionam como "introdução e fuga". O coro se transforma num sublime instrumento, que se introduz na orquestra com a mesma precisão que a de um delicado mecanismo.
No "Domine Deux", a segunda soprano, acompanhada por um belíssimo oboé obligato, entoa com devoção e pureza uma melodia inesquecível e que permanece na memória.
O abrupto contraste do "Domine Fili inigente" devolve-nos brevemente a um estilo despreocupado, que culmina no desolado diálogo que se estabelece entre a contralto e o coro nos três atos seguintes: Domine Deux, Agnus Dei; Qui tollis; Que sedes.
Em seguida, recupera-se a atmosfera melancólica, através do arrulho do baixo contínuo que mantém a seqüência dos atos.
O ímpeto violento do "Quoniam tu solus sanctus" parece voltar ao princípio do Glória, sendo que a repetição textual dos primeiros compassos é apenas um modo de evitar que a obra desmorone pela reiterada quebra de tonalidade, instrumentação e estilo.
A vigorosa e controvertida entrada do "Cum sancto Spiritu" é um exemplo perfeito da despreocupação com que os maestros utilizavam as composições de outros colegas em benefício próprio. No caso de Vivaldi, tal procedimento é realizado com tanta maestria que se deve render-lhe homenagem : o "Glória" foi adaptado de seu colega, o maestro Giovanni Maria Ruggieri.
As Quatro Estações, Opus 8
Nº 1- A Primavera em Mi, RV 269
Allegro
Largo
Allegro
Nº 2 - O Verão em Sol. RV 315
Allegro non molto
Adagio
Presto
Nº 3 - O Outono em Fá, RV293
Allegro
Adagio
Allegro
Nº 4 - O Inverno em Fá, RV 297
Allegro
Largo
Alegro
Sonata nº 3 em Lá para Cello e Piano
Largo
Allegro
Largo
Allegro
Concerto Grosso em Ré para dois Violinos, Cordas, Opus 3 nº 11
Sonata nº 3 em LÁ para Cello e Piano
Largo
Allegro
Largo
Allegro
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Johann Sebastian Bach
Johann Sebastian Bach nasceu em 21 de março de 1685 na cidade de Eisenach na Alemanha do Norte. Havia cerca de dois séculos que a sua família vinha a produzir hábeis músicos, organistas municipais e músicos de banda. reputação musical da família era de tal forma que, naquela região, o nome Bach servia para designar um músico. Bach ficou órfão aos dez anos, tendo ido morar com seus irmão mais velho, que invejoso do seu talento não lhe permitia que tocasse sequer na coleção que possuía de peças avançadas para órgão.
Aos quinze anos decidiu abandonar a casa do irmão e prover seu próprio sustento. A sólida cultura musical que adquirira lhe permitiu lançar-se no mundo, em 1700, mudando-se para Lüneburg. Lá enriqueceu seus conhecimentos em literatura, filosofia, línguas e teologia. E teve a oportunidade de entrar em contato com a cultura francesa, verdadeira mania naquela cidade de intensa vida cultural.
Após três anos em Lüneburg, Johann concluiu seus estudos. Tendo perdido sua bela voz juvenil na adolescência, já não podia contar com o salário do coro. Era preciso arranjar outro emprego.
Aos 18 anos foi nomeado organista da nova igreja de Arnstadt. Bach, nesta época um jovem de aparência refinada e precocemente responsável, tinha uma personalidade forte e independente e insistia em manter uma mulher no coro - sua prima Maria Barbara - contrariando os regulamentos da Igreja e irritando a congregação. Em vista disto o músico se viu obrigado a pedir demissão em 1707. Neste mesmo ano foi nomeado organista da igreja de São Brás na cidade de Mülhausen e casou-se com Maria Barbara.
No ano seguinte foi aceito como organista e membro da orquestra da corte do Duque de Weimar. Nesta cidade Bach encontrou a atmosfera que desejara: não havia culto sem música e o órgão era instrumento indispensável.
A sua fama espalhou-se de tal modo que, certa vez ao tocar incógnito no humilde órgão de uma igreja aldeã, o organista local exclamou, assombrado: Isto só pode estar a ser tocado por um anjo do céu, ou pelo próprio Bach...
Bach era um homem feliz, tinha um cargo honroso, recebia boa remuneração e sua casa vivia cheia de alunos. Além disso aguardava o nascimento do primeiro filho. E como gozava de uma certa liberdade para viajar, aos poucos seu nome como grande organista ia ganhando fama pelas cidades vizinhas.
Em 1716 , com a morte do velho mestre de capela Johann Samuel Drese, vagou-se o posto, cargo que deveria ser ocupado por Bach. O Duque, no entanto, nomeou o filho do falecido, mesmo sabendo que se tratava de um profissional medíocre. É provável que, ao fazer esta escolha, o Duque tenha levado em consideração a amizade de Bach pelo aluno Ernest August, sobrinho do Duque e inimigo político.
Aborrecido com isso e tentado pela oferta do Príncipe Leopold, que admirava o seu talento e estava precisando dos trabalhos de um músico, Bach pediu permissão para deixar Weimar. Mas o Duque, ou querendo punir o organista rebelde, ou porque temesse perder os serviços do brilhante músico, recusou o pedido. E como Bach insistisse em sua decisão, o Duque não teve dúvidas em colocá-lo na prisão, sem submetê-lo a processo. Bach utilizou os trinta dias em que esteve preso para terminar seu "Pequeno Livro para Órgão".
Ao sair da prisão, em dezembro de 1717, partiu imediatamente para Köthen com sua família já com quatro filhos vivos, sendo nomeado mestre de capela da corte do Príncipe Leopold. Bach adquiriu tal virtuosismo no órgão, que lhe ofereceram trabalho na corte de Weimar, onde trabalhou por nove anos. Ali, escreveu as sua famosas Tocatas para órgão, assim chamadas devido a destreza requerida.
O período de Köthen foi um dos mais felizes de sua vida. Em 1720 , contudo, uma tragédia veio abalar a vida tranqüila dos Bach. Em agosto, ao regressar de uma longa viagem, Bach veio a saber que Maria Barbara falecera, deixando os filhos de doze, dez, seis e cinco anos. A Köthen que lhe dera tantas alegrias passou a ser difícil de suportar sem a esposa que adorava.
Mas a sua fé em Deus e sua música não o deixavam abater-se por completo. E foi através da música que se aproximou da soprano Anna Magdalena Wilcken, de 20 anos, com quem se casaria depois. A bela e doce Anna Magdalena, que lhe daria mais treze filhos, trouxe de volta a alegria à casa, que vivia cheia de amigos.
Mas a vida musical em Köthen foi se enfraquecendo e Bach mudou-se para Leipzig, grande centro cultural, assumindo o cargo de Kantor. Ser Kantor significava encarregar-se de toda a música da igreja, bem como da direção e das aulas de latim da escola anexa. A isso se somavam as funções de diretor musical de todas as outras igrejas da cidade.
A Escola de São Tomás, em Leipzig, encontrava-se em decadência na época em que Bach assumiu sua direção. Além disso, lecionar para jovens sem talento e mal educados não correspondia ao que Bach considerava sua verdadeira vocação: compor e tocar.
Em Leipzig suas composições eram recebidas com indiferença, o que causava decepção e tristeza. Bach suportou isso pôr 25 anos. Consolava-o o título de diretor musical, tão sonhado e que o obrigava a compor toda a música sacra da cidade.Trabalhava sem parar. A cada semana, uma cantata nova. Sofre com humilhações diárias, falta de verbas e péssimas condições de trabalho. A partir de 1740, afasta-se gradativamente da direção da escola. Deixa também de compor música sacra e volta-se para a música instrumental novamente.
Em 1747, aos 62 anos, vai a Potsdan, à convite do rei Frederico II, onde improvisou ao cravo. Foi seu último triunfo como intérprete.
A idade já mostra seus efeitos. Corpulento e pesadão, anda com vagar, embora suas mãos grandes conservassem a flexibilidade da juventude.
Infelizmente, o esforço que durante tantos anos despendeu a compor, a estudar e a tocar pela noite, fora o que escrevia durante o dia, arruinou a sua vista. Já débil, ainda alimentou algumas esperanças de recuperação quando consultou um famoso oftalmologista inglês que o submeteu a duas operações. Ambas foram um insucesso, pelo que Bach acabou por ficar totalmente cego e com a saúde fortemente abalada.
Mas isso não o deprime. A consciência do dever cumprido lhe dá serenidade. Incansável, dita a um de seus alunos o último coral: "Senhor, Eis-me Diante de Teu Trono".
Dia 18 de julho de 1750: por um momento Bach recupera a visão. Pouco depois, porém, é acometido de um ataque de apoplexia. Morre dez dias depois. Ao seu lado, como sempre, Anna Magdalena.
Foi necessário um século para que o mundo pudesse conhecer em toda sua plenitude a obra do Mestre de Eisenach. Somente em 1819, com a apresentação do seu Oratório "A Paixão Segundo São Mateus", dirigida por Mendelssohn, é que ocorreu o renascimento de Bach para a posteridade.
A música de Bach, com sua serena e perturbadora beleza, faz com que nos sintamos mesquinhos e insignificantes.
A arte quando é autenticamente grande, ultrapassa os limites da razão. É o que acontece com A paixão segundo Mateus.
Poucas vezes pode-se atingir um nível tão alto na arte de todos os tempos. A paixão segundo Mateus é para a música o que o Dom Quixote é para a literatura. Isto quer dizer que estamos diante de uma das partituras mais belas, profunda e geniais de toda a história da música. Tão grande e tão elevada é esta música, que o seu impacto sobre a sensibilidade do homem contemporâneo, dois séculos e meio depois da sua concepção, é ainda significativo.
Somente obras como a Missa em si menor ou a Grande Paixão, com sua quase sobrenatural inspiração, com sua dilacerante e sincera humildade, podem apelar, tão intensamente aos sentimentos mais íntimos e recônditos do ser humano.
Bach escreveu a Paixão segundo Mateus no momento em que sua experiência e criatividade tinham alcançado o seu ponto culminante. Os longos e disciplinados anos de estudo e trabalho aos que se submetera lhe permitiram por em prática os mais variados gêneros musicais de sua época, e lhe proporcionaram as ferramentas necessárias para poder construir um dos maiores monumentos à inspiração humana.
Abaixo colocamos algumas midis dessa grande obra, bem como outras não menos interessantes...
A Paixão Segundo Mateus.
Aus liebe will mein
Blute nur du liebes
Erbarm dich mein
Gebt mir meinen
Herliebster Jesu
Konnen tranen meiner
Sonata em sol para flauta e orquestra, BWV 1020 1º movimento.
Sonata em sol para flauta e orquestra, BWV 1020 2º movimento.
Sonata em sol para flauta e orquestra, BWV 1020 3º movimento.
Concerto para duas harp em dó, BWV 1062.
Ave Maria.
Suite orquestral nº 2 em si menor, BWV 1067-Bandinerie.
Cantata 147- Jesus alegria dos homens.
Pequena fuga e prelúdio em mi, BWV 555.
Concerto italiano, BWV 971.
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♫ ♫ Educação Musical ♫ ♫
Educação Musical é a educação que oportuniza ao indivíduo o acesso à música enquanto arte, linguagem e conhecimento. A educação musical, assim como a educação geral e plena do indivíduo, acontece assistematicamente na sociedade, por meio, principalmente, da industria cultural e do folclore e sistematicamente na escola ou em outras instituições de ensino.