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sábado, 7 de novembro de 2009

João de Deus Castro Lobo

João de Deus de Castro Lobo (Vila Rica,16 de março de 1794 - Mariana,1832) foi um músico brasileiro ativo no início do século XIX. Era filho de Gabriel de Castro Lobo, também músico, e Quitéria da Costa e Silva.

Estudou música no Seminário de Mariana, e ali ordenou-se padre. Foi organista da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência e mestre-de-capela da catedral. Em Vila Rica foi organista junto à Ordem Terceira do Carmo, e atuou ainda como regente de coro e orquestra do Teatro de Ópera. Seu catálogo de obras compreende 23 peças, aproximadamente, entre Matinas, Responsórios Fúnebres e Novenas, e das quais se destacam a Missa a 8 vozes, a Missa em Ré Maior, as Matinas de Natal, todas para solistas, coro e orquestra, além de uma Abertura em Ré Maior para orquestra.

Padre José Maurício

José Maurício era filho de Apolinário Nunes Garcia, branco, e Victória Maria da Cruz, filha de escravos. Desde cedo revelou-se talentoso para a música, tendo composto sua primeira obra em 1783, aos 16 anos. Teria aprendido música com Salvador José de Almeida Faria, músico mineiro.

Em 1792 é ordenado padre e, em 1798, torna-se mestre-de-capela da Sé Catedral do Rio de Janeiro, que nessa época funcionava na Igreja da Irmandade do Rosário e São Benedito. Como mestre-de-capela, Padre José Maurício Nunes Garcia compunha novas obras e dirigia os músicos e cantores nas cerimônias da Sé, além de atuar ele mesmo como organista.

Em 1808, a chegada da Família Real Portuguesa ao Rio de Janeiro muda o panorama artístico da cidade. Nunes Garcia cai nas graças do Príncipe-Regente D. João VI, grande admirador de música, que o nomeia mestre da Capela Real, recém-criada nos moldes da que existia na corte lisboeta e formada por músicos locais e europeus. A Capela Real funcionava na Igreja do Carmo da cidade, que passou a ser também a catedral.

O período entre 1808 e 1811 é o mais produtivo de Nunes Garcia, durante o qual ele compõe cerca de setenta obras. Em 1809, D. João VI condecora-o com o Hábito da Ordem de Cristo, sinal da grande estima que tinha pelo músico. Não escapou porém do preconceito de alguns membros da corte, que se referiam à sua cor de pele como um "defeito visível".

Em 1811 chega à corte Marcos Portugal, o compositor português mais célebre do seu tempo, que tinha suas obras apresentadas por toda a Europa de então. A fama do recém-chegado leva D. João VI a pôr Marcos Portugal à frente da Capela Real, substituindo Nunes Garcia. O brasileiro continua, porém, a ser custeado pelo governo e a compor esporadicamente novas obras para a Capela Real.

Em 1816 dirige na Igreja da Ordem Terceira do Carmo um Requiem, de sua autoria, em homenagem à rainha portuguesa D. Maria I, morta naquele ano no Rio. Em 1816 chega à corte o compositor austríaco Sigismund Neukomm, que estabelece uma grande amizade com o brasileiro. Mais tarde Nunes Garcia dirige as estréias brasileiras do Requiem de Mozart (1819) e de A Criação de Haydn (1821).

O empobrecimento da vida cultural após o retorno de D. João VI a Portugal e a crise financeira depois da Independência do Brasil (1822) causaram uma diminuição da atividade de Nunes Garcia, agravada pelas más condições de saúde do compositor. Em 1826 compôs sua última obra, a Missa de Santa Cecília, para a irmandade de mesmo nome. Morreu em 18 de abril de 1830. Apesar de ser padre, teve cinco filhos, dos quais reconheceu um.
[editar] Contexto cultural [1]

O padre José Maurício floresceu numa época crítica para a história brasileira. O Rio de Janeiro, pouco antes da chegada da corte portuguesa, culturalmente em nada se distinguia dos demais grandes centros nacionais - Salvador, Recife, Minas Gerais, São Paulo. A presença real no Rio mudou esta situação radicalmente e de improviso, atraindo todas as atenções e passando a ser o centro de irradiação de estéticas novas, nomeadamente o neoclassicismo, com o abandono da tradição barroca que até então continuava a exercer grande influência em todo país. É certo que esta tradição ancestral não feneceu imediatamente, mas, dali em diante, o patrocínio oficial à vertente neoclássica foi o golpe mortal nela infligido, e do Rio irradiou-se uma visão diferente que aos poucos dominaria em todo o território, em particular pela atuação da Missão Francesa e de outros artistas que chegaram da Europa.

José Maurício tinha luzes surpreendentes para alguém de sua origem e condição social. Pobre, mulato, perdendo o pai cedo e sendo educado com grande dificuldade, até hoje não se sabe exatamente como conseguiu adquirir a cultura que seus primeiros bíógrafos reiteradamente alegam ter-lhe pertencido. Seu progresso na Igreja foi muito rápido, a ponto de ser dispensado de formalidades e pré-requisitos, onde a ascendência de sangue escravo era um estorvo considerável para uma carreia eclesiástica e mesmo mundana bem sucedida naquela sociedade escravocrata e preconceituosa. Mais tarde foi indicado Pregador Régio da Capela Real, e o bispo seu superior declarou que ele era um dos mais ilustrados sacerdotes de sua diocese.

Antes do período cortesão suas composições se ressentem da escassez de recursos humanos e técnicos do ambiente, a diversas peças suas traem a indisponibilidade de instrumentistas, forçando-o a adotar soluções fora da ortodoxia como acompanhamentos reduzidos ao órgão, ou às madeiras. Durante bom tempo as aulas de teoria e prática musical que ministrava tinham de ser realizadas apenas com a viola de arame, não podendo contar sequer com um cravo ou pianoforte.

Indicado Mestre de Capela da corte, e seu arquivista, teve acesso à importante biblioteca musical da Casa de Bragança que Dom João trouxe consigo, contribuindo para sua instrução geral, para uma maior variedade de gêneros musicais trabalhados e para o conhecimento da obra de grandes mestres europeus como Mozart e Haydn. Os muitos músicos e cantores altamente qualificados contratados pelo rei em sua chegada, que formaram uma orquestra considerada por todos os conhecedores e os viajantes estrangeiros como uma das melhores do mundo em seu tempo, possibilitaram que aprofundasse sua técnica de instrumentação e escrita vocal.

Os seis filhos que teve com Severiana Rosa de Castro eram um fato embaraçoso para um padre que subira a uma alta posição, e isso possivelmente contribui para o gradual ostracismo a que foi submetido a partir da chegada ao Rio de Marcos Portugal, celebrado operista português neoclássico que logo caiu nas graças da nobreza. O estilo vocal profusamente ornamentado derivado da ópera napolitana que passou a ser privilegiado na corte, mais sua inapetência para a música profana, foram outras pedras de tropeço para o padre tímido e ingênuo que desenvolvia um estilo direto e de melodismo simples e sincero que ainda tinha raízes plantadas na tradição rococó, e logo sua música caiu de moda. Suas tentativas de adaptação ao gosto vigente foram uma violência que exerceu contra si mesmo e sua música, em busca da aprovação do monarca que admirava, e as composições que escreveu depois da chegada de Marcos Potugal já não possuem o fervor religioso espontâneo e tocante que mostram suas obras anteriores, como a série de motetos a capella das Matinas de Finados, de 1809, intensamente expressivos, embora tenham evidenciado sensíveis avanços técnicos que possibiltaram a criação de obras de grande envergadura como a Missa de Santa Cecília, de 1826.

Seu declínio se acentuou com a partida de Dom João e com o vazio que isso produziu na cena musical carioca. Seu sucessor Dom Pedro I, apesar de amante da música e simpático ao padre, não pôde manter a pensão do compositor, e ele teve de fechar sua escola. Um de seus filhos, escrevendo sobre o pai nesta fase de obscurecimento, fala de sua frustração, de um evelhecimento precoce e de doenças crônicas que perturbaram sua produção e paz de espírito.

A apreciação contemporânea o considera o maior compositor brasileiro de seu tempo, mas critica suas concessões aos modismos que não encontravam eco verdadeiro em sua natureza, e certa contenção excessiva em sua escrita, que nunca mostra rasgos mais audazes ou experimentalismos. Sua produção conhecida chega a cerca de 240 obras, muitas delas redescobertas ou restauradas em meados do século XX por Cleofe Person de Mattos, musicólogo que teve papel fundamental na revalorização da música do período colonial brasileiro. Hoje em dia suas composições voltaram às salas de concertos e recitais em igrejas, já tendo diversas delas gravadas e publicadas.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Antonio Saliere


Compositor italiano, mestre da capela imperial em Viena (1788-1824). Chegando de Legnano à capital austríaca, em 1766 tornou-se compositor oficial da corte de José II em 1774 e mestre de capela em 1788. Após a morte do imperador, em 1790, abandonou a direção da ópera porque não manteve boas relações com o seu sucessor, Leopoldo II, mas conservou o seu cargo de mestre de capela até 1824.
Sua ópera L'Europa riconosciuta foi escolhida para inaugurar o Scala de Milão (1778). Nesta época, eclipsava Mozart na capital da Áustria, mas a lenda segundo a qual ele teria envenenado seu rival não tem qualquer fundamento.
Se houve mesmo rivalidade entre os dois compositores, tais escaramuças não ultrapassavam as fofocas de bastidores da corte austríaca. Dois filhos de Mozart (Wolfgang Amadeus Mozart Junior e Franz Xaver Wolfgang) estudaram com Salieri em Viena, após a morte do pai. O compositor italiano foi também o primeiro a escrever uma ópera em parceria com o libretista Lorenzo Da Ponte e o aproximou de Mozart.
Uma de suas últimas obras importantes é Falstaff (1799). Escreveu também música religiosa e diversas páginas instrumentais. Foi professor de Beethoven, Schubert, Czerny, Liszt, Moscheles e Hummel, entre outros compositores importantes da primeira metade do século XIX.

Joseph Haydn


Franz Joseph Haydn nasceu em Rohrau, Áustria, em primeiro de abril de 1732. O pai, Mathias Haydn, era um simples carpinteiro, a mãe, Maria Koller, era cozinheira do palácio do senhor da região antes de casar-se.
Mathias e Maria tiveram doze filhos, dos quais sobreviveram seis: Franzesca, Joseph, Anna-Katarina, Johann-Evangelist e Michael, que também tornou-se compositor.
Eram pessoas simples e virtuosas e amavam a música. Seu pai tocava harpa e sua mãe cantava, mas não tinham educação musical e faziam tudo "de ouvido". Os serões dos pais influenciaram o menino e possibilitaram a revelação de seus dotes musicais, sobretudo uma voz maravilhosa.
Quando Haydn contava seis anos, sua família foi visitada pôr Johann-Mathias Franck, um parente, que era mestre de capela em Hainburg. Necessitava sempre ter à disposição crianças de boa voz para o coro infantil, o que não era freqüente. Mathias Franck ficou muito contente com o talento do garoto e convenceu seu pais a levá-lo para Hainburg, encarregando-se de sua educação.
O pequeno Haydn viveu dois anos na casa de Mathias Franck e esse período não foi dos melhores de sua vida. Era constantemente explorado pôr Franck, que aproveitava todas as ocasiões para exibi-lo. Mas apesar disto, Haydn desenvolveu-se musicalmente, familiarizando-se com os instrumentos da época e aprendendo a tocar vários deles.
Em 1740, quando estava com oito anos, Haydn foi levado para Viena por Georg Reutter, mestre de capela da corte austríaca. Integrou o coro infantil da Catedral de Santo Estevão e morava na escola da catedral.
Neste internato moravam outros cinco alunos que recebiam educação musical, além de estudarem as matérias comuns de outras escolas. As crianças não se vestiam adequadamente e a alimentação era escassa . À fome e ao frio juntavam-se os maus tratos de Reutter. As tarefas eram inúmeras: serviço musical rotineiro da catedral, festas religiosas, procissões. Em vez em quando cantavam em festas da aristocracia, onde podiam saciar a fome e voltar para a escola com os bolsos cheios de doces.
Apesar destes fatores, o talento do menino compositor desenvolveu-se, obtendo da prática diária da música o que não recebera em teoria. Embora fosse talentoso, compondo já suas primeiras obras, Haydn era mantido na escola devido a sua bela voz de soprano menino. Mas a voz muda na adolescência e, no caso de Haydn essa mudança foi decisiva em sua vida. Em 1745 sua voz começa a mudar e Reutter pensa em submetê-lo à castração, a fim de poder contar com seu talento para o canto; mas seu pai se horroriza com a idéia e Haydn escapa deste terror. Seus dias estão contados em Santo Estevão. Uma brincadeira típica de adolescente - Haydn cortou a peruca de um colega - forneceu um pretexto a Reutter para expulsá-lo da escola.
Expulso da Catedral em novembro de 1748 com dezoito anos, Haydn está só nas ruas de Viena, sem um tostão no bolso. Começa a trabalhar fazendo arranjos, tocando em festas e bailes e dando aulas de cravo. Mora em um quarto frio sem fogão. Com o primeiro dinheiro que recebe compra um velho cravo. Desta maneira sobrevive e tem tempo para estudar e compor.
Conhece Niccoló Porpora, famoso professor de canto e começa a trabalhar para ele, acompanhado ao piano seus alunos de canto durante as aulas. Assim ele desenvolve seus conhecimentos em canto, italiano e composição, além de fazer contato com a nobreza. Seu mercado aumentou, recebendo o convite do Conde Maximiliano para ser diretor de música.
A 26 de novembro de 1760 casou-se com Maria Anna Aloysia Keller, uma aluna sua. Foi uma das piores coisas que fez...seca, rabugenta e fútil, pouco lhe importava o trabalho do marido. Algumas partituras de Haydn ela usou como papel de embrulho. O compositor, normalmente tão calmo, chegou a exasperar-se com aquela mulher. Ele pensou até em separar-se dela, mas suportou até o fim. Ela morreu em 1800, sem ter-lhe dado um filho.
Em 1761 Haydn foi contratado pelo Príncipe Anton Esterházy, de quem seria servo até seus últimos dias. Era obrigado a usar libré, a compor tudo o que o patrão quisesse, a resolver todos os problemas entre os músicos de sua orquestra e a cuidar do bom estado dos instrumentos. Embora algumas dessas disposições possam parecer chocantes hoje em dia, eram comuns e não constituíam problemas para um músico, sobretudo para um temperamento como o de Haydn, acostumado a superar obstáculos calmamente, entregando-se ao trabalho. Nos primeiros cinco anos com os Esterházy, o compositor escreveu trinta sinfonias, sem falar nos divertimentos, trios, sonatas, concertos, etc.
Relação importante surgida nesta época foi a que Haydn manteve com Mozart. Os dois encontraram-se pela primeira vez em 1781, quando Mozart mudou-se para Viena. Mozart e Haydn eram profundamente diferentes. O primeiro, emocionalmente instável; o outro, quase sempre tranqüilo e bem humorado. Mozart tinha pouso senso de ordem e não dava importância ao dinheiro; Haydn construiu aos poucos, excelente patrimônio. Além disso, os separava uma grande diferença de idade. No entanto, ligaram-se por sólida amizade e influenciaram-se reciprocamente.
Pelo palácio passavam a alta nobreza européia e todas as figuras importantes da época. Isso fez com que a música de Haydn ficasse famosa e se transformasse em sucesso onde fosse apresentada. Aproximava-se o momento em que o compositor se libertaria,relativamente, de seus patrões.
Em 1791 parte para a Inglaterra, para uma série de vinte concertos em Londres, a convite do empresário Johann-Peter-Salomon. Seus concertos são acolhidos com sucesso; é agraciado com o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Oxford.
Mas nem tudo correu bem na Inglaterra. A profecia feita pôr Mozart, quando os dois se despediram em Viena - "Temo, meu pai, que estejamos nos dando o último adeus"- tornou-se realidade: Mozart falece a 5 de dezembro de 1791 e Haydn fica profundamente abalado.
Em 1792 os rivais de Salomon organizam uma série de concertos de Ignace Pleyel, antigo aluno de Haydn, para concorrer com os concertos do compositor. Em resposta, Salomon pede a Haydn que escreva seis novas sinfonias para fazer frente ao desafio. Abalado com a morte do amigo, fatigado com tanto trabalho, Haydn resolve voltar para Viena.
De novo em Viena, o barão Zmeskall apresenta-lhe um jovem promissor de 22 anos: era Ludwig van Beethoven. No auge da fama e sobrecarregado de trabalho, ele não pôde dar ao gênio de Bonn a atenção que ele merecia. Corrigindo-lhe os trabalhos do jovem, Haydn percebe seu grande talento e escreve ao barão, afirmando que aquele compositor iniciante, com o correr do tempo se converteria "num dos maiores músicos da Europa" e que ele se sentiria "orgulhoso de chamar-se seu mestre".
Resolve viajar à Inglaterra novamente "porque ali sou mais famoso do que em meu país".
Final de 1795: de novo em Viena, Haydn traz em sua bagagem as doze Sinfonias Londrinas.
Na entrada do século XIX, Haydn é ainda um homem forte e vigoroso para sua idade. Escreve então algumas obras importantes,como a Missa Harmonia e o Quarteto opus 103, N.83, concluído em 1803. A partir desta época o compositor não tem mais forças. Fraco e abatido, em 1805 corre o boato de sua morte. O bom humor dele continua vivo; Haydn escreve a propósito de um concerto fúnebre em sua homenagem, organizado pôr Cherubini e Kreutzer: "Que festa para mim se pudesse viajar e dirigir eu mesmo a missa!" Haydn falece na madrugada de 31 de maio de 1809.
Obras
84 quartetos para cordas104 sinfonias15 concertos para piano e orquestra8 concertos para violino e orquestra3 concertos para violoncelo e orquestra1 concerto para contrabaixo e orquestra1 concerto para trompete e orquestraHino da AlemanhaOratório "As Estações"Divertimentos,trios, sonatas, missas,etc.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Ludwig Van Beethoven



Beethoven nasceu em Bonn na Alemanha dia 17 de dezembro de 1770, porém ele passou a maior parte de sua vida em Vienna na Áustria, lecionando, compondo.
Quando a sua primeira sinfonia foi executada em público pela primeira vez, ele ainda não tinha trinta anos. Transbordando de ambições, alegre e um tanto vaidoso, tentava conquistar a vaidade de Viena com o seu virtuosismo ao piano. E embora sentisse, dentro de si, uma chama imensa de inspiração e de força para compor música de câmara e apresentar respeitavelmente vestido e com um impecável camisa de renda. À sua volta reuniam-se alunos e admiradores dos melhores círculos de então.
Dentro de pouco tempo, começaram a revelar-se ao jovem autor, sinais alarmantes de surdez. Tentou, inicialmente, ocultar o que considerava uma fraqueza, evitando, por isso, as reuniões sociais. Porém, aos trinta e dois anos, tornou-se-lhe de todo impossível continuar a dissimular e retirou-se para Heiligenstadt, um pequeno subúrbio de Viena.
Sempre imoderado, tanto na alegria como na tristeza, Beethoven vazou, então, a sua desgraça num longo documento chamado "o seu testamento":
"Era-me impossível dizer aos homens: falem mais alto, gritem, porque sou surdo. Como poderia eu admitir tal fraqueza naquele dos meus sentidos que deveria ser, precisamente, mais perfeito em mim do que nos outros, num sentido que havia possuído na mais alta perfeição? Que humilhação quando alguém ao meu lado ouvia o som de uma flauta à distância e eu nada ouvia ! Tais incidentes me levaram à beira do desespero. Um pouco mais e teria posto fim a minha vida"
Contudo, foi precisamente nesta época que ele compôs a sua sublime Segunda sinfonia ! É talvez cruel dizer, mas a surdez de Beethoven terá sido uma verdadeira benção para a música.
Renunciando à sua carreira como virtuoso, não ouvindo outros sons que não fossem os que criava no seu cérebro, afastado do mundo exterior, intensificou e aprofundou, assim, incessantemente, o seu sentido musical. Porém a medida em que se encerrava em si mesmo, tornava-se o seu comportamento exterior cada vez mais incoerente. Não permitia que alguém mexesse no seu quarto a tal ponto que tudo se encontrava numa incrível desordem: papéis espalhados pelas cadeiras, tinta derramada sobre o piano, restos de comida em pratos que deixava por debaixo dos papéis.
A surdez tonava-o cada vez mais desconfiado. Acusava os amigos, os editores e um empresário teatral de o enganarem. No dia seguinte mostrava-se arrependido e pedia desculpa.
No entanto, também sabia ser atencioso, delicado, afável e bondoso. Quando uma de suas amigas, a baronesa Ertmann, perdeu um filho, ele foi visitá-la e, sem dizer palavra, sentou-se ao piano e tocou durante largo tempo para a reconfortar.
Das centenas de sinfonias existentes, nenhuma pode rivalizar, em popularidade e interesse emocional, com as dez que Beethoven escreveu , (Ele compôs apenas o primeiro movimento da décima sinfonia cumprindo parte da carta endereçada à Royal Philharmonic Society). Que será que as diferencia de todas as outras? Serão mais notáveis no seu sentido melódico e Harmônico? Em nossa opinião, a razão primordial é esta: Beethoven tirou a música do pedestal de beleza formal onde Haydn e Mozart a tinham deixado e emergiu-a no sorvedouro da vida.
Rompendo com os moldes clássicos, conseguiu dela aquilo que pretendia: expressar problemas, evocar emoções e enternecer verdadeiramente. Nas suas sinfonias reproduziu ele, em música, as angústias e os sorrisos de todos no mundo. Em suma tornou a música humana.
É essa a razão porque mais público reage perante uma sinfonia de Beethoven do que perante qualquer outra.
Embora a imagem que dele formamos seja a de um indivíduo taciturno, surdo, melancólico e solitário, ela não corresponde totalmente à realidade. Um homem que conheceu Beethoven nos seus últimos anos descreveu-o como "uma águia olhando para o sol".
Apesar de tudo isso, os seus amigos permaneceram-lhe sempre fieis e devotados.
Durante um violento temporal, no dia 26 de março de 1827, com a idade de cinqüenta e seis anos, ele partiu.
Ouça um pouco de Beethoven.


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Wolfang Amadeus Mozart



Wolgang Amadeus Mozart nasceu às 20 horas do dia 27 de janeiro de 1756 em Salzburgo, Áustria e morreu em 05 de dezembro de 1791 às 00:55 em Viena, Áustria.
Filho de um pai músico, o "menino prodígio" revelou rapidamente sua impressionante afeição pela música. Desde cedo, viajou muito em companhia de sua irmã Anna Ignatia e de seu pai que percebeu que poderia tirar proveito do talento dele. Por onde sua música passava , deixava um rastro de genialidade, que mostrava com clareza a riqueza de suas obras.
Aos três anos, Mozart conseguia tirar melodias no cravo, e chorava quando alguém tocava alto demais ou de forma muito discordante. Aos quatro, sabia tocar cravo e violino tão fluentemente quanto as crianças comuns com o triplo de sua idade. Aos cinco, começou a compor minuetos e outras peças pequenas.
Eram dons fenomenais, e devem ter enchido seu pai (um homem azedo, sem imaginação) tanto de alegria quanto de alarme. Não tinha a menor idéia de como “ensinar” ao filho. O garoto era capaz de passar meia hora trabalhando até mesmo no mais complexo problema, até dominá-lo perfeitamente e nunca lhe ocorreu dar-lhe a criação de um garoto normal, em vez de um monstrinho.
Levava-o em viagem pelas casas principescas e aristocráticas da Europa, executando jogos musicais e fazendo uma fortuna. Quando Mozart já tinha doze anos, já havia visitado doze países, proposto casamento à rainha Maria Antonieta da França (que respondeu, sorrindo: “Peça-me de novo quando for mais velho”), escrito três óperas, meia dúzia de sinfonias e cem outras obras, espantado a Europa musical com o seu talento (um admirador escreveu: “Se eu tivesse ficado mais tempo na presença de seu gênio acho que enlouqueceria de admiração”) – e vivido a vida não num lar seguro e feliz, mas em carruagens, hospedagens estranhas e nos salões brilhantes de gente que o tratava menos como ser humano do que como uma espécie de brinquedo divertido. Continuou a viajar por mais dez anos, na esperança (vã) de que, quando ficasse mais velho, alguém lhe ofereceria não só admiração, mas também um emprego.
Esta infância incrível deixou sua marca na personalidade de Mozart. Ele era alegre e encantador, ficava imediatamente à vontade com as pessoas que conhecia, mas achava muito difícil formar amizades permanentes ou relações profundas. Não conseguia jamais parar: mesmo na vida adulta, casado e com família, mudava de residência várias vezes por ano ( o recorde foi nove vezes).
Era absolutamente incapaz de gerir seu dinheiro e, apesar de ganho grandes somas (de suas óperas e de suas apresentações em concertos), gastava-as tão rapidamente quanto as ganhava. Até a morte de seu pai (em 1787, quando Mozart tinha trinta e um anos), dependeu dele para orientação e aprovação (suas cartas ainda existem e permitem uma percepção fascinante de um relacionamento desgastante, mas cheio de afeição); se tivesse se casado com uma mulher capaz de dirigir os assuntos da família, toda a sua carreira poderia ter sido diferente, mas Constanza era tão leviana a respeito do dinheiro quanto ele próprio. Seus últimos quatro anos, apesar de musicalmente ricos, se passaram em meio a dívidas e uma tremenda pobreza.
Nada deste desajuste pessoal transparece na música de Mozart. Desde mais ou menos os doze anos ele já era um compositor plenamente desenvolvido, senhor de sua arte: apesar de sua música sempre crescer em maturidade e magnificência, seu estilo permaneceu basicamente o mesmo através de sua vida. Seus anos de viagem, deram-lhe um método de compor que impressionavam todos os que conheciam: planejava as obras na cabeça até o menos detalhe (freqüentemente enquanto fazia alguma outra coisa, como ensinar, comer ou jogar bilhar), e assim que conseguia sentar-se diante de uma folha de papel, escrevia tão rapidamente quanto a maior parte das pessoas que escreve uma carta. Ele dava a impressão de que a música fluía-lhe de forma irreprimível – e essa impressão era verdadeira, pois nos dezessete anos de sua vida profissional madura (entre dezoito e trinta e cinco anos de idade) produziu uma média de quatro composições (incluindo pelo menos uma obra-prima) por mês.
Se houvesse prevalecido a vontade do pai de Mozart, ele reclamava a respeito disso incessantemente até o dia de sua morte- Mozart teria se estabelecido com um único empregador e talhado sua inspiração para atender ao trabalho. Mas ele se recusava terminantemente. Preferia a variedade e a liberdade da vida de free lance, apesar de todo o risco financeiro que isso implicava. Era-lhe conveniente receber novas encomendas, praticamente caídas do céu, para obras de todos os tipos. (Se o dinheiro servisse, ou se ele se sentisse atraído pela idéia, escreveria com satisfação para qualquer coisa, até mesmo um órgão mecânico ou um conjuntos de copos de vinho cheios com diferentes níveis de água e organizados para fazerem soar uma escala).
Escreveu música para dança, peças didáticas, árias de exibição para esquentar as óperas de outros autores, até mesmo uma Missa de Réquiem para um nobre que pretendia fazê-la passar por sua própria composição- e todas as vezes ele transformava trabalho mercenário em obra de gênio. Seu gênio maior, no entanto, ele o preservou para suas próprias composições, ou para suas formas musicais preferidas. Via a si mesmo, antes de qualquer outra coisa, como um compositor de ópera, e suas óperas (especialmente As bodas de Fígaro, Don Giovanni, Cosi Fan Tutte e A Flauta Mágica) são, de todas as suas obras, aquelas que ele próprio mais admirava.
Passou uma parte de sua vida adulta dando concertos, e escreveu soberbos concertos para pianos e sinfonias, a fim de executá-los nessas apresentações. Seu instrumento favorito era a viola, que ele costumava tocar em música de câmara com amigos (tais como Haydn): seus quartetos e quintetos de cordas, e suas obras de câmara com piano, estão não apenas entre seus melhores trabalhos, mas se colocam, pela genial imaginação e pela excelência da música, vários furos acima de tudo que se escreveu naquele século. Um de seus biógrafos (após deplorar sua vida infeliz, na qual ele foi “adulto no decorrer da infância e criança no decorrer da vida adulta”), descreveu-o como “o músico mais consumado que jamais viveu” e até hoje são incontáveis os amantes da música que concordam com esse juízo.
(As obras da maior parte dos compositores são identificadas por números de opus [por ex., Concerto para piano nº 1, op. 15; opus significa obra], ou pela colocação da data da publicação após o título [por ex., Sinfonia em dó(1940)]. As obras de Mozart, em vez disso, receberam uma numeração iniciada pela letra K [(por ex., Concerto para piano nº 27, K 595]. K é a abreviatura de Ludwig Kochel, um erudito do século XIX que catalogou as obras de Mozart.)
Aos dezesseis anos já havia composto mais de 200 obras e ainda tinha tempo para o lado sentimental de sua vida. Sua primeira composição foi um Minueto e Trio para Cravo K-1 que foi feita com quatro anos e sua última obra foi o Réquiem K626 em ré menor que ficou inacabada e um de seus discípulos Franz Sussmayr a terminou.
Mozart compôs 626 obras, entre Serenatas, concertos, sinfonias e outras.
Mozart começou a compor o Réquiem K626 em Ré menor cinco meses antes de morrer, Mozart recebeu a misteriosa visita de um cavalheiro. A lenda converteu o visitante na própria morte; na realidade tratava-se de um emissário do Conde Walsegg, que encomendara um Réquiem pela morte de sua esposa. A música midi não causa tanto impacto como a obra original, todavia tentaremos mostrar-lhe um pouco dessa magnífica obra:
Introitus.
Esta parte, talvez por ser a única totalmente composta por Mozart, concentra e resume toda a obra, sendo a sua própria essência. O inicio num triste Ré menor (dá-lhes, Senhor, o eterno descanso e que a Sua Luz perpétua os ilumine).
Réquiem Aeternam. A entrada do coro contém uma intensa angústia. Os fagotes e as cornetas abrem caminho para os suaves violinos que antecedem uma voz angélica. O sussurro do coro devolvem-nos a esperança.
Kyrie. Bastante sombria, não demora a levar-nos de volta ao centro da emoção. Desespero? Confiança? Sofrimento? Canto de arrependimento? Com este Intróitos, Mozart nos abre as postas do além túmulo.
Secuentia.
Dies Irae. O coro explode numa espécie de redemoinho de raiva e rebeldia, como um grito lutando por uma saída que não existe. Em apenas dois minutos um caos devastador assola o universo. O juízo final aproxima-se.
Tuba Mirum. Soa a temível trombeta do anjo Gabriel. Em vez de utilizar nesta passagem corais que expressassem um tom vingativo ou orquestra estrondosa, a serenidade se apodera do mundo.
Rex tremendae. "Oh Rei de terrível majestade que nos salvai pela vossa graça, salvai a mim", os angustiantes apelos do coro, sobre o premente motivo das cordas, não apresenta confiança ou resignação. O belo cânon seguinte alterna vozes altas e baixas conseguindo um efeito de respiração ofegante.
Recordare. Instala-se uma calma absoluta e a música com uma comovedora ternura, brota espontânea como de uma fonte pura.
Confutatis. De repente, o horror, batidas violentas de timbal, fraseos ardentes nas cordas, em cima, a súplica dos que pedem clemência; em baixo, o grito dos condenados, "suplicante e prosternado rogo-te com o coração contrito e reduzido a cinzas que cuides da minha hora derradeira". O modo como a música se descompõe até desaparecer, como se fosse sugada, deixa um ar sepulcral indescritível.
Lacrimosa. Depois deste espantoso vazio, há um enorme esforço para que a música volte num crescendo. Surpreendendo a força desafiante com que o coro encerra a prece final "dona eis requiem, amem" (Daí- lhes o descanso eterno, amém).
Offertorium.
Domine Jesu Christe. Entre as assustadas almas que rogam piedade, aparece com esplendor a figura de "São Miguel". O quarteto solista eleva-se sobre o coro e o caráter triunfante de marcha militar fazem com que esperemos o melhor.
Hostias. Sucedem-se três seções bem diferente e nitidamente opostas: A primeira e a última prometem conciliação, a paz e segurança, enquanto a segunda transmite desassossego. As dúvidas não encontram respostas e o órgão volta ao tom ameaçador do número anterior.
Mozart morreu quando ainda faltava completar os últimos números. Sussmayr encarregou-se de orquestrar boa parte do Lagrimosa, do Domine Jesu e do Hostias, Baseando-se nos detalhados esboços de Mozart.
O Benedictos, o Sanctus e o Agnus Dei são quase de sua autoria. As idéias de Mozart são esplêndidas , mas foram desenvolvidas de maneira rudimentar.


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♫ ♫ Educação Musical ♫ ♫

♫ ♫ Educação Musical ♫ ♫
Educação Musical é a educação que oportuniza ao indivíduo o acesso à música enquanto arte, linguagem e conhecimento. A educação musical, assim como a educação geral e plena do indivíduo, acontece assistematicamente na sociedade, por meio, principalmente, da industria cultural e do folclore e sistematicamente na escola ou em outras instituições de ensino.