Compositor norueguês - Estudou com E.F. Wenzel no Conservatório de Leipzig (1858-62), onde familiarizou-se intimamente com a primeira música romântica (especialmente a de Schumann), ganhando mais experiência em Copenhagen, onde recebeu o estímulo de Niels Gade. Foi só em 1864-5, após conhecer o nacionalista norueguês Rikard Nordraak, que ocorreu sua mudança estilística, especialmente nas Humoresker para piano, op.6, de inspiração folclórica. Além de promover a música norueguesa através de concertos de suas próprias obras, reuniu alunos, tornou-se regente da Harmoniske Selskab, projetou uma Academia Norueguesa de Música e ajudou a fundar a Christiania Musikforening (1871), compondo nesse meio tempo seu concerto para piano (1868) e os importantes arranjos para piano de 25 canções folclóricas de Lindeman (op.17, 1869). Uma colaboração operística com Bjornson não rendeu frutos, mas sua música incidental para Peer Gynt, de Ibsen (1875), a mais extensa e famosa de suas grandes composições, resultou numa de suas melhores obras. Apesar da saúde cronicamente deficiente, continuou a fazer turnês como regente e pianista e a executar encomendas de sua base, em Troldhaugen (a partir de 1885); recebeu numerosas honrarias internacionais. Entre suas obras tardias, as de maior destaque são O escravo da montanha op.32, para barítono, duas trompas e cordas, o Quarteto de Cordas em sol menor op.27, a conhecida Suíte Holberg, neobarroca (1884), e o ciclo de canções Haugtussa op.67 (1895).
Grieg foi antes de tudo um compositor lírico; suas partituras de Vinje, op.33, por exemplo, demonstram amplitude de expressão emocional e caracterização ambiental, e os dez números de opus das Peças líricas para piano contêm uma abundância de quadros programáticos expressando estados de ânimo. Mas foi também um pioneiro tanto na utilização impressionista da harmonia e da sonoridade do piano, presente em suas últimas canções, quanto no tratamento de dissonância em Slatter op.72, melodias camponesas para violino arranjadas para piano.
♪ Regente ♪ Músico Multi-Instrumentista e Vocalista ♪ Arranjador ♪ Compositor ♪
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quinta-feira, 15 de abril de 2010
Antón Dvorak
Antón Dvořák era filho de um humilde comerciante. Só pôde realizar os primeiros estudos musicais em 1853, já residindo na cidade de Zlonice. Quatro anos depois se instalou em Praga, onde iniciou uma vida de sacrifícios, aliviados quando foi premiado pela composição de um hino patriótico, em 1873.
O impulso decisivo para a carreira de Dvořák ocorreu em 1877, quando, sob recomendação de Brahms, os "Duetos morávios" foram editados na Alemanha. Na mesma época, na Inglaterra, houve uma acolhida entusiástica da obra de Dvořák: o compositor esteve, depois, várias vezes em Londres e outras cidades, regendo suas próprias obras. Em 1891, a Universidade de Cambridge conferiu a Dvořák o título de doutor honoris causa.
A produção de Dvořák foi numerosa. Ele abordou todos os gêneros, revelando-se um especialista em música de câmara. O "Trio op. 90", denominado "Dumky", foi logo incorporado ao repertório de todos os conjuntos camerísticos.
A posição estética de Dvořák também se tornou clara com o passar do tempo: distanciando-se do nacionalismo exacerbado e das formas tradicionais, ele se impôs como um improvisador, pouco atento às regras de estruturação formal.
De estilo rapsódico, Dvořák é discípulo de Brahms, Schumann e, sobretudo, Schubert.
Popularidade
Fama e honrarias tornaram-se comuns na vida de Dvořák. Em Praga, recebeu também o título de doutor honoris causa, foi nomeado professor e, mais tarde, diretor do conservatório. Chegou, inclusive, a ser nomeado membro da câmara dos pares do império austríaco.
Sua fama atravessou o Atlântico - e, em 1892, ele partiu para dirigir o conservatório de Nova York, nos EUA. Três anos na América resultaram, para Dvořák, na fase mais conhecida de sua atividade criadora. A ela pertencem obras como a célebre "Sinfonia do novo mundo", o "Quarteto em fá maior, op. 96", o "Concerto para violoncelo e orquestra em si menor, op. 105" (obra-prima no gênero), e uma coletânea de peças para piano intitulada "Humoresques".
Quando retornou a Praga, Dvořák dedicou-se à composição de peças sinfônicas e óperas. Nessas últimas - "Vanda" (1875), "Rusalka" (1900) e "Armida" (1903) -, os elementos musicais e dramáticos são de pura inspiração folclórica tcheca.
A glória em vida acompanhou Dvořák até a morte. Ele foi sepultado como um herói nacional.
O impulso decisivo para a carreira de Dvořák ocorreu em 1877, quando, sob recomendação de Brahms, os "Duetos morávios" foram editados na Alemanha. Na mesma época, na Inglaterra, houve uma acolhida entusiástica da obra de Dvořák: o compositor esteve, depois, várias vezes em Londres e outras cidades, regendo suas próprias obras. Em 1891, a Universidade de Cambridge conferiu a Dvořák o título de doutor honoris causa.
A produção de Dvořák foi numerosa. Ele abordou todos os gêneros, revelando-se um especialista em música de câmara. O "Trio op. 90", denominado "Dumky", foi logo incorporado ao repertório de todos os conjuntos camerísticos.
A posição estética de Dvořák também se tornou clara com o passar do tempo: distanciando-se do nacionalismo exacerbado e das formas tradicionais, ele se impôs como um improvisador, pouco atento às regras de estruturação formal.
De estilo rapsódico, Dvořák é discípulo de Brahms, Schumann e, sobretudo, Schubert.
Popularidade
Fama e honrarias tornaram-se comuns na vida de Dvořák. Em Praga, recebeu também o título de doutor honoris causa, foi nomeado professor e, mais tarde, diretor do conservatório. Chegou, inclusive, a ser nomeado membro da câmara dos pares do império austríaco.
Sua fama atravessou o Atlântico - e, em 1892, ele partiu para dirigir o conservatório de Nova York, nos EUA. Três anos na América resultaram, para Dvořák, na fase mais conhecida de sua atividade criadora. A ela pertencem obras como a célebre "Sinfonia do novo mundo", o "Quarteto em fá maior, op. 96", o "Concerto para violoncelo e orquestra em si menor, op. 105" (obra-prima no gênero), e uma coletânea de peças para piano intitulada "Humoresques".
Quando retornou a Praga, Dvořák dedicou-se à composição de peças sinfônicas e óperas. Nessas últimas - "Vanda" (1875), "Rusalka" (1900) e "Armida" (1903) -, os elementos musicais e dramáticos são de pura inspiração folclórica tcheca.
A glória em vida acompanhou Dvořák até a morte. Ele foi sepultado como um herói nacional.
Jean Sibelius
Sibelius é um dos mais famosos compositores escandinavos e sua obra pode ser considerada a transição entre o romantismo e as novas tendências. Sibelius desenvolveu, contudo, um estilo próprio, vinculado a seu país, que gerou entusiasmo desde as primeiras manifestações. Suas melodias estão impregnadas da melancolia das canções populares, das paisagens, da história e da mitologia da Finlândia, habilmente transformadas em discurso musical e com uma harmonia muito pessoal, como nos poemas sinfônicos En Saga (1892), Finlândia (1899), Tapiola (1925) e outras criações inspiradas na epopéia nacional Kalewala. A Valsa Triste, integrada na obra Kuolema (1903), é uma de suas peças mais famosas. Sibelius compôs igualmente música para violino, como o seu Concerto em Ré Menor, op. 47 (1903), assim como canções, obras corais e sete sinfonias. Entre estas, são mais interpretadas a primeira (1899), sombria e melancólica, e a segunda (1902), rica em variações. Em 1897, o compositor recebeu uma pensão vitalícia, que lhe permitiu levar uma vida sem preocupações em sua casa de Järvenpää, a partir de 1904.
Carl Orff
Entre a extensa e magnífica produção de Carl Orff, em que se detecta a influência de Igor Stravinsky e de Claude Debussy, destaca-se a conhecida cantata Carmina Burana (1937). Suas demais obras são muito raramente interpretadas. Entre elas, devem-se mencionar: as óperas A Lua (1939) e Sonho de uma Noite de Verão (1952, revista em 1964); as composições para a Páscoa e o Natal (1956 e 1960), de cujos textos também é autor; ou as cantatas. As bases musicais deste compositor estendem-se desde a cultura popular da Baviera até o drama grego, passando pelos mistérios cristãos. Suas peças teatrais, a que Orff chamava "teatro total", pretendem ser obras completas em si mesmas. A música de Orff, que se caracteriza pelas simples repetições de melodias, texto e motivos, bem como pelos ritmos efetivos e diferenciados, produzidos por instrumentos de percussão recorrentes, é posta a serviço da ação corporal e raramente ultrapassa a notação tonal. Com ela, Orff aspirava reencontrar o teatro musical, de caráter mágico e religioso, da Antiguidade. Como professor, Orff teve influência decisiva sobre várias gerações de músicos. A sua Schulwerk (obra didática, 1930-1935, revista em 1950-1954), que integrava o pensamento musical elementar e a improvisação espontânea, teve repercussão internacional na educação musical precoce. Para pôr em prática suas idéias, Orff desenvolveu (em conjunto com Karl Maendler) o Instrumentário de Orff, constituído por instrumentos de percussão de todos os tipos. Em 1924, foi um dos fundadores de uma escola em Munique dedicada à ginástica rítmica e à dança (Escola Günther), uma vez que, para seu trabalho pedagógico, a unidade da música, do movimento e da linguagem era de importância fundamental. Em 1990, foi inaugurado em sua cidade natal o Instituto Estatal Orff de Investigação e Documentação.
Giacomo Puccini
Puccini é um dos expoentes máximos da ópera italiana clássica. Muitas de suas óperas caracterizam-se pela ação dramática, com a recriação de uma atmosfera poética, o que lhe valeu o epíteto de "Poeta das Pequenas Coisas". Sua leveza e seu delicado sentimentalismo o distinguem claramente de seu antecessor Giuseppe Verdi e de suas grandiosas óperas heróicas. Duas de suas obras trágicas, La Bohème (1896) e Madame Butterfly (1904), fazem parte essencial dos programas dos teatros de ópera de todo o mundo. A primeira narra uma história de amor entre a tísica Mimi (que interpreta a ária "Mi Chiamano Mimì") e o boêmio Rodolfo e, quando estreou sob a direção de Arturo Toscanini, foi um fracasso; por seu lado, a segunda narra a paixão entre a japonesa Butterfly (que interpreta a ária "Un Bel dì Vedremo") e um norte-americano desleal. Na ópera Tosca (1900), a protagonista, que dá precisamente o nome à ópera, rejeita as aproximações de um ditador porque ama o artista Cavaradossi. Outras óperas célebres de Puccini, que também compôs música sacra para piano e órgão, são Turandot (a sua última ópera, incompleta e terminada em 1926 por Franco Alfano), que inclui uma das mais belas árias para tenor, "Nessun Dorma", e aquela que foi seu primeiro sucesso, Manon Lescaut (1893).
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Nicolai Andreievitch Rimski-Korsakov
Nicolai Andreievitch Rimski-Korsakov nasceu em Tikhvin, Novgorod (Rússia), em 18 de março de 1844. Pertencia a uma família aristocrática e foi criado nos domínios familiares, onde as suas primeiras experiências musicais foram as danças populares executadas, durante as festas de família, por quatro músicos judeus (2 violinos, címbalos e tamborim). Como a sua sensibilidade musical se manifestou excepcionalmente cedo, mandaram-no aprender piano aos 6 anos, aos 9 já fazia as primeiras tentativas de composição.
Os seus dotes eram evidentes e maravilhavam os que o rodeavam, mas, como um jovem de boa família devia seguir a carreira das armas, inscreveram-no, aos 12 anos, na escola de cadetes da marinha, em São Petersburgo. Na educação que recebeu até 1862, nada favorecia o desenvolvimento dos seus dons, mas conseguia estudar piano e violoncelo aos domingos e durante as férias.
Em 1861, conheceu Balakirev e decidiu completar com ele a sua muita sumária formação musical, e juntou-se ao grupo de jovens músicos (Cui, Mussorgsky, Borodin), quase todos autodidatas, que se reuniram à volta de Balakirev para criarem um nacionalismo musical russo: constituíam o escol e a vanguarda da nova música russa, o famoso Grupo dos Cinco que, em breve, iria dar de falar.
Obrigado a navegar por esse mundo, antes de ter podido aproveitar plenamente os ensinos de Balakirev, Rimski-Korsakov compôs, não sem dificuldades, a sua Sinfonia n.º 1, que, corrigida por este, foi interpretada com grande êxito em São Petersburgo (1865). Seguiram-se várias obras que iriam fazer que o jovem marinheiro fosse, para seu espanto, nomeado professor de composição do conservatório de São Petersburgo. Tornaria-se um célebre professor e teria como alunos Liadov, Gretchaninov, Glazunov, Stravinsky, Respighi, entre outros.
Mas a bagagem do novo professor era ainda muito insuficiente: entre as aulas, dedicava-se a um estudo muito profundo de contraponto, da harmonia, da instrumentação e tornou-se, devido a um trabalho intenso, no mais sábio músico de sua geração. Foi nomeado professor de bandas da armada, o que lhe evitou ter de se demitir da marinha. Nos anos seguintes, foi diretor de concertos do conservatório livre (1874-1881) e diretor de concertos sinfônicos russos fundados pelo editor Bélaiev.
Exibiu-se como chefe de orquestra no estrangeiro, especialmente em Paris, durante a Exposição Universal de 1899, onde a música russa foi uma revelação para os jovens músicos franceses. Em 1905, foi demitido das suas funções pedagógicas em virtude de ter publicado uma carta de protesto contra a ingerência dos poderes públicos na administração do Conservatório. Glazunov e Liadov demitiram-se de imediato, e o escândalo obrigou a uma reorganização do estabelecimento, sob a direção de Glazunov, que reintegrou nas suas funções de ilustre professor. Rimski-Korsakov morreu em Linbensk, próximo a São Petersburgo, em 21 de junho de 1908.
Obras: 15 óperas (entre as quais se contam Sniegurotchka, O galo de ouro e a sua obra-prima: A lenda da cidade invisível de Kitej), numerosas obras corais, 3 sinfonias (entre elas, a n.º 2 - Antar), grandes aberturas ou suítes sinfônicas (Capricho espanhol, Scherazade, A grande Páscoa russa), um concerto para piano, música de câmara, peças para piano, mais de 100 melodias. Devem-se lhe também a harmonização de cerca de 150 canções populares russas, a edição da obra completa de Glinka, a correção ou a orquestração de algumas obras dos seus contemporâneos.
Criticou-se muito a sua intervenção nas obras de outros (orquestração de O convidado de pedra, de Dargomijsky, de uma parte de O príncipe Igor de Borodin, das duas grandes obras de Mussorgsky, Boris Godunov e Khovantchina que terminou, a transcrição para a partitura de A noite de São João no Monte Calvo). É certo que nem sempre foram hábeis do ponto de vista das intenções originais (Mussorgsky, por exemplo), mas são testemunho de uma consciência e de uma dedicação que não foram suficientemente louvadas.
Em contrapartida, disse-se tudo acerca da esplêndida "paleta" orquestral de Rimski-Korsakov e poucas vezes foi tão feliz o vocabulário tomado de empréstimo às artes plásticas. A preocupação de pintar na música é uma das características do seu gênio sinfônico e todas as suas obras instrumentais notáveis se podem considerar emanações da música de programa.
Mas as suas óperas, que são as suas melhores produções, não são suficientemente conhecidas. Nelas faz magistralmente a fusão íntima das técnicas ocidentais e da inspiração russa (lendas populares e temas nacionais, velhos modos eclesiásticos e gamas orientais), fusão preconizada por Glinka ("fusão íntima dos cantos populares russos e da fuga originária do Ocidente").
Os seus dotes eram evidentes e maravilhavam os que o rodeavam, mas, como um jovem de boa família devia seguir a carreira das armas, inscreveram-no, aos 12 anos, na escola de cadetes da marinha, em São Petersburgo. Na educação que recebeu até 1862, nada favorecia o desenvolvimento dos seus dons, mas conseguia estudar piano e violoncelo aos domingos e durante as férias.
Em 1861, conheceu Balakirev e decidiu completar com ele a sua muita sumária formação musical, e juntou-se ao grupo de jovens músicos (Cui, Mussorgsky, Borodin), quase todos autodidatas, que se reuniram à volta de Balakirev para criarem um nacionalismo musical russo: constituíam o escol e a vanguarda da nova música russa, o famoso Grupo dos Cinco que, em breve, iria dar de falar.
Obrigado a navegar por esse mundo, antes de ter podido aproveitar plenamente os ensinos de Balakirev, Rimski-Korsakov compôs, não sem dificuldades, a sua Sinfonia n.º 1, que, corrigida por este, foi interpretada com grande êxito em São Petersburgo (1865). Seguiram-se várias obras que iriam fazer que o jovem marinheiro fosse, para seu espanto, nomeado professor de composição do conservatório de São Petersburgo. Tornaria-se um célebre professor e teria como alunos Liadov, Gretchaninov, Glazunov, Stravinsky, Respighi, entre outros.
Mas a bagagem do novo professor era ainda muito insuficiente: entre as aulas, dedicava-se a um estudo muito profundo de contraponto, da harmonia, da instrumentação e tornou-se, devido a um trabalho intenso, no mais sábio músico de sua geração. Foi nomeado professor de bandas da armada, o que lhe evitou ter de se demitir da marinha. Nos anos seguintes, foi diretor de concertos do conservatório livre (1874-1881) e diretor de concertos sinfônicos russos fundados pelo editor Bélaiev.
Exibiu-se como chefe de orquestra no estrangeiro, especialmente em Paris, durante a Exposição Universal de 1899, onde a música russa foi uma revelação para os jovens músicos franceses. Em 1905, foi demitido das suas funções pedagógicas em virtude de ter publicado uma carta de protesto contra a ingerência dos poderes públicos na administração do Conservatório. Glazunov e Liadov demitiram-se de imediato, e o escândalo obrigou a uma reorganização do estabelecimento, sob a direção de Glazunov, que reintegrou nas suas funções de ilustre professor. Rimski-Korsakov morreu em Linbensk, próximo a São Petersburgo, em 21 de junho de 1908.
Obras: 15 óperas (entre as quais se contam Sniegurotchka, O galo de ouro e a sua obra-prima: A lenda da cidade invisível de Kitej), numerosas obras corais, 3 sinfonias (entre elas, a n.º 2 - Antar), grandes aberturas ou suítes sinfônicas (Capricho espanhol, Scherazade, A grande Páscoa russa), um concerto para piano, música de câmara, peças para piano, mais de 100 melodias. Devem-se lhe também a harmonização de cerca de 150 canções populares russas, a edição da obra completa de Glinka, a correção ou a orquestração de algumas obras dos seus contemporâneos.
Criticou-se muito a sua intervenção nas obras de outros (orquestração de O convidado de pedra, de Dargomijsky, de uma parte de O príncipe Igor de Borodin, das duas grandes obras de Mussorgsky, Boris Godunov e Khovantchina que terminou, a transcrição para a partitura de A noite de São João no Monte Calvo). É certo que nem sempre foram hábeis do ponto de vista das intenções originais (Mussorgsky, por exemplo), mas são testemunho de uma consciência e de uma dedicação que não foram suficientemente louvadas.
Em contrapartida, disse-se tudo acerca da esplêndida "paleta" orquestral de Rimski-Korsakov e poucas vezes foi tão feliz o vocabulário tomado de empréstimo às artes plásticas. A preocupação de pintar na música é uma das características do seu gênio sinfônico e todas as suas obras instrumentais notáveis se podem considerar emanações da música de programa.
Mas as suas óperas, que são as suas melhores produções, não são suficientemente conhecidas. Nelas faz magistralmente a fusão íntima das técnicas ocidentais e da inspiração russa (lendas populares e temas nacionais, velhos modos eclesiásticos e gamas orientais), fusão preconizada por Glinka ("fusão íntima dos cantos populares russos e da fuga originária do Ocidente").
terça-feira, 13 de abril de 2010
Franz Von Suppé
Franz von Suppé nasceu em Split, Dalmácia (Croácia), em 18 de abril de 1819. Cursou medicina na universidade de Pádua e depois estudou música no conservatório de Viena. Foi, sucessivamente, diretor de orquestra do Josephstadt Theater, do Theater na der Wien e do Leopoldstadt Theater. O músico morreu em Viena, em 21 de maio de 1895.
Obras: cerca de 30 operetas (entre as quais se contam A bela Galatea, O poeta e o camponês, Cavalaria ligeira, que ficaram célebres devido às suas aberturas) e 180 possen, farsas, vaudevilles, etc., bem como 2 óperas, uma missa, um Requiem.
Obras: cerca de 30 operetas (entre as quais se contam A bela Galatea, O poeta e o camponês, Cavalaria ligeira, que ficaram célebres devido às suas aberturas) e 180 possen, farsas, vaudevilles, etc., bem como 2 óperas, uma missa, um Requiem.
Richard Strauss
Richard Strauss nasceu em Munique (Alemanha) a 11 de junho de 1864. Sua educação musical foi clássica e, como dirigente (1885) em Meiningen, ainda era adepto de Brahms. De repente converteu-se, tornando-se discípulo e herdeiro de Wagner. Foi (1886-1889 e 1894-1899) dirigente em Munique, depois (1899-1910) diretor geral de música em Berlim.
Seus sucessos são, agora, internacionais. Em 1919 é nomeado diretor da Ópera de Viena (até 1924). Os últimos anos de sua vida foram escurecidos pelo nazismo e pela II Guerra Mundial. R.Strauss morreu em Garmisch a 8 de setembro de 1949.
Na sala de concertos e na ópera, R.Strauss fez música de programa, levando até às últimas conseqüências a imitação de ruídos à maneira de Berlioz. Suas artes de orquestração são magistrais e até hoje insuperadas; sua música é extremamente sensual, 'embriagante'. R.Strauss foi homem de alta cultura literária e filosófica, mas suas tentativas de traduzir tudo isso em linguagem musical têm algo de lúdico.
A partir de 1910 realizou uma transformação, fazendo música mozartiana, adotando o estilo do séc. XVIII sem renunciar às complicadas técnicas wagnerianas.
R.Strauss escreveu na mocidade várias obras camerísticas, em estilo clássico, que hoje são executadas, ocasionalmente, por serem de R.Strauss. Mas são muito importantes seus lieder, pós-românticos, cuja tensão dramática revela o operista: Finados, Sonhos no crepúsculo, Dedicatória e muitos outros, que pertencem ao repertório.
Strauss é o maior mestre do gênero poema sinfônico, depois de Berlioz e Liszt. Só pitoresco é Da Itália (1887). Don Juan (1889) e Macbeth (1890) são de uma audácia harmônica que o compositor evitou mais tarde. Suas obras-primas nesse gênero são o solene Morte e transfiguração (1890) e As alegres travessuras de Till Eulenspiegel (1895), seus maiores sucessos nas salas de concertos.
Grande também foi o êxito de Assim falou Zaratustra (1896), Uma vida de herói (1899), Sinfonia doméstica (1904) e Uma sinfonia dos Alpes (1915). Mas a glória de R.Strauss como sinfonista está em declínio.
Depois de suas tentativas sem sucesso escreveu R.Strauss a ópera Salomé (1905), pondo em música o texto integral da peça de Wilde (em tradução alemã): é uma obra-prima em decadentismo extremamente requintado. Em estilo semelhante escreveu-lhe o poeta austríaco Hugo von Hofmannsthal o libreto de Elektra (1909), que alguns consideram como a maior obra de R.Strauss. Hofmannsthal influenciou também, a conversão de R.Strauss a Mozart, cujo fruto foi O cavaleiro da rosa (1911), o maior sucesso da arte operística no séc. XX. Essas três óperas pertencem ao repertório permanente.
Mas de Ariadne em Naxos (1912-1917) só sobrevive uma suíte, tirada da música; e sobre as últimas óperas de R.Strauss - A mulher sem sombra (1919), A Helena egípcia (1928), Arabella (1933), Dafne (1937) e outras - as opiniões continuaram divididas.
Seus sucessos são, agora, internacionais. Em 1919 é nomeado diretor da Ópera de Viena (até 1924). Os últimos anos de sua vida foram escurecidos pelo nazismo e pela II Guerra Mundial. R.Strauss morreu em Garmisch a 8 de setembro de 1949.
Na sala de concertos e na ópera, R.Strauss fez música de programa, levando até às últimas conseqüências a imitação de ruídos à maneira de Berlioz. Suas artes de orquestração são magistrais e até hoje insuperadas; sua música é extremamente sensual, 'embriagante'. R.Strauss foi homem de alta cultura literária e filosófica, mas suas tentativas de traduzir tudo isso em linguagem musical têm algo de lúdico.
A partir de 1910 realizou uma transformação, fazendo música mozartiana, adotando o estilo do séc. XVIII sem renunciar às complicadas técnicas wagnerianas.
R.Strauss escreveu na mocidade várias obras camerísticas, em estilo clássico, que hoje são executadas, ocasionalmente, por serem de R.Strauss. Mas são muito importantes seus lieder, pós-românticos, cuja tensão dramática revela o operista: Finados, Sonhos no crepúsculo, Dedicatória e muitos outros, que pertencem ao repertório.
Strauss é o maior mestre do gênero poema sinfônico, depois de Berlioz e Liszt. Só pitoresco é Da Itália (1887). Don Juan (1889) e Macbeth (1890) são de uma audácia harmônica que o compositor evitou mais tarde. Suas obras-primas nesse gênero são o solene Morte e transfiguração (1890) e As alegres travessuras de Till Eulenspiegel (1895), seus maiores sucessos nas salas de concertos.
Grande também foi o êxito de Assim falou Zaratustra (1896), Uma vida de herói (1899), Sinfonia doméstica (1904) e Uma sinfonia dos Alpes (1915). Mas a glória de R.Strauss como sinfonista está em declínio.
Depois de suas tentativas sem sucesso escreveu R.Strauss a ópera Salomé (1905), pondo em música o texto integral da peça de Wilde (em tradução alemã): é uma obra-prima em decadentismo extremamente requintado. Em estilo semelhante escreveu-lhe o poeta austríaco Hugo von Hofmannsthal o libreto de Elektra (1909), que alguns consideram como a maior obra de R.Strauss. Hofmannsthal influenciou também, a conversão de R.Strauss a Mozart, cujo fruto foi O cavaleiro da rosa (1911), o maior sucesso da arte operística no séc. XX. Essas três óperas pertencem ao repertório permanente.
Mas de Ariadne em Naxos (1912-1917) só sobrevive uma suíte, tirada da música; e sobre as últimas óperas de R.Strauss - A mulher sem sombra (1919), A Helena egípcia (1928), Arabella (1933), Dafne (1937) e outras - as opiniões continuaram divididas.
Erik Satie
Erik Satie nasceu em Honfleur (França) a 17 de maio de 1866. Em 1879 entrou no Conservatório de Paris, que depois abandonou. Tornou-se pianista de cafés, freqüentando a boêmia de Montmartre. Em 1891 conheceu Debussy, de quem se tornou amigo. Abandonou Montmartre em 1898, viveu desde então solitário no subúrbio de Arcueil, retomando em 1905 os estudos na Escola Cantorum, onde foi discípulo de Albert Roussel. Pouco antes de morrer (Paris, 1.º de julho de 1925) patrocinou um grupo de jovens músicos conhecido como École d'Arcueil.
Satie viveu na pobreza. Ascética como a sua vida foi também a sua concepção musical. Seu ódio à grandiloqüência conduziu-o a uma delimitação radical dos meios expressivos, em função da intensidade expressiva e da articulação original. Sua obra, de proporções reduzidas, não ocupa grande espaço, mas lugar único, exclusivo, na história da música moderna. O valor básico de sua obra repousa em sua originalidade.
Excêntrico sem par, solitário que não aderiu a qualquer grupo, humorista sarcástico, Satie estendeu esse espírito à própria arte, dando títulos extravagantes às suas obras e enchendo as notações musicais de comentários absurdos. Sua atitude exterior foi a de um clown, sendo, por isso, detestado por muitos como mistificador e endeusado por outros como vanguardista.
Combinou estranhamente o misticismo e o humor, o music hall e o cantochão. Sua atitude, na arte, foi anti-retórica e de um anti-sentimentalismo extremo. A linguagem dos seus títulos corresponde, de fato, à linguagem de sua música.
A parte mais característica da obra de Satie é a música para piano. Seu período inicial é o das danças, que compreende as Sarabandas (3) (1887), Gymnopédias (3) (1888) e Gnossienes (3) (1890), de harmonias extremamente delicadas. Associada às Somneries de la Rose-Croix para piano está a Missa dos pobres (1895), para vozes e órgãos, onde contrasta harmonias cromáticas requintadas com a simplicidade e a impessoalidade do cantochão.
Um novo período relaciona a pantomima musical Jack em uma caixa (1899) com peças pianísticas de café-concerto. Depois, os títulos se tornam cada vez mais extravagantes. Satie especula sobre a linguagem musical nos Embriões dissecados (1913), utilizando-se ironicamente de pastichos, parodiando a Marcha fúnebre de Chopin. Peças pianísticas posteriores continuam essa linha de anti-linguagem musical, mas outras, como os Noturnos (1919), retomam a emotividade contida nas Gnossienes (3).
Em 1916 o balé Parade causou escândalo, pela repetição proposital dos padrões rítmicos e pela intercalação de sons não musicais (buzina, ruídos de uma máquina de escrever), mas numa simetria arquitetônica rigorosa. Semelhantes tentativas de expressão musical alheias às associações convencionais se produzem nos balés Mercúrio e Repouso (1924). Melodias extraídas do contexto vulgar do music hall são usadas noutra articulação, numa síntese inédita.
É com Socrate (1918), drama sinfônico para quatro solistas e orquestra de câmara, que Satie chega à sua experiência mais pessoal. Uma harmonia severa, extremamente despojada, acompanha a linha vocal do cantochão. Toda a obra é composta dentro de padrões lineares, objetivos, sem qualquer tentativa de efeitos dramáticos. Mas o efeito final é contrário, sentindo-se a dramaticidade contida na obra. A ironia desaparece e cede lugar a um despojamento total, objetivo de sua concepção da arte.
Satie viveu na pobreza. Ascética como a sua vida foi também a sua concepção musical. Seu ódio à grandiloqüência conduziu-o a uma delimitação radical dos meios expressivos, em função da intensidade expressiva e da articulação original. Sua obra, de proporções reduzidas, não ocupa grande espaço, mas lugar único, exclusivo, na história da música moderna. O valor básico de sua obra repousa em sua originalidade.
Excêntrico sem par, solitário que não aderiu a qualquer grupo, humorista sarcástico, Satie estendeu esse espírito à própria arte, dando títulos extravagantes às suas obras e enchendo as notações musicais de comentários absurdos. Sua atitude exterior foi a de um clown, sendo, por isso, detestado por muitos como mistificador e endeusado por outros como vanguardista.
Combinou estranhamente o misticismo e o humor, o music hall e o cantochão. Sua atitude, na arte, foi anti-retórica e de um anti-sentimentalismo extremo. A linguagem dos seus títulos corresponde, de fato, à linguagem de sua música.
A parte mais característica da obra de Satie é a música para piano. Seu período inicial é o das danças, que compreende as Sarabandas (3) (1887), Gymnopédias (3) (1888) e Gnossienes (3) (1890), de harmonias extremamente delicadas. Associada às Somneries de la Rose-Croix para piano está a Missa dos pobres (1895), para vozes e órgãos, onde contrasta harmonias cromáticas requintadas com a simplicidade e a impessoalidade do cantochão.
Um novo período relaciona a pantomima musical Jack em uma caixa (1899) com peças pianísticas de café-concerto. Depois, os títulos se tornam cada vez mais extravagantes. Satie especula sobre a linguagem musical nos Embriões dissecados (1913), utilizando-se ironicamente de pastichos, parodiando a Marcha fúnebre de Chopin. Peças pianísticas posteriores continuam essa linha de anti-linguagem musical, mas outras, como os Noturnos (1919), retomam a emotividade contida nas Gnossienes (3).
Em 1916 o balé Parade causou escândalo, pela repetição proposital dos padrões rítmicos e pela intercalação de sons não musicais (buzina, ruídos de uma máquina de escrever), mas numa simetria arquitetônica rigorosa. Semelhantes tentativas de expressão musical alheias às associações convencionais se produzem nos balés Mercúrio e Repouso (1924). Melodias extraídas do contexto vulgar do music hall são usadas noutra articulação, numa síntese inédita.
É com Socrate (1918), drama sinfônico para quatro solistas e orquestra de câmara, que Satie chega à sua experiência mais pessoal. Uma harmonia severa, extremamente despojada, acompanha a linha vocal do cantochão. Toda a obra é composta dentro de padrões lineares, objetivos, sem qualquer tentativa de efeitos dramáticos. Mas o efeito final é contrário, sentindo-se a dramaticidade contida na obra. A ironia desaparece e cede lugar a um despojamento total, objetivo de sua concepção da arte.
Saint - Saens
Charles Camille Saint-Saëns nasceu em Paris, em 9 de outubro de 1835. Seu pai, funcionário do Ministério do Interior, morreu logo após o nascimento do filho, e o garoto foi criado pela mãe e pela tia, que lhe deu as primeiras aulas de piano, quando tinha dois anos e meio. Mostrou excepcional talento e, com dez anos, apresentou-se em um concerto público na Sala Pleyel, já sabendo de cor todas as sonatas de Beethoven.
Durante uma carreira em todos os aspectos ilustre no Conservatório, onde teve aulas de composição com Halèvy e estudou órgão com Bergist, Saint-Saëns não conseguiu ganhar o Prêmio de Roma, mas escreveu uma série impressionante de composições. De modo semelhante a muitos outros compositores franceses, assumiu um cargo de organista em Paris e durante quase vinte anos ocupou essa função no Madeleine.
Durante quatro anos, de 1861 a 1865, Saint-Säens lecionou na Escola Niedermeyer e foi aí que encontrou Fauré, que viria a ser seu grande amigo até o fim da vida. Seu casamento, em 1875, foi breve e infeliz - e durou apenas seis anos, com dois filhos morrendo na infância. A morte da mãe em 1888, foi um grande golpe em sua segurança e ele viria, a partir de então, a passar grande parte de seu tempo viajando, especialmente para o Egito e a Argélia. Morreu em Argel, em 16 de dezembro de 1921.
Saint-Saëns viveu muitos anos e compôs uma enorme quantidade de músicas. À época de sua morte, em 1921, com 86 anos, parecia uma relíquia de um período remoto. Quando jovem, ganhou o apelido de ‘Mendelssohn francês’. Viveu, já idoso, no mundo de compositores como Ravel, Stravinsky e Schoenberg.
Saint-Saëns era imensamente talentoso, como executante e como compositor. Liszt, que o ouviu improvisar na Madaleine, descreve-o como o maior organista vivo, e Hans von Bullow, que o ouviu ler a partitura de Siegfried de Wagner à primeira vista no piano definiu-o como a maior mente musical da época. Como pianista, executou principalmente sua própria música, evitando assim o trabalho tedioso de mero virtuose que facilmente poderia ter-se tornado.
Saint-Saëns foi conservador em sua obra e infenso ao wagnerismo então predominante. Tornou-se conhecido pelos seus poemas sinfônicos, sobretudo Dança macabra (1874), pleno de verve humorística. Menos conhecida, porém ambiciosa, é a Sinfonia n.º 3 (1886), com órgão e dois pianos, sua obra mais beethoveniana. Outra obra célebre é a ópera Sansão e Dalila (1877), inicialmente recusada em Paris, típica do ecletismo do autor, fundindo estranhamente Gluck, Verdi e Offenbach.
Setor de relevo é de seus elaborados concertos, sobretudo os Concertos para piano n.º 2 em sol menor (1868) e n.º 4 em dó menor (1875), o Concerto para violino n.º 3 em si menor (1880) e o Concerto para violoncelo n.º 2 em ré menor (1902).
Finalmente competiu na música de câmara, com a escola de Franck, destacando-se com várias obras de brilhante fatura nesse setor. Saint-Saëns foi ainda crítico musical de destaque.
Durante uma carreira em todos os aspectos ilustre no Conservatório, onde teve aulas de composição com Halèvy e estudou órgão com Bergist, Saint-Saëns não conseguiu ganhar o Prêmio de Roma, mas escreveu uma série impressionante de composições. De modo semelhante a muitos outros compositores franceses, assumiu um cargo de organista em Paris e durante quase vinte anos ocupou essa função no Madeleine.
Durante quatro anos, de 1861 a 1865, Saint-Säens lecionou na Escola Niedermeyer e foi aí que encontrou Fauré, que viria a ser seu grande amigo até o fim da vida. Seu casamento, em 1875, foi breve e infeliz - e durou apenas seis anos, com dois filhos morrendo na infância. A morte da mãe em 1888, foi um grande golpe em sua segurança e ele viria, a partir de então, a passar grande parte de seu tempo viajando, especialmente para o Egito e a Argélia. Morreu em Argel, em 16 de dezembro de 1921.
Saint-Saëns viveu muitos anos e compôs uma enorme quantidade de músicas. À época de sua morte, em 1921, com 86 anos, parecia uma relíquia de um período remoto. Quando jovem, ganhou o apelido de ‘Mendelssohn francês’. Viveu, já idoso, no mundo de compositores como Ravel, Stravinsky e Schoenberg.
Saint-Saëns era imensamente talentoso, como executante e como compositor. Liszt, que o ouviu improvisar na Madaleine, descreve-o como o maior organista vivo, e Hans von Bullow, que o ouviu ler a partitura de Siegfried de Wagner à primeira vista no piano definiu-o como a maior mente musical da época. Como pianista, executou principalmente sua própria música, evitando assim o trabalho tedioso de mero virtuose que facilmente poderia ter-se tornado.
Saint-Saëns foi conservador em sua obra e infenso ao wagnerismo então predominante. Tornou-se conhecido pelos seus poemas sinfônicos, sobretudo Dança macabra (1874), pleno de verve humorística. Menos conhecida, porém ambiciosa, é a Sinfonia n.º 3 (1886), com órgão e dois pianos, sua obra mais beethoveniana. Outra obra célebre é a ópera Sansão e Dalila (1877), inicialmente recusada em Paris, típica do ecletismo do autor, fundindo estranhamente Gluck, Verdi e Offenbach.
Setor de relevo é de seus elaborados concertos, sobretudo os Concertos para piano n.º 2 em sol menor (1868) e n.º 4 em dó menor (1875), o Concerto para violino n.º 3 em si menor (1880) e o Concerto para violoncelo n.º 2 em ré menor (1902).
Finalmente competiu na música de câmara, com a escola de Franck, destacando-se com várias obras de brilhante fatura nesse setor. Saint-Saëns foi ainda crítico musical de destaque.
sábado, 7 de novembro de 2009
Mozart Camargo Guarnieri
Seu pai era um imigrante italiano e sua mãe vinha de uma tradicional família paulista. O pai, Miguel Guarnieri, era barbeiro e músico, e tocava flauta. A mãe, Gécia Camargo, tocava piano. O pequeno Mozart aprendeu música em casa.
Teve aulas de piano a partir dos dez anos de idade com Virgínio Dias. Para este professor dedicou sua primeira composição, a valsa Sonho de artista (1918). A obra foi desdenhada pelo professor, mas seu pai julgou que a obra era fruto de promissor talento, pagando sua publicação em 1920.
Em 1923, Miguel Guarnieri decidiu mudar-se com a família para a São Paulo para proporcionar melhores condições de estudo da música ao filho. Sendo uma família sem recursos financeiros, Guarnieri trabalhou junto com o pai na barbearia e trabalhou como pianista. Até 1925 manteve vários empregos, tocando em cinemas, lojas de partitura e casas de baile da cidade. Estudou piano com Ernani Braga.
Em 1925 seu pai obteve melhor emprego, o que permitiu a Guarnieri reduzir sua carga de trabalho e dedicar-se mais ao estudo da música. Passou a ter aulas de piano com Antônio de Sá Pereira, e, alguns anos depois, começou também a estudar harmonia, contraponto, orquestração e composição com o maestro Lamberto Baldi, recém chegado da Itália.
Em 1928 foi apresentado a Mário de Andrade, a quem mostrou suas obras recém compostas Canção Sertaneja e Dança Brasileira. O escritor modernista tornou-se seu mestre intelectual. Guarnieri passou a freqüentar a casa de Mário de Andrade, com quem discutia estética, ouvia obras musicais e tomava livros emprestados. Tendo cursado até então apenas dois anos do curso primário, o contato com o escritor foi muito importante para a formação intelectual de Guarnieri. O contato entre ambos tornou-se uma grande amizade e também uma parceria artística. Muitas das canções escritas por Camargo Guarnieri foram sobre textos de Mário de Andrade, incluindo a ópera Pedro Malazarte. Exercendo atividade como crítico musical na imprensa, Mário de Andrade foi um dos principais responsáveis pela aceitação e pela divulgação da obra de Camargo Guarnieri.
Em 1938 o compositor recebeu uma bolsa de estudos concedida pelo governo do estado de São Paulo para estudar em Paris. Teve aulas de contraponto e harmonia com Charles Koechlin, e de regência com François Rühlmann.
Em 1944, recebeu vários prêmios nos Estados Unidos que lhe conferiram notoriedade. Classificou-se em segundo lugar em um concurso realizado em Detroit para eleger a "Sinfonia das Américas".
Em 1950, Camargo Guarnieri publica a Carta Aberta aos Músicos e Críticos do Brasil, na qual condena a técnica dodecafônica de composição. A carta faz referências veladas a Hans-Joachim Koellreutter, líder do grupo Música Viva.
A obra musical de Camargo Guarnieri é formada por mais de 700 obras e é provavelmente o segundo compositor brasileiro mais executado no mundo, superado apenas por Villa-Lobos. Pouco antes de sua morte recebeu o prêmio "Gabriela Mistral", sob o título de "maior compositor das Américas".
Atualmente, boa parte do acervo de partituras e objetos deixados por Guarnieri encontram-se no arquivo do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo e no Centro Cultural São Paulo.
[editar] Obra
Ver lista de obras de Camargo Guarnieri
[editar] Na Cultura
* Projeto Camargo Guarnieri 3 concertos para violino e a Missão em DVD, patrocínio da Petrobras - Selo CCSP (Centro Cultural São Paulo), 2008, Lua Music 324
* Documentário Notas Soltas Sobre Um Homem Só de Carlos de Moura Ribeiro Mendes que será exibido no Festival do Rio e na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
Teve aulas de piano a partir dos dez anos de idade com Virgínio Dias. Para este professor dedicou sua primeira composição, a valsa Sonho de artista (1918). A obra foi desdenhada pelo professor, mas seu pai julgou que a obra era fruto de promissor talento, pagando sua publicação em 1920.
Em 1923, Miguel Guarnieri decidiu mudar-se com a família para a São Paulo para proporcionar melhores condições de estudo da música ao filho. Sendo uma família sem recursos financeiros, Guarnieri trabalhou junto com o pai na barbearia e trabalhou como pianista. Até 1925 manteve vários empregos, tocando em cinemas, lojas de partitura e casas de baile da cidade. Estudou piano com Ernani Braga.
Em 1925 seu pai obteve melhor emprego, o que permitiu a Guarnieri reduzir sua carga de trabalho e dedicar-se mais ao estudo da música. Passou a ter aulas de piano com Antônio de Sá Pereira, e, alguns anos depois, começou também a estudar harmonia, contraponto, orquestração e composição com o maestro Lamberto Baldi, recém chegado da Itália.
Em 1928 foi apresentado a Mário de Andrade, a quem mostrou suas obras recém compostas Canção Sertaneja e Dança Brasileira. O escritor modernista tornou-se seu mestre intelectual. Guarnieri passou a freqüentar a casa de Mário de Andrade, com quem discutia estética, ouvia obras musicais e tomava livros emprestados. Tendo cursado até então apenas dois anos do curso primário, o contato com o escritor foi muito importante para a formação intelectual de Guarnieri. O contato entre ambos tornou-se uma grande amizade e também uma parceria artística. Muitas das canções escritas por Camargo Guarnieri foram sobre textos de Mário de Andrade, incluindo a ópera Pedro Malazarte. Exercendo atividade como crítico musical na imprensa, Mário de Andrade foi um dos principais responsáveis pela aceitação e pela divulgação da obra de Camargo Guarnieri.
Em 1938 o compositor recebeu uma bolsa de estudos concedida pelo governo do estado de São Paulo para estudar em Paris. Teve aulas de contraponto e harmonia com Charles Koechlin, e de regência com François Rühlmann.
Em 1944, recebeu vários prêmios nos Estados Unidos que lhe conferiram notoriedade. Classificou-se em segundo lugar em um concurso realizado em Detroit para eleger a "Sinfonia das Américas".
Em 1950, Camargo Guarnieri publica a Carta Aberta aos Músicos e Críticos do Brasil, na qual condena a técnica dodecafônica de composição. A carta faz referências veladas a Hans-Joachim Koellreutter, líder do grupo Música Viva.
A obra musical de Camargo Guarnieri é formada por mais de 700 obras e é provavelmente o segundo compositor brasileiro mais executado no mundo, superado apenas por Villa-Lobos. Pouco antes de sua morte recebeu o prêmio "Gabriela Mistral", sob o título de "maior compositor das Américas".
Atualmente, boa parte do acervo de partituras e objetos deixados por Guarnieri encontram-se no arquivo do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo e no Centro Cultural São Paulo.
[editar] Obra
Ver lista de obras de Camargo Guarnieri
[editar] Na Cultura
* Projeto Camargo Guarnieri 3 concertos para violino e a Missão em DVD, patrocínio da Petrobras - Selo CCSP (Centro Cultural São Paulo), 2008, Lua Music 324
* Documentário Notas Soltas Sobre Um Homem Só de Carlos de Moura Ribeiro Mendes que será exibido no Festival do Rio e na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
Francisco Mignone
Francisco Mignone (São Paulo, 3 de setembro de 1897 — Rio de Janeiro, 19 de fevereiro de 1986) foi um compositor erudito brasileiro.
Começou a estudar música com o pai, o flautista Alfério Mignone, que emigrou da Itália para o Brasil. No Conservatório Dramático Musical de São Paulo formou-se em piano, flauta e composição. Foi aluno de Luigi Chiaffarelli e de Agostino Cantú.
Iniciou sua carreira na música popular, sob o pseudônimo de Chico Bororó. Era conhecido por tocar nas rodas de choro em bairros como o Brás, Bexiga e Barra Funda.
Em 1920, agraciado com uma bolsa de estudos concedida pelo Pensionato Artístico do Estado de São Paulo, foi estudar em Milão com Vincenzo Ferroni e lá escreveu sua primeira ópera, O Contratador de Diamantes. A primeira audição da Congada, uma peça orquestral dessa ópera, deu-se sob a batuta de Richard Strauss com a Orquestra Filarmônica de Viena, no Rio de Janeiro.
Em 1929, já de volta ao Brasil, iniciou um período de amizade e parceria com Mário de Andrade. Em colaboração com o escritor compôs algumas de suas principais obras como a suíte Festa das Igrejas e o bailado Maracatu do Chico Rei, além da Sinfonia do Trabalho.
Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se tornou professor de regência no Instituto Nacional de Música.
deu início à sua fase nacionalista, que se estendeu até 1959, quando ele preferiu admitir o uso de qualquer processo de composição que lhe conferisse liberdade ao escrever a música. Sua obra musical inclui numerosas canções, obras para piano, óperas, um balé, obras de cunho nacionalista.
Dentre elas, de se citar a belíssima Valsa de Esquina no. 2, em que se pode bem notar uma melodia executada com a mão esquerda no registro grave (contraponto), ao mesmo tempo que a melodia propriamente dita, executada pela mão direita no registro médio e agudo.
Foi casado com a concertista Marie Joséphine Bensoussan (nas artes, Maria Josephina) de quem teve uma filha, Anete.
Portal A Wikipédia possui o
Portal da Música Erudita
Começou a estudar música com o pai, o flautista Alfério Mignone, que emigrou da Itália para o Brasil. No Conservatório Dramático Musical de São Paulo formou-se em piano, flauta e composição. Foi aluno de Luigi Chiaffarelli e de Agostino Cantú.
Iniciou sua carreira na música popular, sob o pseudônimo de Chico Bororó. Era conhecido por tocar nas rodas de choro em bairros como o Brás, Bexiga e Barra Funda.
Em 1920, agraciado com uma bolsa de estudos concedida pelo Pensionato Artístico do Estado de São Paulo, foi estudar em Milão com Vincenzo Ferroni e lá escreveu sua primeira ópera, O Contratador de Diamantes. A primeira audição da Congada, uma peça orquestral dessa ópera, deu-se sob a batuta de Richard Strauss com a Orquestra Filarmônica de Viena, no Rio de Janeiro.
Em 1929, já de volta ao Brasil, iniciou um período de amizade e parceria com Mário de Andrade. Em colaboração com o escritor compôs algumas de suas principais obras como a suíte Festa das Igrejas e o bailado Maracatu do Chico Rei, além da Sinfonia do Trabalho.
Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se tornou professor de regência no Instituto Nacional de Música.
deu início à sua fase nacionalista, que se estendeu até 1959, quando ele preferiu admitir o uso de qualquer processo de composição que lhe conferisse liberdade ao escrever a música. Sua obra musical inclui numerosas canções, obras para piano, óperas, um balé, obras de cunho nacionalista.
Dentre elas, de se citar a belíssima Valsa de Esquina no. 2, em que se pode bem notar uma melodia executada com a mão esquerda no registro grave (contraponto), ao mesmo tempo que a melodia propriamente dita, executada pela mão direita no registro médio e agudo.
Foi casado com a concertista Marie Joséphine Bensoussan (nas artes, Maria Josephina) de quem teve uma filha, Anete.
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Alberto Nepomuceno
Nasceu em Fortaleza no dia 6 de julho de 1864 e faleceu no Rio de Janeiro em 16 de outubro de 1920.
Filho de Vítor Augusto Nepomuceno e Maria Virgínia de Oliveira Paiva, foi iniciado nos estudos musicais por seu pai, que era violinista, professor, mestre da banda e organista da Catedral de Fortaleza. Em 1872 transferiu-se com a família para Recife, onde começou a estudar piano e violino.
Responsável pelo sustento da mãe e irmã após a morte de seu pai, em 1880, Nepomuceno empregou-se como tipógrafo e passou a ministrar aulas particulares de música, ficando impossibilitado de prosseguir seus estudos no Curso de Humanidades. Apesar do pouco tempo que lhe sobrava, conseguiu dar continuidade aos seus estudos musicais com o maestro Euclides Fonseca.
Durante sua juventude, manteve amizade com alunos e mestres da Faculdade de Direito do Recife, como Alfredo Pinto, Clóvis Bevilaqua, Farias Brito. A Faculdade, nessa época, era um grande centro intelectual do país; por lá fervilhavam idéias e análises sociais de vanguarda, como os estudos sociológicos de Manuel Bonfim e Tobias Barreto, além das teorias darwinistas e spenceristas de Sílvio Romero. Foi Barreto quem despertou em Nepomuceno o interesse pelos estudos da língua alemã e da filosofia, dando-lhe aulas de ambas as disciplinas.
Tornou-se um defensor atuante das causas republicana e abolicionista no Nordeste, participando de diversas campanhas. Entretanto, não descuidou de suas atividades como músico, assumindo, aos dezoito anos, a direção dos concertos do Clube Carlos Gomes de Recife. Atuou também como violinista na estréia da ópera Leonor, de Euclides Fonseca, no Teatro Santa Isabel.
De volta ao Ceará com a família, ligou-se a João Brígido e João Cordeiro, defensores do movimento abolicionista, passando a colaborar em diversos jornais ligados à causa. Devido às suas atividades políticas, seu pedido de custeio ao governo imperial para estudar na Europa foi indeferido.
[editar] Sociedade da Corte
Em 1885, Nepomuceno mudou-se para o Rio de Janeiro, indo morar na residência da família dos artistas plásticos Rodolfo Bernardelli e Henrique Bernardelli. Deu continuidade aos seus estudos de piano no Clube Beethoven, onde se apresentou ao lado de Arthur Napoleão. Pouco tempo depois, foi nomeado professor de piano do clube, que tinha em seu quadro funcional, como bibliotecário, Machado de Assis.
A capital do império, neste período, vivia um momento de grande efervescência social, política e cultural. No âmbito social, ocorria um vertiginoso crescimento populacional com o aumento do fluxo migratório em busca de trabalho. No plano político, sucediam-se os ataques das campanhas abolicionista e republicana à monarquia. No campo literário, os movimentos romântico, simbolista e naturalista, em voga na Europa, influenciavam diversos escritores brasileiros, como Olavo Bilac, Machado de Assis, Aluísio Azevedo e Coelho Neto.
O grande interesse de Nepomuceno pela literatura brasileira e pela valorização da língua portuguesa, aproximou-o de alguns dos mais importantes autores da época, surgindo, da parceria com poetas e escritores, várias composições como: Ártemis (1898), com texto de Coelho Neto; Coração triste (1899), com Machado de Assis; Numa concha (1913), com Olavo Bilac.
Tens uma fibra de artista e admirável
E tens do nosso povo o voto eterno
Que o título de artista e de notável
Não nasce dos favores do governo
No ano anterior à abolição da escravatura, compôs Dança de Negros (1887), uma das primeiras composições que utilizou motivos étnicos brasileiros. A primeira audição dessa obra, que mais tarde se tornou Batuque, da Série Brasileira, foi apresentada pelo autor no Ceará. Outras peças foram compostas na mesma época, como Mazurca, Une fleur, Ave Maria e Marcha fúnebre.
Apesar de ser visto com desconfiança pela família imperial, devido às suas posições políticas, Nepomuceno, pela sua importância no cenário musical brasileiro, chegou a ser convidado pela Princesa Isabel para tomar chá no Paço Imperial.
[editar] Europa
Viajou para a Europa na companhia de seus grandes amigos, os irmãos Henrique e Rodolfo Bernardelli, em agosto de 1888, com o objetivo de ampliar sua formação musical.
Em Roma, matriculou-se no Liceo Musicale Santa Cecilia, na classe de Harmonia, de Eugenio Terziani, e na de piano, de Giovanni Sgambatti; depois, com a morte de Terziani, prosseguiu os estudos com Cesare De Sanctis.
Em 1890 partiu para Berlim, onde aperfeiçoou seu domínio da língua alemã e ingressou na Academia Meister Schulle, tornando-se aluno de composição de Heinrich von Herzogenberg, grande amigo de Brahms. Durante suas férias, chegou a assistir em Viena a concertos de Brahms e de Hans von Bülow. Transferiu-se depois para o Conservatório Stern de Berlim, onde, durante dois anos, cursou as aulas de composição e órgão com o professor Arnó Kleffel, e de piano, com H. Ehrlich.
Nepomuceno e sua futura esposa tiveram aulas também com o famoso Theodor Lechetitzky, em cuja sala de aula conheceu a pianista norueguesa Walborg Bang, com quem se casou em 1893. Ela era aluna de Edvard Grieg, o mais importante compositor norueguês da época, representante máximo do nacionalismo romântico. Após seu casamento, foi morar na casa de Grieg em Bergen. Esta amizade foi fundamental para que Nepomuceno elaborasse um ideal nacionalista e, sobretudo, se definisse por uma obra atenta à riqueza cultural brasileira.
Após realizar as provas finais do Conservatório Stern (1894), regendo a Filarmônica de Berlim com duas obras suas (Scherzo für grosses Orcherter e Suíte Antiga), inscreveu-se na Schola Cantorum, em Paris, a fim de aprimorar-se nos estudos de órgão com o professor Alexandre Guilmant. Nessa época, conheceu Camille Saint-Saëns, Charles Bordes, Vincent D'Indy e outros. Assistiu à estréia mundial de Prélude à l'après-midi d'un faune, de Claude Debussy, obra que Nepomuceno foi o primeiro a apresentar no Brasil, em 1908, nas festas do Centenário da Abertura dos Portos. A convite de Charles Chabault, catedrático de grego na Sorbonne, escreveu a música incidental para a tragédia Electra.
Em 1900 marcou uma entrevista com o diretor da Ópera de Viena, Gustav Mahler, para negociar a apresentação de sua ópera Ártemis; porém, adoeceu gravemente, indo se recuperar em Bergen, na casa de seu amigo Edvard Grieg..
Em 1910, financiado pelo governo brasileiro, realizou diversos concertos com músicas de compositores nacionais em Bruxelas, Genebra e Paris. Durante a excursão, visitou Debussy em sua residência em Neuilly-sur-Seine, sendo presenteado com uma partitura autografada de Pelléas et Mélisande.
[editar] Nacionalismo
No dia 4 de agosto de 1895, Nepomuceno realizou um concerto histórico, marcando o início de uma campanha que lhe rendeu muitas críticas e censuras. Apresentou pela primeira vez, no Instituto Nacional de Música, uma série de canções em português, de sua autoria. Estava deflagrada a guerra pela nacionalização da música erudita brasileira. O concerto atingia diretamente aqueles que afirmavam que a língua portuguesa era inadequada para o bel canto. A polêmica tomou conta da imprensa e Nepomuceno travou uma verdadeira batalha contra o crítico Oscar Guanabarino, defensor ardoroso do canto em italiano, afirmando: "Não tem pátria um povo que não canta em sua língua".
A luta pela nacionalização da música erudita foi ampliada com o início de suas atividades na Associação de Concertos Populares, que dirigiu por dez anos (1896-1906), promovendo o reconhecimento de compositores brasileiros. A pedido de Visconde de Taunay, restaurou diversas obras do compositor Padre José Maurício Nunes Garcia e apoiou compositores populares como Catulo da Paixão Cearense.
A sua coletânea de doze canções em português foi lançada em 1904 e editada pela Vieira Machado & Moreira de Sá. O Garatuja, comédia lírica em três atos, baseada na obra homônima de José de Alencar, é considerada a primeira ópera verdadeiramente brasileira no tocante à música, ambientação e utilização da língua portuguesa. Os ritmos populares também estão presentes nesta obra, como a habanera, o tango, a marcação sincopada do maxixe, o lundu e ritmos característicos dos compositores populares do século XIX, como Xisto Bahia, além das polcas de Callado e Chiquinha Gonzaga.
Em 1907 iniciou a reforma do Hino Nacional Brasileiro, tanto na forma de execução quanto na letra de Osório Duque Estrada. No ano seguinte, a realização do concerto de violão do compositor popular Catulo da Paixão Cearense, no Instituto Nacional de Música , promovido por Nepomuceno, causou grande revolta nos críticos mais ortodoxos, que consideraram o acontecimento "um acinte àquele templo da arte".
Ainda como incentivador dos talentos nacionais, atuou junto a Sampaio Araújo para editar as obras de um controvertido compositor que surgia na época: Heitor Villa-Lobos. Nepomuceno chegou a exigir que as edições de suas obras, distribuídas pela Casa Arthur Napoleão, contivessem, na contra-capa, alguma partitura do jovem Villa-Lobos. Executou várias obras do jovem compositor em concertos com orquestras que regeu. E deixou-lhe como herança uma coleção de cerca de 80 canções populares, catalogadas e analisadas.
[editar] O Instituto Nacional de Música
Alberto Nepomuceno iniciou suas atividades no Instituto Nacional de Música como professor de órgão em 1894. Após a morte de Leopoldo Miguez, em 1902, foi nomeado diretor. Devido a inúmeras pressões e divergências de ordem política e administrativa, pediu exoneração no ano seguinte. No entanto, como importante referência da música erudita local, foi designado pelo próprio Instituto para recepcionar Saint-Saëns em sua vinda ao país. Em 1906 reassumiu o cargo de diretor após o pedido de demissão de Henrique Oswald. Em sua segunda gestão, elaborou uma série de projetos visando à institucionalização da música erudita brasileira.
Um dos primeiros projetos iniciados por Nepomuceno foi a reforma do Hino Nacional Brasileiro e a regulamentação de sua execução pública. Mandou colocar no Instituto uma lápide em homenagem a Francisco Manuel da Silva, com a seguinte inscrição: "Ao fundador do Conservatório e autor do Hino de sua pátria". Foi nomeado também diretor musical e regente principal dos Concertos Sinfônicos da Exposição Nacional da Praia Vermelha, em comemoração ao Centenário da Abertura dos Portos. Nestes concertos, apresentou pela primeira vez ao público brasileiro os autores europeus contemporâneos Debussy, Roussel, Glazunow e Rimsky-Korsakov, além dos brasileiros Carlos Gomes, Barroso Neto, Leopoldo Miguez e Henrique Oswald.
Em 1909, enviou um projeto de lei ao Congresso Nacional com o intuito de criar uma Orquestra Sinfônica subvencionada pelo governo. Como diretor do Instituto, recepcionou, junto com Rui Barbosa e Roberto Gomes, o pianista Paderewsky em sua visita ao Brasil. Em 1913 regeu, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, o grande Festival Wagner, tendo como solista o tenor Karl Jorn, de Bayreuth.
Responsável pela tradução do Tratado de Harmonia de Schoenberg, Nepomuceno tentou, em 1916, implantá-lo no Instituto, mas encontrou forte oposição do corpo docente. Sentindo crescer as pressões contrárias da academia a seus projetos, pediu demissão no mesmo ano. Separado de Walborg e com sérias dificuldades financeiras, foi morar com Frederico Nascimento em Santa Teresa. Seu último concerto no Teatro Municipal aconteceu em 1917. Muito doente e enfraquecido, faleceu em 1920, aos 56 anos de idade. Segundo depoimento de seu grande amigo Otávio Bevilacqua, o compositor começou a cantar ao perceber a proximidade da morte: "... cantou noite adentro até o último suspiro em pleno dia" (Trevisan, João Silvério. Ana em Veneza. Rio de Janeiro: Record, 1998).
Filho de Vítor Augusto Nepomuceno e Maria Virgínia de Oliveira Paiva, foi iniciado nos estudos musicais por seu pai, que era violinista, professor, mestre da banda e organista da Catedral de Fortaleza. Em 1872 transferiu-se com a família para Recife, onde começou a estudar piano e violino.
Responsável pelo sustento da mãe e irmã após a morte de seu pai, em 1880, Nepomuceno empregou-se como tipógrafo e passou a ministrar aulas particulares de música, ficando impossibilitado de prosseguir seus estudos no Curso de Humanidades. Apesar do pouco tempo que lhe sobrava, conseguiu dar continuidade aos seus estudos musicais com o maestro Euclides Fonseca.
Durante sua juventude, manteve amizade com alunos e mestres da Faculdade de Direito do Recife, como Alfredo Pinto, Clóvis Bevilaqua, Farias Brito. A Faculdade, nessa época, era um grande centro intelectual do país; por lá fervilhavam idéias e análises sociais de vanguarda, como os estudos sociológicos de Manuel Bonfim e Tobias Barreto, além das teorias darwinistas e spenceristas de Sílvio Romero. Foi Barreto quem despertou em Nepomuceno o interesse pelos estudos da língua alemã e da filosofia, dando-lhe aulas de ambas as disciplinas.
Tornou-se um defensor atuante das causas republicana e abolicionista no Nordeste, participando de diversas campanhas. Entretanto, não descuidou de suas atividades como músico, assumindo, aos dezoito anos, a direção dos concertos do Clube Carlos Gomes de Recife. Atuou também como violinista na estréia da ópera Leonor, de Euclides Fonseca, no Teatro Santa Isabel.
De volta ao Ceará com a família, ligou-se a João Brígido e João Cordeiro, defensores do movimento abolicionista, passando a colaborar em diversos jornais ligados à causa. Devido às suas atividades políticas, seu pedido de custeio ao governo imperial para estudar na Europa foi indeferido.
[editar] Sociedade da Corte
Em 1885, Nepomuceno mudou-se para o Rio de Janeiro, indo morar na residência da família dos artistas plásticos Rodolfo Bernardelli e Henrique Bernardelli. Deu continuidade aos seus estudos de piano no Clube Beethoven, onde se apresentou ao lado de Arthur Napoleão. Pouco tempo depois, foi nomeado professor de piano do clube, que tinha em seu quadro funcional, como bibliotecário, Machado de Assis.
A capital do império, neste período, vivia um momento de grande efervescência social, política e cultural. No âmbito social, ocorria um vertiginoso crescimento populacional com o aumento do fluxo migratório em busca de trabalho. No plano político, sucediam-se os ataques das campanhas abolicionista e republicana à monarquia. No campo literário, os movimentos romântico, simbolista e naturalista, em voga na Europa, influenciavam diversos escritores brasileiros, como Olavo Bilac, Machado de Assis, Aluísio Azevedo e Coelho Neto.
O grande interesse de Nepomuceno pela literatura brasileira e pela valorização da língua portuguesa, aproximou-o de alguns dos mais importantes autores da época, surgindo, da parceria com poetas e escritores, várias composições como: Ártemis (1898), com texto de Coelho Neto; Coração triste (1899), com Machado de Assis; Numa concha (1913), com Olavo Bilac.
Tens uma fibra de artista e admirável
E tens do nosso povo o voto eterno
Que o título de artista e de notável
Não nasce dos favores do governo
No ano anterior à abolição da escravatura, compôs Dança de Negros (1887), uma das primeiras composições que utilizou motivos étnicos brasileiros. A primeira audição dessa obra, que mais tarde se tornou Batuque, da Série Brasileira, foi apresentada pelo autor no Ceará. Outras peças foram compostas na mesma época, como Mazurca, Une fleur, Ave Maria e Marcha fúnebre.
Apesar de ser visto com desconfiança pela família imperial, devido às suas posições políticas, Nepomuceno, pela sua importância no cenário musical brasileiro, chegou a ser convidado pela Princesa Isabel para tomar chá no Paço Imperial.
[editar] Europa
Viajou para a Europa na companhia de seus grandes amigos, os irmãos Henrique e Rodolfo Bernardelli, em agosto de 1888, com o objetivo de ampliar sua formação musical.
Em Roma, matriculou-se no Liceo Musicale Santa Cecilia, na classe de Harmonia, de Eugenio Terziani, e na de piano, de Giovanni Sgambatti; depois, com a morte de Terziani, prosseguiu os estudos com Cesare De Sanctis.
Em 1890 partiu para Berlim, onde aperfeiçoou seu domínio da língua alemã e ingressou na Academia Meister Schulle, tornando-se aluno de composição de Heinrich von Herzogenberg, grande amigo de Brahms. Durante suas férias, chegou a assistir em Viena a concertos de Brahms e de Hans von Bülow. Transferiu-se depois para o Conservatório Stern de Berlim, onde, durante dois anos, cursou as aulas de composição e órgão com o professor Arnó Kleffel, e de piano, com H. Ehrlich.
Nepomuceno e sua futura esposa tiveram aulas também com o famoso Theodor Lechetitzky, em cuja sala de aula conheceu a pianista norueguesa Walborg Bang, com quem se casou em 1893. Ela era aluna de Edvard Grieg, o mais importante compositor norueguês da época, representante máximo do nacionalismo romântico. Após seu casamento, foi morar na casa de Grieg em Bergen. Esta amizade foi fundamental para que Nepomuceno elaborasse um ideal nacionalista e, sobretudo, se definisse por uma obra atenta à riqueza cultural brasileira.
Após realizar as provas finais do Conservatório Stern (1894), regendo a Filarmônica de Berlim com duas obras suas (Scherzo für grosses Orcherter e Suíte Antiga), inscreveu-se na Schola Cantorum, em Paris, a fim de aprimorar-se nos estudos de órgão com o professor Alexandre Guilmant. Nessa época, conheceu Camille Saint-Saëns, Charles Bordes, Vincent D'Indy e outros. Assistiu à estréia mundial de Prélude à l'après-midi d'un faune, de Claude Debussy, obra que Nepomuceno foi o primeiro a apresentar no Brasil, em 1908, nas festas do Centenário da Abertura dos Portos. A convite de Charles Chabault, catedrático de grego na Sorbonne, escreveu a música incidental para a tragédia Electra.
Em 1900 marcou uma entrevista com o diretor da Ópera de Viena, Gustav Mahler, para negociar a apresentação de sua ópera Ártemis; porém, adoeceu gravemente, indo se recuperar em Bergen, na casa de seu amigo Edvard Grieg..
Em 1910, financiado pelo governo brasileiro, realizou diversos concertos com músicas de compositores nacionais em Bruxelas, Genebra e Paris. Durante a excursão, visitou Debussy em sua residência em Neuilly-sur-Seine, sendo presenteado com uma partitura autografada de Pelléas et Mélisande.
[editar] Nacionalismo
No dia 4 de agosto de 1895, Nepomuceno realizou um concerto histórico, marcando o início de uma campanha que lhe rendeu muitas críticas e censuras. Apresentou pela primeira vez, no Instituto Nacional de Música, uma série de canções em português, de sua autoria. Estava deflagrada a guerra pela nacionalização da música erudita brasileira. O concerto atingia diretamente aqueles que afirmavam que a língua portuguesa era inadequada para o bel canto. A polêmica tomou conta da imprensa e Nepomuceno travou uma verdadeira batalha contra o crítico Oscar Guanabarino, defensor ardoroso do canto em italiano, afirmando: "Não tem pátria um povo que não canta em sua língua".
A luta pela nacionalização da música erudita foi ampliada com o início de suas atividades na Associação de Concertos Populares, que dirigiu por dez anos (1896-1906), promovendo o reconhecimento de compositores brasileiros. A pedido de Visconde de Taunay, restaurou diversas obras do compositor Padre José Maurício Nunes Garcia e apoiou compositores populares como Catulo da Paixão Cearense.
A sua coletânea de doze canções em português foi lançada em 1904 e editada pela Vieira Machado & Moreira de Sá. O Garatuja, comédia lírica em três atos, baseada na obra homônima de José de Alencar, é considerada a primeira ópera verdadeiramente brasileira no tocante à música, ambientação e utilização da língua portuguesa. Os ritmos populares também estão presentes nesta obra, como a habanera, o tango, a marcação sincopada do maxixe, o lundu e ritmos característicos dos compositores populares do século XIX, como Xisto Bahia, além das polcas de Callado e Chiquinha Gonzaga.
Em 1907 iniciou a reforma do Hino Nacional Brasileiro, tanto na forma de execução quanto na letra de Osório Duque Estrada. No ano seguinte, a realização do concerto de violão do compositor popular Catulo da Paixão Cearense, no Instituto Nacional de Música , promovido por Nepomuceno, causou grande revolta nos críticos mais ortodoxos, que consideraram o acontecimento "um acinte àquele templo da arte".
Ainda como incentivador dos talentos nacionais, atuou junto a Sampaio Araújo para editar as obras de um controvertido compositor que surgia na época: Heitor Villa-Lobos. Nepomuceno chegou a exigir que as edições de suas obras, distribuídas pela Casa Arthur Napoleão, contivessem, na contra-capa, alguma partitura do jovem Villa-Lobos. Executou várias obras do jovem compositor em concertos com orquestras que regeu. E deixou-lhe como herança uma coleção de cerca de 80 canções populares, catalogadas e analisadas.
[editar] O Instituto Nacional de Música
Alberto Nepomuceno iniciou suas atividades no Instituto Nacional de Música como professor de órgão em 1894. Após a morte de Leopoldo Miguez, em 1902, foi nomeado diretor. Devido a inúmeras pressões e divergências de ordem política e administrativa, pediu exoneração no ano seguinte. No entanto, como importante referência da música erudita local, foi designado pelo próprio Instituto para recepcionar Saint-Saëns em sua vinda ao país. Em 1906 reassumiu o cargo de diretor após o pedido de demissão de Henrique Oswald. Em sua segunda gestão, elaborou uma série de projetos visando à institucionalização da música erudita brasileira.
Um dos primeiros projetos iniciados por Nepomuceno foi a reforma do Hino Nacional Brasileiro e a regulamentação de sua execução pública. Mandou colocar no Instituto uma lápide em homenagem a Francisco Manuel da Silva, com a seguinte inscrição: "Ao fundador do Conservatório e autor do Hino de sua pátria". Foi nomeado também diretor musical e regente principal dos Concertos Sinfônicos da Exposição Nacional da Praia Vermelha, em comemoração ao Centenário da Abertura dos Portos. Nestes concertos, apresentou pela primeira vez ao público brasileiro os autores europeus contemporâneos Debussy, Roussel, Glazunow e Rimsky-Korsakov, além dos brasileiros Carlos Gomes, Barroso Neto, Leopoldo Miguez e Henrique Oswald.
Em 1909, enviou um projeto de lei ao Congresso Nacional com o intuito de criar uma Orquestra Sinfônica subvencionada pelo governo. Como diretor do Instituto, recepcionou, junto com Rui Barbosa e Roberto Gomes, o pianista Paderewsky em sua visita ao Brasil. Em 1913 regeu, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, o grande Festival Wagner, tendo como solista o tenor Karl Jorn, de Bayreuth.
Responsável pela tradução do Tratado de Harmonia de Schoenberg, Nepomuceno tentou, em 1916, implantá-lo no Instituto, mas encontrou forte oposição do corpo docente. Sentindo crescer as pressões contrárias da academia a seus projetos, pediu demissão no mesmo ano. Separado de Walborg e com sérias dificuldades financeiras, foi morar com Frederico Nascimento em Santa Teresa. Seu último concerto no Teatro Municipal aconteceu em 1917. Muito doente e enfraquecido, faleceu em 1920, aos 56 anos de idade. Segundo depoimento de seu grande amigo Otávio Bevilacqua, o compositor começou a cantar ao perceber a proximidade da morte: "... cantou noite adentro até o último suspiro em pleno dia" (Trevisan, João Silvério. Ana em Veneza. Rio de Janeiro: Record, 1998).
Antônio Francisco Braga
Iniciou os seus estudos musicais em 1876 e concluiu o curso de clarineta com Antônio Luís de Moura em 1886, tendo também sido aluno de Carlos de Mesquita (harmonia e contraponto).
Em 1890 participou do concurso oficial para a escolha do novo Hino Nacional brasileiro, classificando-se entre os quatro primeiros colocados e, com isso, obteve bolsa de dois anos para estudar na Europa.
Foi então para Paris, onde estudou composição com Jules Massenet e, posteriormente, fixou residência em Dresden, Alemanha.
Influenciado pelo compositor alemão Wagner, decidiu compor uma obra de maiores proporções, utilizando recursos cênicos, vocais e orquestrais. Assim, baseado em novela de Bernardo Guimarães, compôs Jupira, ópera em um ato, que dirigiu pela primeira vez no Teatro Lírico do Rio de Janeiro em 1900, ano da sua volta ao Brasil.
Dois anos depois foi nomeado professor do Instituto Nacional de Música, no Rio. Em 1905 compôs o Hino à Bandeira, cujos versos são de Olavo Bilac.
Suas composições primavam pelo bom acabamento e leveza de técnica, sem complexidade aparente, marca de sua formação francesa. As inúmeras composições de marchas e hinos lhe valeram o apelido de "Chico dos Hinos".
Em 1908 compôs, a partir de temas nacionais, a música para O contratador de diamantes, drama de Afonso Arinos, e em 1909, na inauguração do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, foi apresentado em primeira audição seu poema sinfônico Insônia.
Em 1912 participou da fundação da Sociedade de Concertos Sinfônicos, da qual se tornou diretor artístico e regente, permanecendo à frente da orquestra por vinte anos. Presidente perpétuo da Sociedade Pró-Música e fundador do Sindicato dos Músicos, Francisco Braga foi escolhido como Patrono da Cadeira de número 32 da Academia Brasileira de Música.
Em 1890 participou do concurso oficial para a escolha do novo Hino Nacional brasileiro, classificando-se entre os quatro primeiros colocados e, com isso, obteve bolsa de dois anos para estudar na Europa.
Foi então para Paris, onde estudou composição com Jules Massenet e, posteriormente, fixou residência em Dresden, Alemanha.
Influenciado pelo compositor alemão Wagner, decidiu compor uma obra de maiores proporções, utilizando recursos cênicos, vocais e orquestrais. Assim, baseado em novela de Bernardo Guimarães, compôs Jupira, ópera em um ato, que dirigiu pela primeira vez no Teatro Lírico do Rio de Janeiro em 1900, ano da sua volta ao Brasil.
Dois anos depois foi nomeado professor do Instituto Nacional de Música, no Rio. Em 1905 compôs o Hino à Bandeira, cujos versos são de Olavo Bilac.
Suas composições primavam pelo bom acabamento e leveza de técnica, sem complexidade aparente, marca de sua formação francesa. As inúmeras composições de marchas e hinos lhe valeram o apelido de "Chico dos Hinos".
Em 1908 compôs, a partir de temas nacionais, a música para O contratador de diamantes, drama de Afonso Arinos, e em 1909, na inauguração do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, foi apresentado em primeira audição seu poema sinfônico Insônia.
Em 1912 participou da fundação da Sociedade de Concertos Sinfônicos, da qual se tornou diretor artístico e regente, permanecendo à frente da orquestra por vinte anos. Presidente perpétuo da Sociedade Pró-Música e fundador do Sindicato dos Músicos, Francisco Braga foi escolhido como Patrono da Cadeira de número 32 da Academia Brasileira de Música.
Luciano Gallet
Começou sua atividade musical como pianista de orquestras de salão. Em 1913 foi aprovado para entrar como aluno do Instituto Nacional de Música (INM), onde estudou piano com Henrique Oswald e harmonia com Agnelo França.
Havia se tornado amigo de Glauco Velásquez, que reconheceu talento em suas composições e que foi quem o incentivou a procurar o curso do INM. Em 1914, já com a saúde precária, Velásquez transformou Gallet em seu intérprete predileto, incumbindo-lhe da execução de suas obras. Após a morte do amigo, Gallet fundou a Sociedade Glauco Velásquez, e se tornou o principal divulgador da música deste compositor.
Em 1917 Gallet tornou-se aluno de Darius Milhaud, compositor modernista francês que passou um período no Brasil. Foi com Milhaud que Gallet tomou contato com o modernismo musical europeu, e inciou-se no estudo sério da composição. Em 1918 Gallet lançou-se como compositor, revelando em suas primeiras composições uma forte influência da música francesa e do estilo de seu professor.
Na década de 1920 tomou contato com o movimento modernista brasileiro, o que o levou a iniciar estudos de folclore. Tornou-se também um dos músicos mais atuantes, liderando movimentos em favor da melhoria da atividade musical no Brasil. Com esta intenção, fundou e dirigiu, em 1928, a Revista Weco. Também foi fundador da Associação Brasileira de Música em 1930.
Em 1930 foi nomeado diretor do Instituto Nacional de Música quando reformulou o ensino da música, dando-lhe o estatuto de curso universitário. A nomeação de Luciano Gallet fez parte de um projeto de modernização do meio musical brasileiro, encampado pelo governo de Getúlio Vargas. Junto com Gallet, Sá Pereira e Mário de Andrade fizeram parte de uma comissão para reformular o programa dos cursos do INM. A reformulação do currículo do instituto objetivava transformá-lo em centro formador de músicos pensantes, pesquisadores da música brasileira, e não apenas reprodutores virtuoses da música européia. O desgaste que resultou do exercício do cargo, agravado pelo conflito com os professores antigos da instituição, contrários às mudanças, debilitou a saúde de Gallet, que veio a falecer no ano seguinte.
Autor de duas monografias sobre O índio na música brasileira e O negro na música brasileira (1928), deixou ainda outras pesquisas sobre cantigas e danças antigas do Rio, publicadas postumamente por Mário de Andrade sob o título de Estudos de Folclore (1934).
Havia se tornado amigo de Glauco Velásquez, que reconheceu talento em suas composições e que foi quem o incentivou a procurar o curso do INM. Em 1914, já com a saúde precária, Velásquez transformou Gallet em seu intérprete predileto, incumbindo-lhe da execução de suas obras. Após a morte do amigo, Gallet fundou a Sociedade Glauco Velásquez, e se tornou o principal divulgador da música deste compositor.
Em 1917 Gallet tornou-se aluno de Darius Milhaud, compositor modernista francês que passou um período no Brasil. Foi com Milhaud que Gallet tomou contato com o modernismo musical europeu, e inciou-se no estudo sério da composição. Em 1918 Gallet lançou-se como compositor, revelando em suas primeiras composições uma forte influência da música francesa e do estilo de seu professor.
Na década de 1920 tomou contato com o movimento modernista brasileiro, o que o levou a iniciar estudos de folclore. Tornou-se também um dos músicos mais atuantes, liderando movimentos em favor da melhoria da atividade musical no Brasil. Com esta intenção, fundou e dirigiu, em 1928, a Revista Weco. Também foi fundador da Associação Brasileira de Música em 1930.
Em 1930 foi nomeado diretor do Instituto Nacional de Música quando reformulou o ensino da música, dando-lhe o estatuto de curso universitário. A nomeação de Luciano Gallet fez parte de um projeto de modernização do meio musical brasileiro, encampado pelo governo de Getúlio Vargas. Junto com Gallet, Sá Pereira e Mário de Andrade fizeram parte de uma comissão para reformular o programa dos cursos do INM. A reformulação do currículo do instituto objetivava transformá-lo em centro formador de músicos pensantes, pesquisadores da música brasileira, e não apenas reprodutores virtuoses da música européia. O desgaste que resultou do exercício do cargo, agravado pelo conflito com os professores antigos da instituição, contrários às mudanças, debilitou a saúde de Gallet, que veio a falecer no ano seguinte.
Autor de duas monografias sobre O índio na música brasileira e O negro na música brasileira (1928), deixou ainda outras pesquisas sobre cantigas e danças antigas do Rio, publicadas postumamente por Mário de Andrade sob o título de Estudos de Folclore (1934).
Brasílio Itiberê
Brasílio Itiberê nasceu na cidade litorânea de Paranaguá, sendo filho de João Manuel da Cunha e de Maria Lourenço Munhoz da Cunha. Fez os estudos primários em sua terra natal e sua iniciação musical foi ao piano, aprendendo na casa dos seus pais. Já pianista renomado na juventude transfere-se para a capital paulista para cursar a faculdade de direito, efetuando, nesta cidade, vários concertos. Após obter o diploma de Bacharel em Direito ingressa na carreira diplomática atuando no corpo diplomático em vários países, como: Itália, Peru, Bélgica, Paraguai e na Alemanha.
Sem deixar a música de lado, Brasílio teve relações de amizade com alguns dos maiores pianistas de seu tempo, como Anton Rubinstein, Sgambatti e Liszt.
Considerado um dos precursores do nacionalismo, foi um dos primeiros a inspirar-se em motivos populares e a imprimir à sua obra características nitidamente brasileiras.
Compôs música de câmara e coral, além de peças para piano. Sua Rapsódia Sertaneja o popularizou, especialmente pela célebre canção “Balaio, meu bem, Balaio”.
A sua composição mais conhecida é, sem dúvida, "A Sertaneja" de 1869.
Foi nomeado embaixador em Portugal, porém, morreu antes de assumir a função. Faleceu na capital alemã no dia 11 de agosto de 1913, numa segunda-feira, aos 67 anos de idade.
Uma das muitas homenagens ao autor de "A Sertaneja" esta na capital paranaense que denominou uma das suas vias de Rua Brasílio Itiberê.
Sem deixar a música de lado, Brasílio teve relações de amizade com alguns dos maiores pianistas de seu tempo, como Anton Rubinstein, Sgambatti e Liszt.
Considerado um dos precursores do nacionalismo, foi um dos primeiros a inspirar-se em motivos populares e a imprimir à sua obra características nitidamente brasileiras.
Compôs música de câmara e coral, além de peças para piano. Sua Rapsódia Sertaneja o popularizou, especialmente pela célebre canção “Balaio, meu bem, Balaio”.
A sua composição mais conhecida é, sem dúvida, "A Sertaneja" de 1869.
Foi nomeado embaixador em Portugal, porém, morreu antes de assumir a função. Faleceu na capital alemã no dia 11 de agosto de 1913, numa segunda-feira, aos 67 anos de idade.
Uma das muitas homenagens ao autor de "A Sertaneja" esta na capital paranaense que denominou uma das suas vias de Rua Brasílio Itiberê.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Villa Lobos
Provavelmente poucos homens foram tão versáteis, tão ativos e produtivos , na música, como Heitor Villa-Lobos.Villa-Lobos seguiu simultaneamente carreiras de sucesso como violoncelista, maestro, educador e compositor. Tinha um entusiasmo incomum pela juventude brasileira. Era para a juventude daquela época que ele desejava abrir-lhes o caminho do mundo da arte. Todavia ele aprendera música sozinho.
Villa-Lobos escreveu música durante toda a sua vida, grande parte inspirada na música folclórica brasileira. Ele compunha constantemente, muito rapidamente, e sempre levado pôr um impulso interior.Gostava de compor no meio de uma confusão muito grande.Era normal, sempre em sua volta ouvir-se o rádio ligado, televisão, a vitrola, um piano ou uma conversa muito animada. Ele tomava parte em toda essa atividade, e ao mesmo tempo criava uma composição nova e original. As suas obras são tão numerosas que ele mesmo não tinha idéia de quantas criara. Conhecem-se cerca de mil composições de Villa-Lobos.
Heitor Villa-Lobos nasceu no dia 5 de março de 1887, na Rua Ipiranga, no bairro das Laranjeiras, Rio de Janeiro. Filho de Raul Villa-Lobos , professor, músico amador e funcionário da Biblioteca Nacional, e de Dona Noêmia, prendas domésticas.
Dona Noêmia sempre incentivou os estudos escolares de Heitor e alimentou a esperança de ver o filho formado em medicina. Não lhe agradava a idéia de vê-lo músico. Proibiu o menino de estudar piano, temendo que ele se empolgasse com a música.O próprio violão ele teve que estudar escondido. Só que seu grande sonho de vê-lo formado médico nunca aconteceu. O ambiente musical foi decisivo.
Muito cedo Heitor ou Tuhu, seu apelido familiar, iniciou sua vida musical. Começou aos seis anos,tocando um pequeno violoncelo (uma viola adaptada para este fim). Recebia as lições de seu pai. No ano seguinte já improvisava melodias sempre baseadas em cantigas de roda. Na casa de Raul tocava-se boa música. Convidava os amigos e realizavam verdadeiros concertos em casa. Nomes conhecidos da época eram assíduos freqüentadores destes saraus. Organizavam grupos de câmara, fazendo-se música até altas horas das noites de sábado.Tal hábito durou anos e teve influência decisiva na formação musical de Villa-Lobos. Cultivou seu gosto musical, conheceu de tudo e acumulou considerável experiência naquela atmosfera.
Todavia, ao invés de aprender a gostar do que já era considerado indiscutivelmente bom, encheu-se de tédio pela inegável semelhança formal da música que se via forçado a ouvir e a executar em seu violoncelo. Seu interesse pôr Bach começou aos oito anos de idade. A explicação é dupla: o garoto estava farto daquela música banal que o atingia pôr todos os lados e queria agarrar-se a algo diferente. Duas coisas pareciam-lhe incomuns: Bach e a música caipira.
Aos 11 anos aprendeu com o pai a tocar clarinete. Conheceu a música nordestina, pois costumava freqüentar como pai a casa de Alberto Brandão, onde se reuniam cantadores e seresteiros nordestinos. A música popular exerceu sempre uma atração em Villa-Lobos. A paixão pela música popular levou-o a aperfeiçoar-se no violão e a estudar com afinco o saxofone e o clarinete, sempre pôr contra própria.
Após longa enfermidade, seu pai faleceu aos 37 anos, deixando sua família numerosa em situação difícil, apesar de trabalhador e bom chefe de família. Era um homem imprevidente, ganhava bem mas gastava tudo, sem controle.
Dona Noêmia ficou em apuros, pois esgotaram-se todos os recursos. Foi obrigada a trabalhar duro para sustentar Tuhu e seus sete irmãos. Mas foi com admirável energia que aquela senhora, acostumada à vida social e ao trivial doméstico, pôs-se a lavar e a engomar guardanapos e toalhas para a "Casa Colombo", hoje a tradicional "Confeitaria Colombo".
Com a morte do pai, em 1899, aconteceu a liberdade para o terrível Tuhu que, imediatamente aproximou-se dos ídolos de sua infância , os "Chorões". Estava com dezesseis anos quando fugiu de casa, fixando-se na casa de sua tia Fifina (ela lhe tocava o "Cravo bem Temperado" de Bach) , a fim de ser mais livre para viver entre os "chorões"e tocar em grupos na noite. Foi um ótimo período para Heitor, que não tardou a aprender a lutar capoeira e a caçar preás com o amigo Zé do Cavaquinho. Era figura obrigatória na sede de "O Cavaquinho de Ouro", na Rua da Carioca, junto a Anacleto de Medeiros e outros chorões.
Mas seu fanatismo pelos músicos do "choro" não o impediu de prosseguir seus estudos no colégio do Mosteiro de São Bento.
A experiência veio com a necessidade de tocar em pequenas orquestras em festas e bailes, exibir-se como concertista de diversos instrumentos em suas viagens, enfim, da miséria e da necessidade que por muitas vezes passou. Era o início de uma vida penosa e boêmia que duraria muitos anos. Tocou no "Teatro Recreio", repertório dos mais variados. Também no cinema "Odeon", em bares, hotéis, cabarés. Sua produção musical desta época limitava-se à valsinhas, dobrados, música popular despretensiosa.
Em 1905, aos 18 anos, resolveu viajar para o Nordeste.Vendeu alguns livros raros deixados pelo pai e viajou, passando pôr Espírito Santo, Bahia e Pernambuco.Extasiou-se com tanta riqueza de folclore. Passou temporadas em engenhos e fazendas. Conheceu as canções dos vaqueiros, os instrumentos primitivos do sertão. No ano seguinte embrenhou-se pelo Sul.
Em 1907, de volta para o Rio de Janeiro atingiu também sua maioridade musical, ao compor sua primeira obra típica, "Os Cantos Sertanejos", para pequena orquestra, onde procurou reproduzir os ambientes musicais regionais. Disposto a ter uma formação acadêmica musical (embora sua mãe ainda insistisse na medicina), Heitor matriculou-se no curso de harmonia de Frederico Nascimento, no Instituto Nacional de Música . Não agüentou mais do que poucos meses e partiu em uma nova viagem pelo Nordeste.
Em sua quarta viagem, a segunda pelo Nordeste , seguindo para o Norte, teve como companhia seu amigo Donizetti, um boêmio incorrigível e bom músico. Foi a companhia ideal para a ousada excursão que duraria três anos. Donizetti, constantemente alcoolizado e Villa-Lobos convencido das pesquisas que realizava. Em cada lugarejo em que chegavam,Villa-lobos tratava logo de arranjar alguns concertos e desintoxicar o amigo. E os dois multiplicavam-se, fazendo números de violoncelo, piano, violão e saxofone. Ganhavam o dinheiro para a sobrevivência e prosseguiam a viagem.
A colheita do material folclórico foi enorme, mas muito se perdeu nas travessias dos rios. Por duas vezes no rio São Francisco sua frágil canoa virou, perdendo toda a bagagem. Mal tiveram tempo de recolherem seus instrumentos, que significavam o pão de cada dia. No rio Solimões aconteceu o mesmo, mas desta vez já tinham experiência: traziam os instrumentos amarrados ao corpo .
Retornando ao Rio, soube que sua mãe fizera rezar uma missa pôr sua alma, imaginando-o morto.
Em 1913 casou-se com a pianista Lucília Guimarães, com quem viveria até 1935. Se no início ela lhe forneceu os segredos da técnica pianística, nos anos 20 ajudava o marido a preparar a obrigatória feijoada dos domingos em seu apartamento em Paris.
1915 foi uma época marcante na vida do mestre; ano de sua apresentação no Rio como compositor, causando críticas violentas pôr suas obras cheias de inovações. Em 1917 e 1918 realizaram-se mais três recitais com suas obras, repetindo-se as críticas.
Villa-Lobos ganhava a vida tocando violoncelo nos teatros e cinemas cariocas. Artur Rubinstein, grande pianista polonês, naturalizado americano, tinha ouvido falar muito sobre Villa-Lobos e conseguiu que amigos o levassem até o cinema Odeon, onde Villa trabalhava em uma orquestra mambembe, tocando nos intervalos e durante os filmes mudos. Após algumas músicas banais, atacaram uma de suas "Danças Africanas"e o grande pianista aproveitou o intervalo para cumprimentá-lo. Mas foi rechaçado violentamente com os seguintes dizeres: "Você é um virtuose e não pode compreender minha música!".
Após esta desagradável recepção, Rubinstein retirou-se sem dizer nada. Mas no dia seguinte, no hotel onde se hospedava, bateram em sua porta, as oito horas da manhã. Qual não foi a surpresa do pianista quando surgiu Villa seriíssimo, cercado pôr uma dúzia de músicos. Tocaram várias composições para que Rubinstein ouvisse. Artur Rubinstein foi um dos maiores divulgadores de Villa-Lobos na Europa. Gravou um álbum de discos do mestre e sempre apresentava suas obras em suas tournés mundiais, entre elas o Rudepoema e a Prole do Bebê.
Semana de Arte Moderna - movimento surgido em São Paulo em 1922 quando várias atividades artísticas foram apresentadas no Teatro Municipal de São Paulo. Villa-Lobos foi convidado pelos modernistas a participar e ficou entusiasmado com a proposta, que coincidia com suas idéias. Como todos os participantes, o mestre foi vaiado, principalmente quando em um de seus concertos entrou de casaca e de chinelos, por estar com um dos pés machucado.
Suas obras desta época sofrem influências das técnicas de composição do fim do século francês. O compositor pôs em banho-maria sua vivência juvenil da música popular. Mas não foi Villa-Lobos o único compositor moderno a ser interpretado. A música de Debussy, praticamente desconhecido no Brasil e a de Eric Satie escandalizaram a Paulicéia Desvairada.
Estando conhecido nos meios musicais brasileiro, seus amigos resolveram animá-lo a viajar para a Europa. Por um projeto apresentado na Câmara do Deputados, foi aprovada uma verba para financiar uma viagem a Paris, para divulgar sua obra.
Em 1923 partiu o mestre para a Europa, não para aprender, mas para ensinar e divulgar sua obra, logo se impondo. Em sua estréia em Paris na Salle Gaveau, em 1923, Heitor surpreendeu-se com uma pequena biografia sua em um jornal, escrita pôr Lucie Mardrus. A poetisa francesa, que visitou o compositor no Rio e falava português razoavelmente, pediu-lhe emprestado o livro Viagem ao Brasil, do alemão do século XVII, Hans Staden...e atribuiu a Villa-Lobos as aventuras pelo estrangeiro dois séculos antes!
"No período de 1909 a 1912, nosso músico realizou afinal a sua desejada viagem através das terras ainda habitadas por índios, incorporado a várias missões científicas, principalmente alemãs. Foi assim que pôde observar longamente os seus colegas musicais de tacape, assistir a rituais de feitiçaria.(...) Foi pegado pelos índios e condenado a seu comido moqueado. Prepararam as índias velhas a famosa festa da comilança ( o artigo não diz se ofereceram a Villa a índia mais formosa da maloca) e o coitado, com grande danças, trons de maracás e roncos de japurutus, foi introduzido no local do sacrifício. Embora não tivesse no momento nenhuma vontade pra dançar, a praxe da tribo o obrigou a ir maxixando até o poste de sacrifício. E a indiada apontava pra ele, dizendo: "Lá vem nossa comida pulando!". (Mário de Andrade - 1930)
Villa-Lobos assimilou a "discreta" confusão da francesa mas foi obrigado a responder a uma madame parisiense se ainda comia gente: "No momento, só gosto de crianças, especialmente as francesas, que são as mais tenrinhas..."
Superado os problemas de afirmação, em 1927, Villa já havia impresso 19 obras em Paris. Seu nome já era conhecido no cenário mundial. A partir daí passou a apresentar concertos de suas obras, regendo orquestras importantes da Europa. A partir desta época Villa-Lobos era um nome famoso em Paris. Mas apesar dos sucessos, as dificuldades financeiras não desapareciam e Villa volta para São Paulo, depois para o Rio de Janeiro, para assumir a Superintendência de Educação Musical e Artística.
Em 1930, Heitor regressou ao Brasil, já tendo conquistado Paris. Estourou a revolução e o interventor de São Paulo, João Alberto, convidou-o a organizar um programa de educação musical no Estado. A experiência durou dois anos, findos os quais Heitor retornou ao Rio para assumir a Superintendência de Educação Musical e Artística, com o aval de Getúlio Vargas. Reinou durante todo o Estado Novo como condutor oficial da política de educação musical no país, baseada no coral e canto orfeônico. O resultado deste trabalho foi a criação das chamadas Exortações Cívicas Villa-Lobos, espetáculos que chegaram a reunir até 42 mil vozes, como o realizado no campo do Vasco da Gama, para cantar o Hino Nacional e outras peças cívicas. É verdade que que houve quem não lhe poupasse críticas, acusando-o de fascista, colaborador do Estado Novo e de Getúlio. Mas, de qualquer modo, as Exortações Cívicas foram um sucesso e, já consagrado no exterior, finalmente lançaram-no à glória tardia em sua terra natal.
Mesmo envolvido com o trabalho faraônico de treinar orfeões e professores, Villa não se descuidava de outros projetos. Foi assim que, financiado pôr seu próprio bolso, o bloco carnavalesco Sodade do Cordão saiu em 1940, comemorando os velhos carnavais.
Paralelamente, sua saúde começa a se debilitar. A 7 de setembro de 1941 apareceu com uma hérnia. Em 1948 foi atingido pôr um câncer que lhe consumiu a próstata, a bexiga e o rim, mas não o poder criativo. Foi para os Estados Unidos para tratar-se, mas morreu, aos 72 anos, em 17 de novembro de 1959, no Brasil, país que nunca deixou de amar, mesmo quando nele não foi compreendido.
Villa-Lobos jamais quis pesquisar o folclore cientificamente, à Bela Bartók, pôr exemplo.
Nem sua vastíssima produção nutre-se apenas das manifestações rurais ditas rurais. Em vez disso, nutre-se da linguagem impressionista francesa, Puccini e Wagner; do choro carioca e das formas de música popular urbana do Rio de Janeiro do início do século; e do folclore rural indisciplinadamente assimilado nas viagens da juventude.
Os dezessete quartetos de cordas, as doze sinfonias, os poemas sinfônicos, as nove "Bachianas Brasileiras", os catorze "Choros", os cinco concertos para piano e orquestra, os estudos para o violão, a ópera Yerma, a vasta produção pianística ( grande parte dedicada às crianças) e coral, tudo isso tem pouco em comum. O ritmo talvez seja seu fio estrutural; o gosto pelo contraste, superposição de modos maiores e menores. Sua obra se caracteriza pelo uso original de instrumentos de percussão e de ritmos nacionais. Uma de suas séries mais características é o das Bachianas Brasileiras (1930 - 1944), em número de nove - particularmente popular a de número 5 para soprano e conjunto de violoncelos, e a de número 4 para piano.
Muitas de suas produções se extraviaram, percalços, sem dúvida, de grande riqueza e abundância da obra. No entanto, conhecem-se cerca de mil composições de Villa-Lobos.
Bela Bartók
Bartók foi um desses homens excepcionais não só como grande artista mas como também de hombridade moral poucas vezes igualado na história da arte em geral. Coube-lhe viver numa época tumultuada, entre duas guerras mundiais que devastaram o mundo ocidental, em que os mais ferozes atos foram cometidos, e isso influiu decisivamente em sua música. Seu maior sofrimento foi no decorrer do período de 1930, quando os nazistas dividiram a humanidade em raças e eles se autoproclamavam superiores.
Artista original de grande poder criativo, sentiu-se atingido quando o ministro da Educação Popular e Propaganda Nazista Goebbels, em 1936,organizou uma exposição de "Música degenerada" incluindo os nomes de Stravinsky, Schönberg e Milhaud. Não teve dúvidas. Escreveu imediatamente para o ministro para que inscrevesse nesse grupo seu nome e sua música, como forma de repulsa, ao que acabara de se passar.
Violentamente antiracista e animado pôr um sentido muito firme de justiça, chegou mesmo a pensar, num certo dia de 1938, converter-se a religião judaica como forma de desabafo e ficar ao lado dos perseguidos. Não ignorava os riscos que corria ao estender a mão aos espoliados, afirmando seu patriotismo com uma lealdade igual ao amor que sentia pela humanidade. É nessa ocasião que pede a sua mãe e tia que não falem em idioma estrangeiro mais que "quando seja absolutamente obrigatório"e de forma alguma utilizem o alemão.
Béla Bartók nasceu em 25 de março de 1881, em Nagyszentmiklos, Hungria ( hoje Sannicolaul Mare, cidade da Romênia). Seu pai era diretor de uma escola de agricultura e inspirou no menino a paixão pela natureza e pela música. Aprendeu as primeiras noções de piano com sua mãe, a partir dos cinco anos. Quando tinha oito anos perdeu o pai.
Com a morte do pai, em 1894, o pequeno Béla acompanhou sua mãe até a cidade de Pozsony, atual Batislava, onde estudou piano e composição com Ladislas Erkel. Pozsony era um centro cultural importante, onde ele fez estudos musicais regulares. Tornou-se amigo de Erno Dohnâyi, que o iniciou nos mestre alemães: Bach, Wagner e Brahms.
Em 1898, entrou para a Academia Real de Música de Budapeste, na classe de piano de Thoman, aluno de Liszt, e na classe de composição do professor Koezler.
Em 1905 foi a Paris para o Concurso Internacional Rubisntein de Composição e Piano. Ali descobriu Debussy e sua escrita modal e, pôr isso, voltando à Hungria, compreendeu o interesse das canções populares. Dedicou-se, desde então, com a parceria do amigo, o compositor húngaro Zoltan Kodaly, estudos científicos sobre as canções folclóricas. Para colecionar estas canções fez numerosas viagens pêlos campos, munido de aparelhos registradores, cilindros e muito papel de música. Com estas pesquisas conseguiu dissipar o engano de Liszt, que havia confundido o folclore musical húngaro com o dos ciganos da Hungria.
Um ano depois publicou com Kodaly uma primeira coletânea de cantos populares húngaros, num total de 20, pôr eles harmonizados. Bartók estenderia, então, o campo de suas pesquisas à música romena, búlgara e oriental; ao Egito a à Turquia, onde esteve em 1932 e 1936, depois de tomar contato com a música árabe em Biskra, em 1913. O resultado, para a arte do próprio Bartók, foi um estilo baseado em particularidades musicais, alheias à música da Europa Ocidental, mas altamente pessoal; e que incluiu, depois, cada vez mais elementos da grande tradição européia, sobretudo Bach.
Foi nomeado professor de piano da Academia de Budapeste em 1907. Quatro anos mais tarde, a Comissão de Belas Artes de Budapeste recusava-se a apresentar sua ópera O Castelo do Barba Azul para a obtenção do prêmio de Melhor Peça Lírica. Mas em 1918 esta ópera era levada à Ópera Nacional de Budapeste, onde obteve grande sucesso.
Foi necessário esperar-se o fim da Primeira Guerra para que começasse e editar e executar sua música no estrangeiro. Em 1924 publicou uma coleção de cantos populares romenos e húngaros. Em 1926 produziu diversas peças para piano e o balé O Mandarim Miraculoso. No ano seguinte partiu para sua primeira série de concertos na América e depois na Rússia.
Autenticamente democrata e horrorizado com o nazismo, recusa-se a permanecer em seu país quando o fascismo se instala no poder. Decide-se, em 1940, estabelecer-se nos Estados Unidos. Fez viagens de concerto, em companhia de sua mulher, também pianista, apresentando a sua famosa Sonata para dois pianos e percussão.
Foi nomeado Doutor em Música pela Universidade de Columbia. Em 1943, a Fundação Koussevitzky encomendou-lhe o Concerto para Orquestra. Nesta época escreve a Sonata para violino solo ( 1944) e o Concerto N.5 (1945).
Em 1939 Benny Goodman, famoso clarinetista de jazz, encomendou-lhe uma composição para clarinete. Quando viu a pauta Benny ficou aterrorizado: "Vou precisar de três mãos para tocar isso, senhor Bartók. É a coisa mais difícil que jamais vi." Bartok riu-se: "Não se preocupe com isso. Toque aproximadamente o que escrevi." Mas o telentoso Benny Goodman fêz mais que isso; Contrastes foi gravado pela Columbia, com Joseph Szigeti no violino, Bartók ao piano e Benny Googman no clarinete.
O reconhecimento do valor e da significação de sua obra não o alcança sequer nessa última arrancada final em que,precário de saúde e bens materiais, não deixou de trabalhar no hospital. Bartók compôs até o final de sua vida. Morreu em Nova York, em 26 de setembro de1945, em uma miséria tão grande que não deixou sequer dinheiro suficiente para o pagamento de seu enterro.
Levaria ainda algum tempo para que o mundo pudesse ver em Bartók, na qualidade de uma invenção e inovação musical, poderosamente mergulhada nas raízes de sua terra, na indiferença a todos os modismos, nas novas sonoridades de sua orquestração, assim como no rigor intelectual, um dos maiores gênios musicais da primeira metade do século.
Em 1905 começa a sua pesquisa sobre o folclore húngaro. Anteriores a esse período, não obstante de mérito e importância indiscutíveis, são os Quartetos para Cordas N.1 (1908) e N.2 (1915-1917), bem como inúmeras peças para piano, entre as quais o célebre Allegro Barbaro (1911).
A ópera em um ato A Kekzakállu Herceg Vára (O Castelo do duque Barba Azul - 1911), cuja rejeição pôr parte das organizações musicais da Hungria, levou o compositor a fundar, juntamente com Kodaly e outros compositores jovens, a Sociedade Musical Húngara, infelizmente de pouca duração.
Seguem-se o balé A Csodálatos Mandarin (O Mandarim Miraculoso -1919) e as duas sonatas para violino e piano, produção em que a tonalidade se apresenta progressivamente mais livre e se afirma uma forte tendência expressionista, que se abrandaria na Tanz Suite (Suite de Danças - 1923), compostas especialmente para as festas de celebração do 50o aniversário das cidades de Buda e Pest.O trabalho propiciou a admiração de seus compatriotas, se bem que efêmera. A pouca receptividade dos conterrâneos e do público em geral para com as produções mais acentuadamente modernas do mestre húngaro se reduz ao final da Primeira Guerra Mundial, quando as sua obras são publicadas e ele se dedica, ainda mais ativamente à obstinada pesquisa folclórica, não apenas na Hungria, como na Bulgária, Eslováquia e Romênia.
Alguns anos depois se inicia a fase de maior fecundidade em toda a sua carreira. Surge o Concerto N. 1 para piano (1926), estranho, profundamente individual; o Quarteto para cordas N.3 (1927), de inusitado expressionismo em um único movimento; o Quarteto para Cordas N.4 ( 1928); a Cantata Profana (1930), de caráter social, tendo pôr tema a indignação de um cidadão comum, e o Concerto N.2 para piano (1930 - 1931). Bartók se encontra, então, em plena posse de suas características e recursos mais notáveis.
Também em 1926 começa a revelar-se outro aspecto decisivo da personalidade de Bartók: sua vocação pedagógica. O Mikrokosmos, coleção de exercícios pianísticos de dificuldades crescentes, principiada em 1926 e terminada em 1937, mereceu de vários autores contemporâneos a denominação de "Cravo bem Temperado do Século XX".
Neste trabalho, longe de figurar entre os mais expressivos num período tão fértil da criação bartokiana, demonstra melhor uma de suas extraordinárias contribuições: a de ter filtrado, sintetizado o que de melhor existia, em seu tempo, de técnica e estilo musical.
É de 1934 o Quarteto para cordas N.5, uma de suas obras primas, de fascinante modernidade.
Compõe, nos anos seguintes, tanto a Música para Cordas, Percussão e Celesta (1936), como os Contrastes para clarineta , piano e violino (1939), e a Sonata para Dois Pianos e Percussão (1937), onde persegue, com grande pionerismo,uma pureza concreta do som e do instrumento.
Da mesma fase é o Concerto para Violino (1937 - 1938), em que a pujança e a delicadeza se contrastam, se completam, a cada instante, com grande originalidade. Ligeiramente posterior são o Divertimento para Cordas N.6 (1939) e o Quarteto para Cordas N.6 (1939), precedendo a última etapa da produção de Bartók, vivida na América do Norte.
Maurice Ravel
Maurice Ravel nasceu no dia 7 de março, filho de Joseph e Marie Ravel. A origem basca, pelo lado materno, e a proximidade da fronteira espanhola deram-lhe o gosto pela Espanha.
Quando estava com 7 anos de idade, seu pai notou-lhe o ouvido para a música e decidiu que o menino deveria ter aulas de piano. A família mudou-se para Paris, onde o pequeno Maurice pôde estudar com Henri Ghys, seu primeiro professor de piano.
Aos 12 anos de idade, tornou-se aluno de composição de Charles-René, que ensinou-lhe harmonia, contraponto e os princípios da composição. Em 1889 Ravel entrou para a classe de piano do Conservatório de Paris. Foi o ano da "Exposition Universelle", onde Debussy maravilhou-se com a música javanesa, enquanto Ravel adquiria o gosto pela arte oriental. Sua música, de extraordinária unidade e limpidez, e de tradição clássica, ganhou com isso em colorido e originalidade.
Aos 26 anos obteve, com uma cantata, o segundo lugar no Prêmio de Roma. Nesta época já era autor de Les Sites auriculaires (1895), para dois pianos e de Pavane pour une infante défunte (1899). Ao candidatar-se novamente, em 1904, havia composto Jeux d'eau (1901, para piano), o quarteto de cordas em fá maior (1902-03) e Shéhérazade (1903). Mas não foi sequer admitido às provas eliminatórias e esta injustiça tornou-o arredio para o resto da vida. Em 1920 recusaria a Legião de Honra.
Ravel tinha o fascínio das coisas difíceis e insólitas. Algumas das suas peças, como Gaspard de la nuit (uma série de três peças para piano - 1908), o concerto para piano e orquestra em ré maior (Concerto para a mão esquerda, 1931) e a sonata para violino e violoncelo (1920-22) parecem desafios que o compositor se tenha proposto para resolvê-los com brilho. O balé Daphnis et Chloé (1909) foi composto a pedido de Diaghilev. L'Enfant et les Sortiléges (1925) põe em música um libreto de Colette.
Um desastre de automóvel (1932) teve como sequela a doença que afetou sua memória e a coordenação dos movimentos. Uma cirurgia cerebral, como último recurso, não teve êxito.
Outras obras: Miroirs (1905), Ma Mére l'Oye (1908), Valses nobles et sentimentales (1911), Le Tombeau de Couperin (1917), La valse (1920), Alborada del Gracioso (1907), Rapsodie espagnole (1907), Bolero (1928), etc.
Schoenberg
Schoenberg inspirou-se, desde as primeiras obras, no cromatismo de Wagner (Noite Transfigurada 1899; Gurrelieder, 1900-1911). Permaneceu em Berlim de 1901 a 1903 retornando, a seguir, a Viena. Seu estilo evoluiu para à atonalidade, com Erwartung, op. 17 ( A Espera, 1909). Em 1917 escreveu um Tratado de Harmonia. Neste mesmo ano faz amizade com Anton von Webern e Alban Berg, seus alunos.
No ano de 1912 compôs Pierrot Lunaire para voz e pequeno grupo instrumental. De 1912 a 1921 seu círculo de alunos aumentou e Schoenberg desenvolveu uma técnica de utilização do Dodecafonismo, designada Música Serial. Desde 1925 ocupou o cargo de professor de composição em Berlim, mas mudou-se para os Estados Unidos quando Hitler assumiu o poder. Foi professor em Nova York e Boston, onde ocupou uma cadeira na Universidade da Califórnia, nos anos de 1936 a 1944. Nesta época criou obras especificamente seriais.
Na apreciação das teorias e das obras de Schoenberg há muita confusão entre o atonalismo e a fase do dodecafonismo. É preciso distinguir os três períodos de sua carreira musical. Schoenberg começou como pós-wagneriano, dedicado ao extremo cromatismo de Tristão e Isolda, desenvolvendo-o em seu sexteto de cordas Noite Transfigurada e na obra coral Gurrelieder. O cromatismo extremado já não permitia a distinção das tonalidades. É o início de sua fase atonal, iniciada com peças para o piano e um quarteto de cordas. A principal obra desta fase é: Pierrot Lunaire, um ciclo de Lieder declamados. Reconhecendo o perigo do caos musical, Schoenberg elaborou um novo sistema um novo sistema de relações entre os sons, chamado música serial ou dodecafônica. Com este sistema tornou-se chefe da nova escola de Viena. Nos últimos anos de vida ele admitiu retornos ocasionais à harmonia tradicional.
Suas principais obras são: Noite Transfigurada (1899), Gurrelieder (1900-1911), Erwartung (1909), Pierrot Lunaire (1912), Suíte para Piano Op.25 (1923), Variações para Orquestra Op. 31(1928); duas óperas, Moisés e Aarão (1925) , O Caminho Bíblico (1925), Concerto para violino (1936), Quarto quarteto para cordas (1936) e a obra coral de 1947, Um Sobrevivente de Varsóvia
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♫ ♫ Educação Musical ♫ ♫
Educação Musical é a educação que oportuniza ao indivíduo o acesso à música enquanto arte, linguagem e conhecimento. A educação musical, assim como a educação geral e plena do indivíduo, acontece assistematicamente na sociedade, por meio, principalmente, da industria cultural e do folclore e sistematicamente na escola ou em outras instituições de ensino.







